quinta-feira, 23 de abril de 2026

RN conquista nove medalhas no Mundial do Queijo do Brasil

A Queijeira Dona Branca teve três produtos premiados com medalhas de ouro, prata e bronze| Foto: Divulgação

O Rio Grande do Norte voltou a ganhar destaque no setor lácteo com o reconhecimento de produtos desenvolvidos por queijeiras potiguares na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil. No total, o estado acumulou nove medalhas, sendo uma delas a do Super Ouro. Para produtores do Estado, a conquista é fruto de um trabalho diário de aperfeiçoamento da produção local e da visibilidade alcançada por meio do Selo Feito Potiguar, do Sebrae/RN.

O evento aconteceu de 16 a 19 de abril, em São Paulo. A participação do RN reuniu 13 queijeiras, responsáveis pelo envio de 63 itens lácteos avaliados em meio a aproximadamente 2,6 mil amostras de diferentes países.

Uma das queijeiras premiadas foi a Galego da Serra, localizada em Tenente Laurentino Cruz, que recebeu a medalha Super Ouro, com a “Manteiga do Sertão”. O produtor potiguar Lucenildo Firmino, 48, comenta que o reconhecimento demonstra o crescimento do seridó potiguar no setor lácteo.

Desde 2016, quando a Galego da Serra foi fundada, os produtos do estabelecimento já conquistaram 25 medalhas, sendo seis a nível mundial, sete nacionais e 12 no Nordeste. A história de Laurentino no setor, contudo, começou muito antes: “Eu sou filho de agricultores. Nasci e me criei trabalhando na agricultura. Eu comecei a trabalhar em fazenda tirando leite e, após esse contato, fui trabalhar em uma queijeira. Quando conheci a arte do queijo me apaixonei”, compartilha.

Para o produtor, o apoio do Sebrae/RN na regularização das queijeiras e na promoção do Selo Feito Potiguar exerceu um papel central no crescimento dos produtos lácteos no Seridó. “O produtor que recebe o Selo Feito Potiguar não é o dono do selo, mas sim seu guardião, pois tem que manter a qualidade e o capricho [dos produtos]. O selo está fazendo um movimento muito forte e nós temos um mercado e clientes que estão procurando por um produto de excelência”, reforça.

Quem também atua com o fortalecimento da produção artesanal é o potiguar Marcelo Paiva, 61, dono da Capril Buxada, queijeira que recebeu a medalha de prata com a “Manteiga Ghee Delícia da Cabrita”. O produto já tinha sido reconhecido por outras cinco premiações, sendo duas delas no Mundial do Queijo. Ao todo, o estabelecimento acumula mais de 20 medalhas. “Para um pequeno produtor, isso é muita coisa”, compartilha.

Natural de Monte Alegre, o produtor conta que atua na produção de queijo desde 2010. O registro da queijeira foi alcançado poucos anos depois, por volta de 2013.

“Eu aprendi a fazer o queijo do reino, o iogurte, uma massa de queijo gouda e outros queijos. Fiquei fazendo e à noite sonhava em fazer um queijo diferenciado. Minhas cobaias eram os meus filhos. Eu fazia e botava eles para experimentar. Hoje já tenho 30 produtos derivados do leite de cabra”, compartilha.

Segundo o produtor, além das premiações, a valorização da produção local, com apoio do Sebrae, é fundamental: “O Sebrae/RN vem mostrando a gente para o mundo. Quando eu ganhei esse prêmio em 2022, me ligaram aqui da minha terra e perguntaram: ‘rapaz, você faz queijo de manteiga?’ E eu respondi: faz dez anos. O brasileiro tem isso, valoriza quando você vai lá fora para poder dar valor”.

A dona da queijeira Dona Branca, Isis Pereira, aponta que a conquista no Mundial do Queijo é mais um resultado do esforço diário do estabelecimento para levar os melhores produtos às mesas dos potiguares. A propriedade teve três produtos premiados no evento: doce de leite zero açúcar (ouro), doce de leite com raspa de limão (prata) e ricota fresca (bronze).

“Iniciamos com queijo de coalho e manteiga, e fomos expandido para a ricota e queijos maturados, até que veio a oportunidade de fazermos iogurte, que foi o primeiro artesanal do Estado”, relata.

“O Feito Potiguar foi um marco para a Dona Branca, pois depois que fomos convidados a participar desse movimento que valoriza os produtos potiguares, surgiram várias parcerias e, a partir delas, foram desenvolvidos novos produtos”, destaca Isis Pereira.

A analista técnica do Sebrae Caicó, Kessianny Sousa, reitera o papel da entidade no fortalecimento das queijeiras do RN. “Várias pessoas do Brasil todo já chegaram a conhecer esses produtos, porque o Feito Potiguar tem esse movimento de levar [a produção do] Rio Grande do Norte para que outras pessoas conheçam. Então isso foi muito importante para as queijeiras, pois ofereceu maior visibilidade de mercado”, destaca.

Tribuna do Norte

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