quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Styvenson pede empenho para Álvaro, mas quer o cumprimento de metas

Styvenson propõe: “Se não cumprir as regras, pronto. Daqui a quatro anos eu sou candidato” | Foto: Alex Régis

O senador Styvenson Valentim (PSDB) declarou apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias ao Governo do Rio Grande do Norte, mas deixou claro que o respaldo político vem acompanhado de cobrança pública e condicionantes. Ele afirmou que o compromisso com o projeto da direita está atrelado ao cumprimento de metas e avisou que poderá disputar o Executivo estadual no futuro caso os compromissos não sejam honrados.

“O Estado está sem condições de investimento, chegou no fundo do poço. Para sair disso, vai precisar cumprir metas, ter coragem e compromisso com resultados. Ele (Álvaro Dias) vai ter que cumprir as metas”, afirmou o senador, ao relatar conversas reservadas com Álvaro Dias e outros aliados. Em tom direto, Styvenson antecipou a pressão que pretende exercer: “Se não cumprir as regras, pronto. Daqui a quatro anos eu sou candidato”.

O senador era um dos nomes cogitados pelo grupo para assumir a disputa, mas ele justificou que a decisão de não concorrer para o Governo levou em conta fatores políticos e institucionais. Segundo ele, a permanência no Senado é estratégica para garantir recursos aos municípios potiguares, que enfrentam dificuldades financeiras recorrentes.

“Os prefeitos me diziam: senador, a gente não pode perder uma vaga de Senado. Ainda mais não pode perder um senador como o senhor, que está ajudando os municípios e, por tabela, o Estado”, relatou. Na avaliação do parlamentar, o Senado tem papel central no socorro financeiro aos municípios. “É lá onde está o dinheiro. São cerca de 50 bilhões por ano para o Congresso investir em emendas parlamentares que ajudam municípios a fazer cirurgias, construir hospitais, escolas e infraestrutura”, disse.

Styvenson também apontou entraves políticos e ideológicos que, segundo ele, dificultam a execução de projetos no Estado, mesmo quando há recursos garantidos. “Não adianta eu mandar emenda para resolver um problema e o governo travar por questão ideológica ou política”, criticou, ao defender mudanças na condução administrativa do RN.

Ao justificar por que não se sente pronto para disputar o Governo neste momento, o senador reconheceu limitações pessoais e políticas. “Sete anos de Senado ainda não me deram tudo o que esses homens aqui têm. Ainda me falta flexibilidade política, ainda me falta jeito político”, afirmou, ao ressaltar que aprendeu que “política não se faz só, se faz em grupo”.

Paulinho defende a união do grupo

O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), declarou apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias (Republicanos) ao Governo do Rio Grande do Norte e afirmou que a decisão foi motivada pela lealdade política e pela convicção de que o grupo reúne experiência para enfrentar a crise administrativa do Estado. Ele ressaltou que, apesar de integrar o União Brasil e manter boas relações internas no partido, não poderia se ausentar do projeto liderado por Álvaro. “Eu lutei durante um ano, todos sabem que faço parte do União Brasil, um partido que sempre me tratou muito bem. Mas eu não podia deixar de estar aqui nesse palanque, nem dar as costas a quem me ajudou a chegar à Prefeitura de Natal”, afirmou.

O prefeito destacou o apoio recebido no início da gestão municipal, especialmente do PL e do senador Styvenson Valentim (PSDB), e reforçou a importância da atuação parlamentar para o fortalecimento das cidades. “A gente precisa se unir para tirar o Rio Grande do Norte da situação em que está”, disse.

Ao comparar o cenário potiguar com outros estados, Paulinho fez críticas à fragilidade financeira do governo estadual. “O Estado está falido, sem poder de investimento, sem poder ajudar os municípios”, afirmou, ao defender uma gestão mais próxima das prefeituras.

Grupo de homens posando para foto

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Paulinho disse que apesar de integrar o União Brasil não poderia se ausentar do projeto | Foto: Alex Régis

Sobre Álvaro Dias, o prefeito natalense destacou a experiência administrativa e a capacidade de enfrentar resistências políticas. “Álvaro sabe que vai pegar uma situação muito difícil, mas tem seis anos como prefeito de Natal, transformou a cidade, teve coragem de implementar o Plano Diretor e hoje a gente vê o desenvolvimento de Natal”, avaliou. Segundo ele, o desafio exigirá uma equipe técnica qualificada e decisões firmes desde o início da gestão.

Freire reforçou que o projeto liderado por Álvaro não é apenas eleitoral, mas administrativo. “Aqui não é um projeto político, é um projeto de quem ama o Rio Grande do Norte e quer tirar o Estado dessa situação”, disse, ao definir o grupo como “um time respeitado, de pessoas que querem o bem do RN e do país”.

Ao comentar a decisão do senador Rogério Marinho (PL) de deixar a disputa pelo Governo do Estado, Paulinho classificou o gesto como demonstração de lealdade política. “Rogério teve hoje um gesto de gratidão e de lealdade. Preferiu ser fiel a quem foi leal com ele. O projeto dele não é só o Rio Grande do Norte, é um projeto de Brasil”, disse.

Oposição já discute eleição indireta para mandato tampão

Enquanto consolida o projeto para as eleições diretas de 2026, a oposição no Rio Grande do Norte também acompanha com cautela o cenário de uma possível eleição indireta para um mandato tampão no Governo do Estado, caso a governadora Fátima Bezerra (PT) se desincompatibilize do cargo e o vice-governador Walter Alves (MDB), como já anunciado, não assuma a função.

“Vivemos uma situação política e administrativa atípica no estado. Precisamos aguardar para saber se a governadora realmente vai se desincompatibilizar. Caso isso ocorra, vamos conversar com os partidos aliados para avaliar a possibilidade de um governo de transição”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL). Ele destacou que a oposição soma atualmente 11 dos 24 deputados estaduais e mantém diálogo com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB).

Além disso, nega que o nome de Álvaro Dias (Republicanos) esteja sendo cogitado para um mandato tampão. “O propósito é lançá-lo a pré-candidato ao governo do estado para 4 de outubro, num período de quatro anos e não de nove meses.”

“Nosso plano é disputar uma eleição democrática, com o voto do povo, apresentando propostas para mudar o Rio Grande do Norte. A eleição indireta não está nos nossos planos”, declarou Álvaro Dias.

Entre os parlamentares da ALRN, que irão votar nos candidatos nesta possível eleição, o deputado estadual Coronel Azevedo (PL) explicou que o debate só será aprofundado após a confirmação formal do afastamento da governadora.

“No momento, aguardamos a concretização desse cenário. Nossa bancada do PL será de oito deputados, cerca de um terço da Assembleia, e vamos dialogar com outros parlamentares para, se necessário, construir maioria e definir um nome para um mandato de transição”, afirmou.

Segundo Azevedo, ainda não há nomes postos para a eventual eleição indireta. “Isso só será discutido quando as duas condições se confirmarem: a renúncia da governadora e a recusa do vice em assumir”, pontuou.

O deputado Adjuto Dias (MDB) irá integrar a bancada do PL e também diz que ainda não há um nome certo no campo da direita. “Mas é uma conversa para os próximos dias, para que a direita possa apresentar um candidato à eleição indireta. Em fevereiro volta a atividade parlamentar e os deputados voltam a se reunir em plenário. Então é um momento para se intensificar essas conversas.”

A deputada federal Carla Dickson (União) avaliou que, caso o processo avance, o perfil do nome indicado deve ser técnico. “Tem que ser uma pessoa neutra, de preferência de direita, mas principalmente alguém que entenda da parte financeira.”, disse a deputada federal.

Tribuna do Norte

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