População com 55 anos ou mais foi a que apresentou o crescimento mais expressivo | Foto: Divulgação
O Rio Grande do Norte ocupa a
13ª posição entre os estados brasileiros com maiores taxas de internações
atribuíveis ao consumo de álcool, considerando o número de casos por 100 mil
habitantes. Em 2024, o estado registrou 193,4 internações, segundo dados do
estudo “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, divulgado pelo Centro
de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA).
O levantamento reúne tanto as internações totalmente atribuíveis ao álcool, como transtornos relacionados ao uso da substância e doença alcoólica do fígado, quanto aquelas parcialmente atribuíveis, em que o consumo aparece como fator associado, a exemplo de acidentes e outros tipos de lesões.
No ranking nacional, as
maiores taxas foram registradas no Paraná, com 282,1 internações por 100 mil
habitantes, seguido pelo Espírito Santo (267,3) e pelo Mato Grosso do Sul
(256,3). Também aparecem com índices elevados Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande
do Sul, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Já estados nordestinos como Alagoas e
Maranhão apresentaram taxas mais baixas.
O estudo também aponta uma
mudança no perfil etário das internações associadas ao álcool no Brasil. Entre
2010 e 2024, a população com 55 anos ou mais foi a que apresentou o crescimento
mais expressivo, passando de 86.439 para 157.223 internações anuais, um aumento
de 81,9%. Em 2024, esse grupo passou a representar 37,6% do total de
internações atribuíveis ao álcool, consolidando-se como o segmento mais
impactado. Entre jovens de 18 a 34 anos, o crescimento foi mais moderado,
passando de 81.043 para 91.589 internações, o que representa aumento de 13% no
período.
Para a psicóloga da Hapvida
Verônica Lima, os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção
e acompanhamento de saúde. Segundo ela, o crescimento das internações entre
pessoas mais velhas indica que os efeitos do consumo de álcool tendem a se
acumular ao longo da vida. “Muitas doenças relacionadas ao álcool surgem após
anos de consumo. Por isso, quando observamos o aumento das internações entre
idosos, estamos vendo o resultado de um processo que começou décadas antes”,
afirma.
Entre as causas totalmente
atribuíveis ao álcool, predominam os transtornos relacionados ao uso da
substância, seguidos pela doença alcoólica do fígado. Já nas internações
parcialmente atribuíveis, os acidentes de trânsito lideram as ocorrências,
seguidos por outras lesões não intencionais e quedas, que somaram 59.496
internações em 2024.
Apesar da posição
relativamente elevada nas internações, o Rio Grande do Norte apresenta uma
situação diferente quando se analisam os óbitos associados ao consumo de
álcool. Em 2023, o estado registrou 33,1 mortes por 100 mil habitantes, uma das
menores taxas do Nordeste, ao lado do Maranhão, que apresentou índice de 31. No
país, os maiores índices de mortalidade foram observados no Espírito Santo
(47,0), Piauí (41,7), Tocantins (41,9) e Paraná (40,7).
Para a psicóloga Verônica
Lima, os dados reforçam a importância de atenção aos sinais de consumo abusivo
e da busca por acompanhamento especializado. De acordo com ela, muitas pessoas
só procuram ajuda quando as consequências já se tornaram graves. “O álcool pode
causar uma série de problemas físicos e mentais ao longo do tempo, e o
tratamento precoce faz diferença no prognóstico. Hoje existem abordagens
médicas e terapêuticas capazes de ajudar o paciente a reduzir ou interromper o
consumo e recuperar qualidade de vida”, explica.
A especialista destaca ainda
que familiares e amigos também têm papel importante nesse processo. “Quando há
sinais de dependência ou de prejuízos à saúde, o ideal é procurar orientação de
um profissional, como médico ou psicólogo, para avaliar cada caso e indicar o
tratamento mais adequado”, orienta.

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