O perfil do paciente com dor de joelho varia conforme a origem do problema | Foto: Cedida
Dor no joelho é um problema
que parece comum, mas exige precisão diagnóstica e olhar individualizado quando
passa de desconforto para um incômodo crônico. Essa dor é capaz de transformar
em desafio movimentos simples como subir escadas, levantar da cadeira, e fazer
caminhadas curtas. Esse tipo de queixa costuma ter múltiplas causas e, muitas
vezes, vai além da própria articulação. Entender a origem do problema é
essencial para garantir um tratamento adequado e evitar que o desconforto se
torne permanente.
O joelho é uma região complexa do corpo humano, responsável por suportar grande parte do peso durante atividades do dia-a-dia. Diferentes estruturas podem ser afetadas, porque esse conjunto de articulações está no meio de uma cadeia mecânica entre o quadril e o pé, recebendo uma grande carga compressiva, muitas vezes associada a movimentos rotacionais. Segundo o fisioterapeuta Jorge Ivan Nogueira, por isso nem sempre a origem da dor está exatamente no joelho.
O diagnóstico pode ser
consequência de algo que antecede o surgimento da dor. “Problemas no pé podem
gerar dor no joelho, assim como o quadril e a coluna lombar. Uma avaliação que
considere o paciente de forma global é essencial”, afirma. Entre os diagnósticos
mais comuns estão artrose, condromalácia patelar, síndrome patelofemoral,
tendinopatias e lesões de menisco.
O estilo de vida também possui
sua influência na aparecimento (ou não) de dor no joelho. O sedentarismo e a
inatividade são são fatores importantes nesse processo. “Pessoas que ficam
muito tempo sentadas têm uma probabilidade muito maior de ter problema no
joelho. Por isso pessoas que praticam atividade física com regularidade vão ter
menos problema do que os sedentários”, explica.
O perfil do paciente com dor
de joelho varia conforme a origem do problema. “Pessoas sedentárias podem ter
muito mais problemas em nível de cartilagem, consequentemente uma artrose, do
que aqueles que se movimentam mais, que fazem algum tipo de atividade física.
Quando o sistema muscular esquelético não recebe carga e sobrecarga
necessárias, seus tecidos ficam fracos”, explica.
Mas há também o outro lado da
moeda. Pessoas que praticam atividades físicas também podem apresentar dor
relacionada a traumas ou movimentos de maior estresse na articulação.
“Praticantes de algum esporte de alto impacto também podem ter problemas no joelho.
A sobrecarga pode ser por impacto, frequencia e uso excessivo da articulação”,
explica.
O fisioterapeuta ressalta que
isso não significa que qualquer praticante mais dedicado de esportes de alto
impacto terá problemas de joelho. “Não podemos afirmar que corredores ou
ciclistas, por exemplo, terão problemas nas articulações por causa do que fazem.
Mas o fato de ser um atleta de alto rendimento aumenta sim a probabilidade”,
afirma.
Para saber diferenciar a
origem da dor – de uma sobrecarga ou de uma lesão mais grave – é preciso ouvir
a história do paciente. “Se o paciente traz uma história em que a dor no joelho
começou após um trauma, aí estamos falando de uma causa traumática. Por
exemplo, ele torceu o joelho jogando beach tênis ou futebol”, diz. E tem os
casos ‘atraumáticos’, que estão na maioria das vezes relacionados a pessoas
sedentárias e sua inatividade. “E nessas situações é muito comum dizer que a
coluna lombar tem uma influência forte para gerar dor”, ressalta.
Reconhecer os sinais de alerta
é importante. Para o fisioterapeuta, a própria dor já é um indicativo de que
algo merece atenção. “Quando ela vem acompanhada de limitação de movimento ou
dificuldade para realizar tarefas simples, é fundamental procurar um
fisioterapeuta ou médico especialista”, orienta. Nesse contexto, a fisioterapia
desempenha um papel importante tanto no tratamento quanto na prevenção dos
problemas no joelho.
Jorge Ivan afirma que educar o
paciente sobre sua dor é um dos principais procedimentos da fisioterapia para
começar o tratamento. “Com relação ao restante do tratamento, vai depender do
diagnóstico. Mas hoje a gente preconiza mudanças de hábitos e autotratamento
seguindo a orientação do profissional fisioterapeuta, basicamente com
exercícios específicos”, diz.
A melhor prevenção é se manter
ativo, segundo o fisioterapeuta. “Manter-se em movimento. Fazer uma atividade
física, seja ela qual for, musculação, pilates, crossfit, qualquer outro tipo
de atividade física que prepare o seu corpo”, explica. Isto para os
sedentários.
Os adeptos dos exercícios
físicos também precisam atentar para certos detalhes. “A pessoa gosta de vôlei,
de futebol, tem rotina de academia e tudo mais, porém ela também precisa
preparar o seu corpo para isso ou seja, fazer um bom trabalho de condicionamento
físico para poder suportar o que o seu esporte impõe. Então para isso, deve
manter a musculatura fortalecida, flexível, ter movimento nas articulações,
isso é o mais importante”, ensina.
“Quanto menos tempo sentado ou parado, melhor. A prática de atividade física ajuda a manter o equilíbrio muscular e contribui para a saúde das cartilagens”, explica Jorge Ivan.

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