sábado, 23 de maio de 2026

Câncer de intestino: quem deve fazer o teste imunoquímico fecal? Como funciona o exame?

FOTO: ALEX RÉGIS/TRIBUNA DO NORTE

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira, 21, a implementação de um novo protocolo de rastreamento e detecção do câncer colorretal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso do teste imunoquímico fecal (FIT).

O exame é menos invasivo, não exige restrições alimentares antes da realização e possui taxa de assertividade entre 85% e 92%, segundo a pasta.

Abaixo, entenda como funciona.

O FIT identifica hemoglobina nas fezes, acusando a presença de sangue na amostra. Muitas vezes, esse sangramento é invisível a olho nu. "Diferentemente dos testes antigos de sangue oculto nas fezes, ele tem maior sensibilidade para detectar a presença de sangue", diz Abraão Dornellas, médico oncologista do Einstein Hospital Israelita e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

Nos exames anteriores, a detecção era mais limitada. "Existia um teste anterior que detectava apenas a substância vermelha do sangue. Por isso, era necessário evitar alimentos com pigmentação vermelha, como algumas frutas, legumes e corantes, o que gerava muitos resultados falso-positivos", relata o médico Olival de Oliveira Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).

Segundo Oliveira Jr., o exame também ajuda a reduzir o número de colonoscopias desnecessárias, já que o procedimento passa a ser indicado apenas nos casos positivos para presença de sangue.

Vale destacar que o sangue nas fezes não significa necessariamente um diagnóstico positivo de câncer colorretal, e sim a necessidade de investigação complementar. "É importante ressaltar que o teste FIT não detecta todos os pólipos e, quando positivo, exige a realização de colonoscopia", explica Dornellas

O Ministério da Saúde recomenda o FIT para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos. Pessoas com sintomas devem procurar avaliação médica especializada.

Câncer colorretal

O câncer no intestino, também chamado de câncer colorretal - de cólon e reto -, ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais incidentes no País. Entre 2026 e 2028, estão previstos 53.810 novos casos por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Segundo os especialistas, um protocolo estruturado de rastreamento pode contribuir para o diagnóstico mais precoce e a redução de casos graves. "O teste FIT pode auxiliar como estratégia nesse sentido por ser mais simples, barato, não invasivo e permitir coleta em casa, com um kit específico", afirma Dornellas.

Além de sangue nas fezes, alterações no funcionamento intestinal, emagrecimento sem causa aparente e presença de massa abdominal podem estar relacionados a esse tipo de câncer. "São pequenas alterações que, às vezes, passam despercebidas, como muco nas fezes ou mudanças no hábito intestinal, com episódios de diarreia ou fezes mais endurecidas sem alteração na rotina", explica Oliveira Jr.

O histórico familiar é considerado fator de risco importante para o desenvolvimento do quadro, e pode até alterar o protocolo de acompanhamento. "Familiares de pessoas que tiveram câncer colorretal precisam iniciar exames preventivos mais precocemente e com orientação de um especialista", afirma o presidente da SBCP.

Entre os fatores de risco modificáveis associados à doença estão sedentarismo, obesidade, tabagismo e alimentação desequilibrada, com alto consumo de alimentos ultraprocessados e excesso de carnes processadas e bebida alcoólica.

Tratamento e prevenção

O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em casos específicos, imunoterapia. A definição depende do tipo de tumor e do estágio da doença.

Além do rastreamento preventivo, especialistas também recomendam hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, redução do consumo de ultraprocessados e abandono do cigarro como formas de evitar o câncer colorretal.

Estadão Conteúdo

Nenhum comentário:

Postar um comentário