Valter Campanato/Agência Brasi
O dólar voltou a cair e se
aproximou do patamar de R$ 5, no menor nível em mais de dois anos. A bolsa
brasileira renovou recordes nesta sexta-feira (9), em um dia de maior apetite
por risco no mercado global. O movimento ocorreu em meio à estabilidade do
petróleo no exterior e à repercussão de dados de inflação no Brasil.
A moeda americana encerrou o
dia em forte queda, ao mesmo tempo em que o Ibovespa registrou o nono pregão
consecutivo de alta. A bolsa aproximou-se dos 200 mil pontos pela primeira vez,
impulsionada pela entrada de capital estrangeiro e pelo otimismo com o cenário
internacional.
O ambiente externo mais
favorável, com expectativas de redução de tensões no Oriente Médio, também
contribuiu para a valorização de ativos de países emergentes, como o Brasil.
No cenário doméstico,
investidores reagiram ainda à divulgação da inflação oficial de março pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador ficou em 0,88%, acima do esperado, e
reforçou expectativas sobre a política de juros.
Dólar em queda
O dólar comercial fechou em
baixa de R$ 0,052 (-1,02%), cotado a R$ 5,011, o menor nível desde 9 de abril
de 2024. Ao longo do dia, a moeda chegou a ser negociada próxima de R$
5,00.
Na semana, a divisa acumulou
queda de 2,9%, enquanto no ano a desvalorização acumula 8,72%.
Analistas apontam três fatores
principais para a queda: o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos,
o bom desempenho das exportações de commodities (bens primários com
cotação internacional) e o alívio geopolítico, que reduz a busca global por
ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Além disso, o IPCA de março
acima das projeções reforçou a expectativa de manutenção de juros elevados no
Brasil, o que aumenta a atratividade do real para investidores estrangeiros.
Bolsa em alta
O Ibovespa avançou 1,12% e
fechou aos 197.324 pontos, novo recorde histórico. Na máxima do dia, o
índice chegou a superar os 197,5 mil pontos, se aproximando da marca simbólica
dos 200 mil.
Foi o nono pregão seguido de
ganhos e o 16º fechamento recorde, consolidando a melhor sequência da bolsa
brasileira desde a semana entre 19 e 23 de janeiro. Na semana, o índice
acumulou alta de 4,93%.
O principal motor do movimento
tem sido o fluxo de capital estrangeiro em 2026. Dados do Banco Central mostram
entrada líquida de US$ 29,3 bilhões em investimentos em carteira no acumulado
de 12 meses até fevereiro, conforme os dados mais recentes.
Esse mesmo fluxo tem
contribuído para a valorização do real em relação ao dólar, criando um ciclo
favorável para os ativos brasileiros.
Petróleo estável
No mercado internacional, o
petróleo apresentou leve queda, com investidores monitorando negociações
diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio.
O barril do tipo Brent,
referência para as negociações internacionais, recuou 0,75%, para US$ 95,20. O
barril WTI, do Texas, caiu 1,33%, a US$ 96,57.
Apesar das oscilações, os
preços seguem relativamente estáveis, com o mercado atento às conversas entre
Estados Unidos e Irã e aos possíveis desdobramentos do conflito na região.
*Com informações da Reuters
Agência Brasil

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