A Queijeira Dona Branca teve três produtos premiados com medalhas de ouro, prata e bronze| Foto: Divulgação
O Rio Grande do Norte voltou a
ganhar destaque no setor lácteo com o reconhecimento de produtos desenvolvidos
por queijeiras potiguares na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil. No
total, o estado acumulou nove medalhas, sendo uma delas a do Super Ouro. Para
produtores do Estado, a conquista é fruto de um trabalho diário de
aperfeiçoamento da produção local e da visibilidade alcançada por meio do Selo
Feito Potiguar, do Sebrae/RN.
O evento aconteceu de 16 a 19 de abril, em São Paulo. A participação do RN reuniu 13 queijeiras, responsáveis pelo envio de 63 itens lácteos avaliados em meio a aproximadamente 2,6 mil amostras de diferentes países.
Uma das queijeiras premiadas foi a Galego da Serra, localizada em Tenente
Laurentino Cruz, que recebeu a medalha Super Ouro, com a “Manteiga do Sertão”.
O produtor potiguar Lucenildo Firmino, 48, comenta que o reconhecimento
demonstra o crescimento do seridó potiguar no setor lácteo.
Desde 2016, quando a Galego da Serra foi fundada, os produtos do
estabelecimento já conquistaram 25 medalhas, sendo seis a nível mundial, sete
nacionais e 12 no Nordeste. A história de Laurentino no setor, contudo, começou
muito antes: “Eu sou filho de agricultores. Nasci e me criei trabalhando na
agricultura. Eu comecei a trabalhar em fazenda tirando leite e, após esse
contato, fui trabalhar em uma queijeira. Quando conheci a arte do queijo me
apaixonei”, compartilha.
Para o produtor, o apoio do Sebrae/RN na regularização das queijeiras e na
promoção do Selo Feito Potiguar exerceu um papel central no crescimento dos
produtos lácteos no Seridó. “O produtor que recebe o Selo Feito Potiguar não é
o dono do selo, mas sim seu guardião, pois tem que manter a qualidade e o
capricho [dos produtos]. O selo está fazendo um movimento muito forte e nós
temos um mercado e clientes que estão procurando por um produto de excelência”,
reforça.
Quem também atua com o fortalecimento da produção artesanal é o potiguar
Marcelo Paiva, 61, dono da Capril Buxada, queijeira que recebeu a medalha de
prata com a “Manteiga Ghee Delícia da Cabrita”. O produto já tinha sido
reconhecido por outras cinco premiações, sendo duas delas no Mundial do Queijo.
Ao todo, o estabelecimento acumula mais de 20 medalhas. “Para um pequeno
produtor, isso é muita coisa”, compartilha.
Natural de Monte Alegre, o produtor conta que atua na produção de queijo desde
2010. O registro da queijeira foi alcançado poucos anos depois, por volta de
2013.
“Eu aprendi a fazer o queijo do reino, o iogurte, uma massa de queijo gouda e
outros queijos. Fiquei fazendo e à noite sonhava em fazer um queijo
diferenciado. Minhas cobaias eram os meus filhos. Eu fazia e botava eles para
experimentar. Hoje já tenho 30 produtos derivados do leite de cabra”,
compartilha.
Segundo o produtor, além das premiações, a valorização da produção local, com
apoio do Sebrae, é fundamental: “O Sebrae/RN vem mostrando a gente para o
mundo. Quando eu ganhei esse prêmio em 2022, me ligaram aqui da minha terra e
perguntaram: ‘rapaz, você faz queijo de manteiga?’ E eu respondi: faz dez anos.
O brasileiro tem isso, valoriza quando você vai lá fora para poder dar valor”.
A dona da queijeira Dona Branca, Isis Pereira, aponta que a conquista no
Mundial do Queijo é mais um resultado do esforço diário do estabelecimento para
levar os melhores produtos às mesas dos potiguares. A propriedade teve três
produtos premiados no evento: doce de leite zero açúcar (ouro), doce de leite
com raspa de limão (prata) e ricota fresca (bronze).
“Iniciamos com queijo de coalho e manteiga, e fomos expandido para a ricota e
queijos maturados, até que veio a oportunidade de fazermos iogurte, que foi o
primeiro artesanal do Estado”, relata.
“O Feito Potiguar foi um marco para a Dona Branca, pois depois que fomos
convidados a participar desse movimento que valoriza os produtos potiguares,
surgiram várias parcerias e, a partir delas, foram desenvolvidos novos
produtos”, destaca Isis Pereira.
A analista técnica do Sebrae Caicó, Kessianny Sousa, reitera o papel da
entidade no fortalecimento das queijeiras do RN. “Várias pessoas do Brasil todo
já chegaram a conhecer esses produtos, porque o Feito Potiguar tem esse
movimento de levar [a produção do] Rio Grande do Norte para que outras pessoas
conheçam. Então isso foi muito importante para as queijeiras, pois ofereceu
maior visibilidade de mercado”, destaca.
Tribuna do Norte

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