Índice é o principal parâmetro usado na construção civil para planejamento, orçamento e acompanhamento financeiro de obras| Foto: Adriano Abreu
O Rio Grande do Norte
registrou o terceiro menor Custo Unitário Básico (CUB/m²) da construção civil
entre os estados do Nordeste em novembro de 2025, segundo dados da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O valor no Estado foi fixado em
R$ 1.996,59, o que representa uma variação de 0,13% em relação ao mês anterior.
O CUB/m² do RN só não é menor que o da Paraíba (R$ 1.634,90) e do Maranhão (R$
1.797,60). O comparativo, no entanto, não considera os estados do Piauí e
Sergipe, que não tiveram relatórios publicados para o mês, além de Alagoas, que
não aparece no sistema.
O maior custo da região, por outro lado, foi registrado no Ceará (R$ 2.252,06). Na sequência, aparecem Pernambuco (R$ 2.086,95) e Bahia (R$ 2.070,30). De acordo com o Sindicato da Indústria de Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon/RN), responsável pelo cálculo do CUB no Estado, o índice é o principal parâmetro utilizado na construção civil para o planejamento, orçamento e acompanhamento financeiro de obras e novos empreendimentos.
O consultor técnico do Sinduscon/RN, Gilbrando Trajano, explica que as
diferenças de custo entre estados ocorrem devido a peculiaridades locais, como
a existência de indústrias específicas (ex: cerâmica) e as convenções coletivas
de trabalho (salários de pedreiros, engenheiros, etc.), que influenciam no
preço dos insumos.
No caso do Rio Grande do Norte, o especialista esclarece que o CUB/m² menor
favorece a melhora de perspectivas locais de investimentos. “Essa realidade nos
traz uma certa perspectiva de melhorias a longo prazo. Isso porque onde se
investia com custo X, [em um estado], por exemplo, no Rio Grande do Norte é
possível investir com o custo X menos determinado percentual. Então há uma
potencialidade de investimento inerente ao custo de retorno”, completa.
Em relação a variação de apenas 0,13% em relação a outubro, que teve CUB fixado
em R$ 1.993,99, Gilbrando Trajano atribui o cenário a sazonalidades, como
férias coletivas na indústria ou a influência do dólar em commodities
determinantes para o cálculo do índice.
Uma visão semelhante é repercutida pelo coordenador da Câmara Especializada de
Engenharia Civil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RN
(Crea-RN), Jorian Alves de Morais. Segundo ele, o cenário vem como resultado
das dinâmicas de oferta e procura.
“Isso é influenciado pela lei de oferta e procura. Quando há muita oferta [de
um insumo], a tendência é que os preços sejam equalizados e não haja reajuste.
Quando há muita procura, a tendência é aumentar o preço para controlar essas
variações, pois o mercado não consegue atender a essa alta”, complementa.
Na avaliação do coordenador, a tendência é que as variações continuem se
mantendo abaixo de 1% até abril do próximo ano, quando deve ocorrer um dissídio
coletivo no setor da construção civil para reajuste salarial dos trabalhadores.
Isso porque entre os principais fatores que podem influenciar no CUB estão o
aumento de salários e a sazonalidade na oferta de materiais.
A perspectiva é acompanhada por Gilbrando Trajano, mas ele adverte que o
cenário pode sofrer influências do mercado externo. “A produção do cimento, por
exemplo, muitas vezes está integrada com alguns insumos ligados à indústria
petrolífera e, por sua vez, associados com a realidade do mercado externo, com
o preço do dólar. Então, esperamos um cenário de estabilidade, mas, dado que a
economia é globalizada, podemos sofrer intervenções diretas”, afirma.
Jorian Alves de Morais reforça não ser possível controlar as variações do CUB,
pois essas mudanças refletem os dados das construtoras que repassam mensalmente
os preços que estão sendo aplicados nas obras. “O CUB nada mais é do que uma
coleta de preços de empresas ligadas ao Sinduscon/RN, que é fornecida mês a
mês, dos preços que são aplicados nas obras. Se você comprou um cimento no mês
passado por R$30,00 e nesse mês está R$32,00, essa variação com certeza é
aplicada na tabela CUB”, explica Jorian Alves de Morais.
Dados CUB/m² do Nordeste em
novembro de 2025
Paraíba – R$ 1.634,90
Maranhão – R$ 1.797,60
RN – R$ 1.996,59
Bahia – 2.070,30
Pernambuco – 2.086,95
Ceará – 2.252,06
Piauí – Não foi publicado
Sergipe – Não foi publicado
Alagoas – Não consta no sistema
Tribuna do Norte

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