FOTO: ALEX RÉGIS/TRIBUNA DO NORTE
O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira, 21, a implementação de um novo protocolo de rastreamento e detecção do câncer colorretal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso do teste imunoquímico fecal (FIT).
O exame é menos invasivo, não
exige restrições alimentares antes da realização e possui taxa de assertividade
entre 85% e 92%, segundo a pasta.
Abaixo, entenda como funciona.
O FIT identifica hemoglobina
nas fezes, acusando a presença de sangue na amostra. Muitas vezes, esse
sangramento é invisível a olho nu. "Diferentemente dos testes antigos de
sangue oculto nas fezes, ele tem maior sensibilidade para detectar a presença
de sangue", diz Abraão Dornellas, médico oncologista do Einstein Hospital
Israelita e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.
Nos exames anteriores, a
detecção era mais limitada. "Existia um teste anterior que detectava
apenas a substância vermelha do sangue. Por isso, era necessário evitar
alimentos com pigmentação vermelha, como algumas frutas, legumes e corantes, o
que gerava muitos resultados falso-positivos", relata o médico Olival de
Oliveira Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP).
Segundo Oliveira Jr., o exame
também ajuda a reduzir o número de colonoscopias desnecessárias, já que o
procedimento passa a ser indicado apenas nos casos positivos para presença de
sangue.
Vale destacar que o sangue nas
fezes não significa necessariamente um diagnóstico positivo de câncer
colorretal, e sim a necessidade de investigação complementar. "É
importante ressaltar que o teste FIT não detecta todos os pólipos e, quando
positivo, exige a realização de colonoscopia", explica Dornellas
O Ministério da Saúde
recomenda o FIT para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos.
Pessoas com sintomas devem procurar avaliação médica especializada.
Câncer colorretal
O câncer no intestino, também
chamado de câncer colorretal - de cólon e reto -, ocupa a terceira posição
entre os tipos de câncer mais incidentes no País. Entre 2026 e 2028, estão
previstos 53.810 novos casos por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de
Câncer (Inca).
Segundo os especialistas, um
protocolo estruturado de rastreamento pode contribuir para o diagnóstico mais
precoce e a redução de casos graves. "O teste FIT pode auxiliar como
estratégia nesse sentido por ser mais simples, barato, não invasivo e permitir
coleta em casa, com um kit específico", afirma Dornellas.
Além de sangue nas fezes,
alterações no funcionamento intestinal, emagrecimento sem causa aparente e
presença de massa abdominal podem estar relacionados a esse tipo de câncer.
"São pequenas alterações que, às vezes, passam despercebidas, como muco nas
fezes ou mudanças no hábito intestinal, com episódios de diarreia ou fezes mais
endurecidas sem alteração na rotina", explica Oliveira Jr.
O histórico familiar é
considerado fator de risco importante para o desenvolvimento do quadro, e pode
até alterar o protocolo de acompanhamento. "Familiares de pessoas que
tiveram câncer colorretal precisam iniciar exames preventivos mais precocemente
e com orientação de um especialista", afirma o presidente da SBCP.
Entre os fatores de risco
modificáveis associados à doença estão sedentarismo, obesidade, tabagismo e
alimentação desequilibrada, com alto consumo de alimentos ultraprocessados e
excesso de carnes processadas e bebida alcoólica.
Tratamento e prevenção
O tratamento pode incluir
cirurgia, quimioterapia, radioterapia e, em casos específicos, imunoterapia. A
definição depende do tipo de tumor e do estágio da doença.
Além do rastreamento
preventivo, especialistas também recomendam hábitos saudáveis, como prática
regular de atividade física, alimentação equilibrada, redução do consumo de
ultraprocessados e abandono do cigarro como formas de evitar o câncer
colorretal.
Estadão Conteúdo

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