José Vieira, da Faern, diz que a localização é estratégica. Foto: arquivo tn
A construção da primeira
Escola Técnica Rural do Senar-RN, no município de Assú, deve provocar impactos
diretos na geração de emprego, na qualificação da mão de obra e no
fortalecimento da agropecuária e da aquicultura em todo o Vale do Açu e regiões
vizinhas. Com investimento inicial estimado em cerca de R$ 10 milhões, a
unidade nasce com a proposta de enfrentar um dos principais gargalos do
interior do Rio Grande do Norte: a falta de profissionais qualificados para
atender às demandas do setor produtivo rural. A construção e conclusão devem
ocorrer já neste ano.
O projeto saiu do papel após a formalização da doação do terreno pela
Prefeitura de Assú ao Sistema Faern/Senar-RN, em cerimônia realizada na última
sexta-feira (16), na sede da Federação da Agricultura, em Natal. A área será
destinada à construção de um centro de treinamento com aproximadamente 2 mil
metros quadrados de área construída.
Para o presidente do Sistema Faern/Senar-RN, José Vieira, a escolha de Assú foi
estratégica e pensada a partir das características produtivas e geográficas da
região. “A localização do Vale é uma região que tem água, então isso foi um
critério. Além disso, é uma região central, que compreende várias áreas do
estado. Como temos foco na agricultura, na pesca e no camarão, pensamos na
piscicultura de Assú, na carcinicultura de Pendências, Macau, São Miguel e
Serra Negra do Norte”, explicou.
A decisão também reforça a política de interiorização das ações do Senar, uma
vez que a unidade atenderá diretamente os 13 municípios do Vale do Assú e
também áreas próximas, como Mossoró, Areia Branca e Tibau. A Escola Técnica
Rural funcionará como um polo fixo de formação profissional, ofertando cursos
técnicos em áreas como agropecuária, agricultura, zootecnia e segurança do trabalho,
além das capacitações tradicionais já realizadas pelo Senar. “Todos os cursos
técnicos do Senar terão esse centro como ponto de referência, além da
assistência técnica e de outros treinamentos”, destacou José Vieira.
Um dos diferenciais da unidade será a estrutura voltada para atividades
práticas e laboratoriais. O centro contará com cozinhas industriais destinadas
a cursos de beneficiamento do pescado e do camarão, incluindo classificação,
processamento e critérios de qualidade. “Vamos mostrar, por exemplo, a um dono
de restaurante quais critérios observar na hora de comprar um camarão ou um
pescado, seja fresco ou congelado, inteiro ou em filé”, detalhou o presidente
da Faern.
Além disso, o projeto prevê a instalação de laboratórios de informática,
análise de solo, análise de água — tanto físico-química quanto microbiológica
—, análise de ração e exames de PCR para diagnóstico de doenças na piscicultura
e na carcinicultura. “Os produtores reclamam muito da origem das
matérias-primas usadas na ração. Ter um laboratório de análise vai dar mais
segurança e qualidade à produção”, ressaltou.
Para o prefeito de Assú, Lula Soares, a implantação da escola representa um
avanço estrutural para o desenvolvimento rural do município e da região. Ele
destacou que a Prefeitura não exigiu contrapartida financeira para a cessão do
terreno, mas que a escola ofereça cursos gratuitos e de alta qualidade,
voltados principalmente para os agricultores da região. “Essa é uma medida que
garante benefícios duradouros para quem vive e produz no campo”, disse.
Lula Soares também ressaltou que a atuação da escola será integrada às
políticas públicas municipais e programas de incentivo ao pequeno e médio
produtor, conectando o conhecimento técnico com a realidade local. Na avaliação
do prefeito, os impactos sobre emprego, renda e permanência dos jovens no campo
tendem a ser significativos. “Estamos falando de formação técnica qualificada,
gratuita e alinhada às vocações da nossa região. Isso significa mais emprego,
mais renda e mais perspectiva para os jovens permanecerem no campo com
dignidade, conhecimento e autonomia”, destacou.
José Vieira reforçou esse diagnóstico ao lembrar que o interior do estado
enfrenta um “apagão de mão de obra”. “Com essa escola, damos um grande avanço
na oferta de mão de obra qualificada para produtores e agroindústrias. Estamos
sempre buscando capacitar pessoas para que tenham mais renda e melhores
oportunidades no interior”, afirmou.

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