Caso Master: maioria acredita em elo com integrantes da Corte| Foto: MARCELLO CASAL JR
A forma como o inquérito
envolvendo o Banco Master vem sendo conduzido pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), somada às suspeitas de que ministros da Corte teriam obtido benefícios
financeiros na relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, provocou um impacto negativo
na percepção pública sobre a instituição. Hoje, a maioria dos brasileiros
afirma não confiar no tribunal, avalia que suas decisões carecem de
imparcialidade e acredita que há participação direta de integrantes da Corte no
caso.
Os dados fazem parte da pesquisa AtlasIntel/Estadão. O levantamento, que mede o nível de confiança da população nas instituições, revela que 60% dos entrevistados dizem não confiar no STF, enquanto 34% afirmam confiar. Outros 6% não souberam ou preferiram não opinar. O índice de desconfiança é o maior já registrado desde o início da série histórica, em janeiro de 2023, quando 45% confiavam no Supremo e 44% declaravam não confiar.
A pesquisa divulgada nesta sexta-feira (20) ouviu 2.090 pessoas entre os dias
16 e 19 de março, período em que o desgaste do STF se intensificou após a
divulgação de informações de que o ministro Alexandre de Moraes teria mantido
contato com Daniel Vorcaro — inclusive com suspeitas de conversa no dia em que
o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado. A margem
de erro é de dois pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.
Segundo o levantamento, 66,1% dos entrevistados acreditam que há envolvimento
direto de ministros do STF no caso do Banco Master. Já 18,9% afirmam não ter
opinião formada, percentual superior aos 14,9% que descartam qualquer ligação
entre membros da Corte e os crimes atribuídos a Vorcaro.
Entre as suspeitas que envolvem ministros está a informação de que Dias Toffoli
figura como sócio anônimo de uma empresa que recebeu recursos do cunhado de
Daniel Vorcaro pela venda de participação no resort Tayayá, localizado no
interior do Paraná.
Além disso, o Banco Master e a JBS transferiram R$ 18 milhões a uma empresa de
consultoria que, por sua vez, realizou pagamentos ao filho do ministro Kassio
Nunes Marques.
A percepção de envolvimento de ministros do STF no caso está associada à
avaliação de interferência externa nos julgamentos: 76,9% veem muita influência
de políticos, partidos e grupos poderosos, 13% apontam alguma influência, 6,1%
consideram os processos técnicos e baseados na lei, e 3,9% não souberam opinar.

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