Após subir a rampa do Palácio do
Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou, na tarde do
último domingo (1º), a milhares de apoiadores na Praça dos Três Poderes, em
Brasília. Segundo a plataforma jornalística Aos Fatos, na fala, ele repetiu
erros e imprecisões ditas na campanha de 2022, como a de que a fome foi extinta
e que mais de 20 milhões de empregos formais foram criados nos governos
petistas. O presidente, entretanto, acertou informações sobre o legado do PT,
como o fato de o Brasil ter se tornado a sexta maior economia do mundo em 2011.
Entre os trechos selecionados e suas respectivas
análises estão os seguintes:
...acabamos com a fome e a miséria, e reduzimos fortemente a
desigualdade.
O Brasil não acabou com a fome nos mandatos de Lula e Dilma. Em nenhum momento
da série histórica da pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) sobre insegurança alimentar, iniciada em 2004, o país deixou de
registrar milhões de pessoas na categoria “grave”, que é a que considera de
fato a fome. O Brasil deixou o Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações
Unidas) em 2014, o que não significa que o país deixou de registrar pessoas com
insegurança alimentar grave. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL), o Brasil voltou ao Mapa da Fome, e o Inquérito Nacional sobre Insegurança
Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 da Rede Penssan indicou que 33,1
milhões de pessoas não têm garantido o que comer. Sobre a miséria, embora tenha
de fato caído durante os governos petistas, o Brasil também nunca deixou de
registrar pessoas em situação de extrema pobreza, ou seja, com menos de US$
1,90 de renda por dia. Segundo o IBGE, o menor índice foi atingido em 2014, ao
final do primeiro mandato de Dilma Rousseff (PT), com 9,033 milhões de pessoas
em extrema pobreza. Entre 2020 e 2021, houve o maior crescimento desse índice
segundo registrado pela série histórica: três em cada dez brasileiros passaram
a viver abaixo da linha da pobreza. (Fonte IBGE e G1).
Geramos mais de 20 milhões de empregos com carteira assinada e todos os
direitos assegurados.
De acordo com os dados da Rais (Anuário Estatístico da Relação Anual das
Informações Sociais), em 2002, um ano antes de Lula ocupar a Presidência, o
país tinha 28,6 milhões de empregos formais. Já em 2015, último ano completo de
Dilma Rousseff (PT) no poder, esse número era de 48 milhões. Nos 14 anos de
governos petistas, portanto, foram criados 19,4 milhões de empregos de carteira
assinada, e não mais de 20 milhões, como disse Lula. Se levarmos em
consideração apenas os anos Lula (2003-2010), o saldo foi de 15,4 milhões,
segundo a mesma base de dados. (Fonte MTE e Aos Fatos).
Tomamos medidas concretas para conter as mudanças climáticas, e reduzimos o
desmatamento da Amazônia em mais de 80%.
O percentual de redução do desmatamento na Amazônia citado por Lula é maior do
que o verificado no monitoramento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais). Em 2010, último ano do segundo mandato do petista, foram desmatados
7.000 km², uma redução de 72,4% sobre o apurado em 2002, último ano de Fernando
Henrique Cardoso (PSDB). Se for considerado o período de Dilma Rousseff no
poder, o recuo é ainda menor: em 2015, último ano completo da petista, o
desmatamento caiu 71,3%. Naquele ano, o indicador voltou a apresentar tendência
de crescimento, o que gerou críticas de ambientalistas como Marina Silva
(Rede), anunciada por Lula como atual ministra do Meio Ambiente. (Fonte: Inpe e
EBC)
Fizemos superávit fiscal todos os anos,
A declaração só é verdadeira se Lula estiver se referindo aos seus oito anos de
mandato. De fato, entre 2003 e 2010, o resultado das contas públicas foi
superavitário (quando as receitas superam as despesas) em todos os anos. No
entanto, o presidente costuma misturar em seus discursos dados econômicos que
incluem o governo Dilma Rousseff (PT). Neste caso, a alegação de Lula estaria
incorreta, já que o déficit fiscal se iniciou em 2014, durante o governo da
petista, e perdura até hoje. (Fonte: Tesouro Transparente)
eliminamos a dívida externa, ...
A dívida externa brasileira, resultado dos empréstimos e financiamentos do país
com agentes estrangeiros, nunca foi quitada. Lula considera que o país teria
eliminado esse débito internacional em 2008, quando passou a ter mais dinheiro
em reservas (US$ 203 bilhões) do que o montante da dívida (US$ 196 bilhões),
mas isso não significa que a dívida externa foi “eliminada”, como afirma o
presidente. Em outubro de 2022, de acordo com dados do Banco Central, o Brasil
possuía uma dívida pública federal externa estimada de US$ 319,6 bilhões,
enquanto as reservas internacionais totalizavam US$ 331 bilhões. (Fonte: UOL e
Tesouro Transparente).
...reduzimos a dívida interna a quase metade do que
era anteriormente.
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