Paulo Pinto/Agência Brasi
O presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta sexta-feira (10) que deverá incluir no
pacote de medidas do governo federal contra o endividamento os estudantes que
estão em atraso com os pagamentos do Fundo de Financiamento ao Estudante do
Ensino Superior (FIES). Lula, no entanto, não detalhou como ocorreria o
processo de renegociação dessas dívidas.
“Está aumentando o
endividamento dos meninos do FIES. E nós vamos ter que colocar eles também na
nossa negociação de endividamento. A gente não pode tirar o sonho de um jovem
que está devendo o seu curso universitário”, disse Lula, ao inaugurar, em Sorocaba
(SP), uma nova unidade do Instituto Federal de São Paulo (IFSP).
“Ele [o estudante] vai pagar a
dívida dele sendo um profissional competente, porque se ele for um profissional
competente, ele vai melhorar a qualidade produtiva do nosso país",
ressaltou o presidente.
Dados do Ministério da
Educação (MEC), de outubro de 2025, mostram que 160 mil estudantes estão com parcelas em atraso no FIES, o
que representa R$ 1,8 bilhão em saldo devedor.
Investimento
O presidente voltou a frisar
que os recursos destinados à educação devem ser vistos como investimento e não
como gasto. Lula reforçou que mantém a convicção de que o desenvolvimento do
país está diretamente ligado à ampliação da educação no país.
“Ninguém tirará de mim a
convicção de que não existe outra saída para que o Brasil se defina como um
país altamente desenvolvido do ponto de vista democrático, do ponto de vista
civilizatório, do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista econômico, a
não ser fazer investimento na educação”.
O presidente comparou os
recursos necessários para a manutenção de um estudante e de uma pessoa
encarcerada.
“Um prisioneiro, no presídio
federal de segurança máxima, custa R$ 40 mil reais por ano. Nas outras cadeias,
R$ 35 mil reais por ano. Um estudante, no Instituto Federal, custa 16 mil reais
por ano, ou seja, metade do que custa um bandido”, disse.
“A gente investe em bandido
quando a gente não investe na educação”, acrescentou.
Emendas parlamentares
Em seu discurso, o presidente
sugeriu que cada deputado federal e cada senador se comprometa a utilizar
as emendas parlamentares para a criação de uma escola no país. Segundo Lula, se
os parlamentares adotassem a ideia, o problema da educação estaria resolvido no
Brasil.
“Vamos supor que cada deputado
tenha R$ 40 milhões por ano de emenda. Cada deputado e cada senador. Imagina se
todos eles assumirem a responsabilidade de financiar a construção de uma
escola. São 513 deputados, são 513 escolas. São 81 senadores, são 81 escolas.
Resolvemos o problema da educação”, acrescentou.
Trump
No fim do discurso, em tom de
brincadeira, Lula disse que se o presidente estadunidense soubesse o que é um
pernambucano não faria ameaças contra o Brasil. Lula ressalvou, no entanto, que
o país é pacífico e valoriza a paz e o amor.
“Se ele soubesse o que é um
nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil”, disse.
“De qualquer forma, nós não
queremos guerra. Nós queremos paz. Nós queremos ter acesso à cultura, passear,
estudar, namorar, brincar. Quem quiser guerra, vá para o outro lado do planeta,
porque aqui nós somos a terra de paz e do amor”, acrescentou.
IFSP
A nova unidade do instituto
federal inaugurada nesta sexta-feira em Sorocaba foi viabilizada pelo Novo
Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Iniciadas em 2024, as
instalações têm 4,6 mil metros quadrados de área construída, e oferecerão
estrutura completa para o ensino técnico e tecnológico, incluindo blocos de
salas de aula, laboratórios do tipo oficina e bloco administrativo.
Agência Brasil

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