Extremoz, Mossoró, Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante foram as cidades com o maior número de contratações| Foto: Adriano Abreu
A Caixa Econômica Federal
alcançou, em 2025, o maior volume de contratações de crédito imobiliário já
registrado no Rio Grande do Norte, com R$ 3,56 bilhões financiados — alta de
20,45% em relação a 2024. O desempenho acompanha o cenário nacional: segundo
dados da Abecip, o crédito imobiliário no Brasil somou R$ 324 bilhões no ano
passado, com crescimento de 3%, superando as projeções iniciais que indicavam
retração diante do patamar elevado da Selic.
Para o superintendente de rede da Caixa no RN, Tiago Pereira, os números refletem mais do que desempenho financeiro. “Esses mais de R$ 3 bilhões representam geração de emprego e renda e, principalmente, a concretização do sonho da casa própria para milhares de famílias. Cada contrato assinado se traduz em desenvolvimento local e transformação real na vida dos potiguares”, afirmou.
O resultado expressivo é reflexo direto de um ciclo de mudanças iniciado em
2024 e reformulado ao longo de 2025. No ano passado, diante de limitações
orçamentárias e maior pressão sobre os recursos da poupança, a Caixa adotou
medidas mais restritivas no crédito imobiliário, como o aumento da entrada
mínima, a redução do percentual financiado e restrições à contratação de mais
de um financiamento por cliente. As mudanças tiveram impacto imediato no
mercado, desacelerando parte das contratações naquele momento.
A partir do fim de 2024, no entanto, o cenário começou a mudar com o anúncio,
pelo governo federal, de um novo modelo de crédito imobiliário. A reformulação
foi implementada gradualmente ao longo de 2025, com ampliação de recursos,
flexibilização das regras e retomada de modalidades que haviam sido limitadas.
Entre as principais medidas, estiveram o aumento do percentual financiado, a
redução das exigências de entrada e a liberação novamente de múltiplos
financiamentos, o que foi bem recebido pelo setor da construção civil.
Esse novo ambiente ajudou a impulsionar os resultados no Rio Grande do Norte.
Em 2025, a Caixa financiou 17.918 imóveis no estado, alta de 30,46% em relação
ao ano anterior, beneficiando diretamente cerca de 53 mil pessoas. O impacto
também se refletiu na economia local, com a geração de mais de 17,9 mil
empregos diretos e indiretos ligados à construção civil.
O saldo da carteira de crédito imobiliário da instituição no estado chegou a R$
13,5 bilhões em dezembro de 2025, um avanço de 14,1% na comparação anual.
Dentro desse montante, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) seguiu como
principal motor de expansão. A Caixa viabilizou mais de R$ 2,7 bilhões em
investimentos por meio do programa.
O vice-presidente do Sindicato do setor Imobiliário do RN (Secovi-RN), Angelo
Henrique Farias de Medeiros, diz que é possível perceber que o aumento do
crédito se refletiu em vendas. “Sim, reflete vendas e redução de estoque, mas
ainda não tanto. Os segmentos popular e médio, principalmente o popular e mais
específico o MCMV, puxaram esse crescimento. Diante desse aquecimento no
mercado, os imóveis estão sofrendo pressão e aumento nos preços”, relata.
Em 2024, a atuação da Caixa no estado já havia sido significativa. No segmento
habitacional, o Minha Casa, Minha Vida contabilizou mais de 24 mil unidades
contratadas, desde que havia sido retomado em 2023, criando uma base
consistente para o crescimento observado no ano seguinte, mesmo diante das
restrições pontuais impostas ao crédito ao longo daquele período.
No estado, 129 municípios tiveram contratações de unidades habitacionais, com
Extremoz na liderança, seguida por Mossoró, Natal, Parnamirim e São Gonçalo do
Amarante.
Apesar disso, para o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil (Sinduscon RN), Francisco Ramos, o ano 2024 não é considerado uma
referência ideal. “A base de comparação com o ano de 2024 não seria uma boa
referência, porque houve restrições aos financiamentos nesse ano, com a falta
de recursos de poupança, a redução do percentual financiável tanto de imóveis
novos quanto de usados”, explica.
Abecip: financiamento deve
crescer 16% em 2026
O crédito imobiliário no
Brasil deve ganhar fôlego em 2026. A projeção da Associação Brasileira das
Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) aponta para um crescimento
de 16% no volume de financiamentos, após uma alta de 3% registrada em 2025. A
expectativa de redução da taxa Selic ao longo do segundo semestre é o principal
fator por trás desse cenário mais otimista.
De acordo com a entidade, os financiamentos com recursos da poupança, no âmbito
do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), devem avançar 15%,
atingindo a marca de R$ 180 bilhões. Já as operações com recursos do FGTS,
voltadas principalmente à habitação de interesse social, têm previsão de
crescimento de 5%, chegando a R$ 145 bilhões. Outro destaque são os recursos
livres, que movimentaram R$ 31 bilhões no ano passado e podem registrar
expansão de 66% em 2026.
Em 2025, o volume total de crédito imobiliário somou R$ 324 bilhões, resultado
que representou um crescimento de 3% e superou as projeções iniciais, que
indicavam possível retração diante do patamar elevado da Taxa Selic.
No detalhamento do ano passado, os financiamentos com recursos da poupança
apresentaram queda de 13%, desempenho melhor do que a retração de 17% prevista
anteriormente. Em contrapartida, as operações com recursos do FGTS avançaram
9%. Já os financiamentos com recursos livres tiveram forte expansão de 246%,
alcançando R$ 31 bilhões.
Tribuna do Norte

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