Foto: TV Globo/Renato Rocha Miranda
O ator, autor e diretor Juca
de Oliveira morreu neste sábado (21), aos 91 anos, em São Paulo. A informação
foi confirmada pela assessoria do artista em nota enviada ao Estadão. Um dos
nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, Juca estava internado na UTI
cardíaca do Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março, em decorrência de
pneumonia associada a uma condição cardiológica.
Poucos dias antes da morte, em 16 de março, o artista havia completado 91 anos. Segundo a família, o estado de saúde dele era considerado delicado nos últimos dias.
Com uma carreira que
atravessou décadas, Juca de Oliveira construiu um legado sólido no teatro, na
televisão e no cinema brasileiro. Ao longo da trajetória, participou de mais de
30 novelas e minisséries, cerca de dez filmes e mais de 60 peças teatrais, várias
delas também escritas por ele.
Nascido em São Roque, no
interior de São Paulo, em 1935, Juca de Oliveira inicialmente seguiu um caminho
distante da arte. Chegou a cursar Direito na Universidade de São Paulo (USP),
mas mudou de rumo após um teste vocacional apontar inclinação para o teatro.
A descoberta redefiniu sua
vida. Ele deixou a faculdade e passou a se dedicar integralmente à atuação,
ingressando na tradicional Escola de Arte Dramática de São Paulo, onde
consolidou a formação que daria início a uma carreira brilhante.
Foi no teatro que Juca de
Oliveira firmou sua identidade artística. O ator integrou o histórico Teatro
Brasileiro de Comédia (TBC) e também o Teatro de Arena, grupo fundamental para
a renovação da cena nacional. Entre as montagens emblemáticas das quais participou
está “Eles Não Usam Black-Tie”, obra marcante da dramaturgia brasileira.
Além da atuação artística,
Juca teve papel ativo na defesa da classe cultural. Chegou à presidência do
Sindicato dos Atores de São Paulo e, durante a ditadura militar, enfrentou
perseguições políticas, chegando a se exilar na Bolívia.
Na televisão, Juca de Oliveira
conquistou o grande público e se tornou um rosto familiar dos brasileiros. A
carreira na telinha começou ainda na TV Tupi, onde protagonizou sucessos como
“Nino, o Italianinho”.
Mais tarde, na TV Globo,
consolidou seu nome com personagens que marcaram época. Entre os mais lembrados
estão João Gibão, de Saramandaia; professor Praxedes, de Fera Ferida; e o
célebre Dr. Albieri, de O Clone.
Outro papel de destaque veio
em Avenida Brasil, novela em que interpretou Santiago, personagem revelado como
pai de Carminha e um dos grandes vilões da trama.
Além de ator, Juca também teve
atuação expressiva como autor teatral. Assinou peças de destaque como “Meno
Male”, “Hotel Paradiso”, “Caixa Dois” e “Às Favas com os Escrúpulos”, mantendo
o teatro como sua maior paixão ao longo de toda a vida.
Reconhecido pelo rigor
artístico, pela sensibilidade social e pelo compromisso com a cultura
brasileira, Juca de Oliveira também era membro da Academia Paulista de Letras.
Estadão

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