Foto: Gustavo Moreno/STF
O Banco Master e a JBS
repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que, posteriormente,
realizou pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF) Kássio Nunes Marques. As informações são de Vinícius
Valfré, Aguirre Talento e Levy Teles, do jornal Estadão.
Segundo a reportagem, os repasses ocorreram entre agosto de 2024 e julho de 2025 e constam em documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Do total, R$ 6,6 milhões foram transferidos pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e R$ 11,3 milhões pela JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Ainda de acordo com o Coaf, os
valores representam a totalidade recebida pela empresa no período analisado,
apesar de ela ter declarado faturamento de apenas R$ 25,5 mil. A discrepância
levou o órgão a classificar as movimentações como “incompatíveis com a
capacidade financeira” da consultoria, indicando possível uso da empresa para
circulação de recursos.
Entre os pagamentos realizados
pela consultoria, o Coaf identificou, por amostragem, 11 transferências que
somam R$ 281.630,00 ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques.
Os valores foram pagos por meio do escritório do próprio advogado, do qual ele
é o único responsável, conforme registros da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB).
Ao Estadão, Kevin Marques
afirmou que os pagamentos são lícitos e oriundo do exercício regular da
advocacia “voltada ao fisco administrativo”. Ele também declarou que nunca
atuou em casos no Supremo Tribunal Federal e criticou o que chamou de
“tentativa de criminalização da atividade profissional”.
A JBS informou que contrata
consultorias para lidar com a complexidade do sistema tributário brasileiro,
incluindo a empresa citada. O Banco Master foi procurado, mas não comentou. Já
a consultoria afirmou que prestou serviços de auditoria, consultoria tributária
e desenvolvimento de sistemas para as empresas.
A empresa foi aberta em 2022
por Francisco Craveiro de Carvalho Junior, empresário e contador de Teresina
(PI), cidade natal do ministro Nunes Marques. Em novembro de 2025, após os
repasses, ele deixou a sociedade, transferindo a participação a um irmão, e
negociou o recebimento de R$ 13 milhões em lucros até 2028. Em março de 2026,
voltou a integrar a empresa.
A Consult informou ainda que a
saída temporária do sócio “fez parte de um processo de reorganização societária
do grupo”. Questionada sobre a contratação do filho do ministro, disse apenas
que se tratou de “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para
a Consult, entre 2024 e 2025″.
A reportagem do Estadão também
aponta que mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro indicam contatos
com o ministro Kássio Nunes Marques. Procurado, o ministro afirmou que “não
possui relação de proximidade com o senhor Daniel Vorcaro e não se recorda de
troca de mensagens”. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, os diálogos
tinham teor superficial e não indicam irregularidades.
Tribuna do Norte

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