O zolgensma é considerado um
dos medicamentos mais caros do mundo, com custo médio de R$ 7 milhões por dose
única. O fornecimento gratuito no SUS foi possível graças a um modelo inovador
de Acordo de Compartilhamento de Risco, firmado entre o Governo Federal e a
fabricante.
O Brasil se tornou o sexto
país no mundo a ofertar o medicamento em sistemas públicos de saúde, após
Espanha, Inglaterra, Argentina, França e Alemanha. O acordo realizado
estabelece que o pagamento só será feito se o tratamento for eficaz, o que
garantiu ao Brasil o menor preço lista do mundo.
Durante visita ao Hospital da
Criança em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou o momento
como um marco para a saúde pública no país. “Seria impossível para as famílias
arcarem com um custo tão alto. É uma terapia gênica muito importante e
inovadora, por isso garantir esse atendimento e poder acolher essas famílias é
um momento de muita emoção”, disse o ministro. “Com o SUS, o Brasil vive mais”,
completou.
Indicação
O medicamento é indicado
exclusivamente a crianças com AME tipo 1, com até seis meses de idade, que não
dependem de ventilação mecânica invasiva por mais de 16 horas por dia. As duas
bebês atendidas foram priorizadas por estarem próximas do limite de idade para
receber a infusão e por cumprirem todos os critérios clínicos previstos no
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Atrofia Muscular Espinhal (AME)
5q tipos 1 e 2.
“É emocionante, porque a gente
nunca perde a esperança como mãe. Ver minha filha, daqui pra frente, poder
andar, correr, falar e me chamar de mãe vai ser excelente. Posso viver a
maternidade de uma forma diferente”, disse Milena Brito, mãe de bebê que recebeu
a infusão de zolgensma em Brasília. Ela descobriu o diagnóstico de AME aos
13 dias de vida da filha.
Com a garantia do acesso ao
medicamento, as crianças poderão ter ganhos motores significativos, como a
capacidade de engolir e mastigar, sustentar o tronco e sentar-se sem apoio. A
expectativa do Governo Federal é atender 137 pacientes nos primeiros dois anos,
impactando diretamente na qualidade de vida. Atualmente, um total de 15 pedidos
foram protocolados para acesso ao medicamento no SUS e estão sendo
encaminhados, começando por estes dois atendimentos.
Embora a AME não tenha cura,
as terapias disponíveis ajudam a estabilizar sua progressão. Além do zolgensma,
de dose única, o SUS oferece nusinersena e risdiplam, de uso contínuo, que
atuam para evitar a progressão da doença. Sem essas intervenções, essas
crianças enfrentam alto risco de morte antes dos dois anos de idade. Quem
recebe o zolgensma não precisa receber outra terapia para AME.
Como e onde ter acesso
As famílias devem procurar um
dos 36 serviços especializados em doenças raras do SUS. Um médico realizará a
avaliação clínica da criança e, caso os critérios de elegibilidade sejam
atendidos, o processo de solicitação da terapia será iniciado.
Dos 36 serviços, 31 já estão
aptos a realizar a infusão da terapia gênica — sendo 22 já habilitados e nove
em fase de capacitação. Os serviços estão disponíveis em Alagoas, Ceará, Goiás,
Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.
Nos estados que ainda não
contam com serviços habilitados para a infusão, o acordo garante, além do
medicamento, o custeio de passagens e hospedagem para o paciente e um familiar
responsável.
As crianças que recebem o
zolgensma serão acompanhadas clinicamente até os cinco anos de idade pelo
serviço de referência responsável pela infusão. Esse processo está alinhado com
o Protocolo Clínico e com o Acordo de Compartilhamento de Risco. Após a infusão,
o paciente deve permanecer internado por no mínimo 24 horas, sob observação
clínica contínua.
Incorporações como a do
zolgensma mostram a capacidade do SUS em absorver terapias que envolvem alta
complexidade. A adoção do modelo de compartilhamento de risco é uma alternativa
para aquisição de medicamentos de altíssimo custo e cujos resultados requerem
mais evidências científicas.
Como vai funcionar o
pagamento pelo governo:
•40% do preço total, no ato da infusão da terapia;
•20%, após 24 meses da infusão, se o paciente atingir controle da nuca; 20%,
após 36 meses da infusão, se o paciente alcançar controle de tronco (sentar-se
por, no mínimo, 10 segundos sem apoio);
•20%, após 48 meses da infusão, se houver manutenção dos ganhos motores
alcançados;
•Haverá cancelamento das parcelas se houver óbito ou progressão da doença para
ventilação mecânica permanente.
Onde encontrar os serviços
de referência
|
UF |
Cidade |
Hospital |
|
AL |
Maceió |
Hospital da Criança |
|
BA |
Bahia |
Hospital Martagão Gesteira |
|
CE |
Fortaleza |
Hospital Infantil Alberto
Sabin |
|
DF |
Brasília |
Hospital da Criança de
Brasília José Alencar |
|
ES |
Vitória |
Hospital Infantil Nossa
Senhora da Glória |
|
GO |
Goiânia |
CRER Goiânia |
|
MG |
Belo Horizonte |
Hospital João Paulo II |
|
MG |
Juiz de Fora |
Hospital Universitário Juiz
de Fora |
|
MG |
Belo Horizonte |
Hospital da UFMG |
|
MG |
Uberlândia |
HC Universidade Federal de
Uberlândia |
|
MT |
Cuiabá |
Santa Casa |
|
PA |
Belém |
Hospital Universitário
Bettina Ferro |
|
PB |
Campina Grande |
Hospital Universitário
Alcides Carneiro |
|
PE |
Recife |
IMIP |
|
PE |
Recife |
Hospital Maria Lucinda |
|
PI |
Teresina |
Hospital Infantil Lucídio
Portela |
|
PR |
Curitiba |
Complexo do Hospital das
Clínicas da UFPR HC e MVFA |
|
PR |
Curitiba |
Hospital Pequeno Príncipe |
|
PR |
Curitiba |
Hospital Erasto Gaertner |
|
PR |
Campina Grande do Sul |
Hospital Angelina Caron |
|
RJ |
Rio de Janeiro |
Instituto de Puericultura e
Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) |
|
RJ |
Rio de Janeiro |
Hospital Universitário Pedro
Ernesto |
|
RN |
Natal |
Hospital Onofre Lopes |
|
RS |
Porto Alegre |
Hospital das Clínicas |
|
SC |
Florianópolis |
Hospital Joana de Gusmão |
|
SP |
Campinas |
Hospital da UNICAMP |
|
SP |
Ribeirão Preto |
HC Ribeirão Preto |
|
SP |
São José do Rio Preto |
Hospital de Base de São José
do Rio Preto |
|
SP |
São Paulo |
HC São Paulo |
|
SP |
Botucatu |
Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) |
|
SP |
Taubaté |
Grupo de Assistência à
Criança com Câncer |
Agência Gov

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