Entre os mais comuns atendidos na entidade, ele cita agressão e abandono dos animais pelos tutores | Foto: Arquivo TN
O Rio Grande do Norte
registrou 131 casos de maus-tratos contra animais nos primeiros três meses
deste ano. O número representa uma queda de 14,4% em relação ao mesmo período
do ano passado, quando o total chegou a 153. Entre os municípios com mais ocorrências,
Natal segue liderando, com 39 registros. Os dados são da Secretaria de
Segurança Pública do Estado (Sesed/RN) e foram cedidos à reportagem da TRIBUNA
DO NORTE.
Em Natal, no período de janeiro a março deste ano, a redução no número de casos de maus-tratos contra animais foi de 15%. Além da capital potiguar, lideram entre as cidades com mais registros Parnamirim (9), Mossoró (9), Extremoz (7) e São Gonçalo do Amarante (SGA/RN).
O supervisor operacional da
Associação de Proteção aos Animais (Aspan) do Rio Grande do Norte, Vitor
Emanuel, que está concluindo a graduação em Medicina Veterinária, aponta que os
casos de maus-tratos apresentam perfis diversos. Entre os mais comuns atendidos
na entidade, ele cita agressão e abandono dos animais pelos tutores.
“Um caso recente que chegou
aqui foi de animal vítima de paulada e de água quente. Ele ficou cheio de
cicatrizes e queimaduras. Tem um cachorro [que acolhemos], também, que foi
preso em um carro na BR-101 sem água nem comida. Há também muitos abandonos, pois
soltam o cachorro aqui na frente [da ASPAN] preso na corrente”, esclarece o
supervisor.
Atualmente, Vitor Emanuel
esclarece que a ASPAN/RN acolhe cerca de 500 animais e conta com 17
funcionários. Embora muitos relatos de maus-tratos cheguem até a entidade, ele
aponta que a população é orientada a realizar a denúncia oficial na Delegacia
Especializada de Defesa ao Meio Ambiente e Assistência ao Turista de Natal
(DEMATUR). Isso porque a entidade busca atuar com foco no processo de resgate.
O supervisor operacional da
Aspan/RN reconhece que as políticas públicas voltadas ao acolhimento dos
animais têm se intensificado, mas ainda estão longe do ideal. Na avaliação
dele, os casos de maus-tratos também precisam ser avaliados do ponto de vista da
saúde pública, uma vez que muitos dos animais resgatados apresentam zoonoses,
ou seja, doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos.
“Essa é uma temática que
sempre tem que estar em alta, pois essa negligência pode causar um grande
impacto. Uma das principais doenças é a leishmaniose [transmitida por meio da
picada de insetos conhecidos popularmente como mosquito palha]. A cada dez animais
que a gente resgata aqui na ONG, oito são positivos para essa doença. Essa
doença pode passar para a gente se não for tratada”, destaca Vitor Emanuel.
Outro desafio apontado pelo
supervisor da ASPAN/RN é a adoção de cães adultos. Ele aponta que a resistência
se deve a vários fatores, desde preferência por filhotes até às condições
financeiras que muitas pessoas não têm para conseguir acolher um animal. “A
cada ano que passo na ASPAN/RN, tenho visto que está cada vez mais difícil.
Hoje até conseguimos [efetivar a adoção de] filhotes, mas é bem difícil sair”,
aponta.
A reportagem da TRIBUNA DO
NORTE questionou a Polícia Civil do Rio Grande do Norte sobre os casos de
maus-tratos contra animais no Estado, as iniciativas previstas para combater o
crime neste ano e as principais orientações para denúncia. O órgão respondeu
apenas o último questionamento.
Segundo a PCRN, em casos de
conhecimento sobre maus-tratos, a população deve registrar o caso com fotos e
vídeos com cautela, a fim de não sofrer retaliações, e realizar a denúncia
junto à Polícia Civil e órgãos ambientais.
Tribuna do Norte
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