Em janeiro de 2026 foram 19.241 unidades comercializadas no RN, o que indica uma redução de 22,9% ante dezembro de 2025 | Foto: Adriano Abreu
O mercado de veículos
seminovos e usados no Rio Grande do Norte registrou crescimento de 25,3% em
2025, com 253.056 unidades vendidas. Em 2024, foram 201.981, de acordo com
dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos
Automotivos (Fenauto). Em janeiro de 2026 foram 19.241 unidades
comercializadas, o que indica redução de 22,9% no comparativo com dezembro de
2025, quando foram vendidas 24.953.
De acordo com a Fenauto, em
2025 a maior parte das vendas no RN se concentrou em veículos usados jovens (de
4 anos), com 59.657 unidades comercializadas; os veículos usados maduros vêm em
seguida, com 59.293 unidades, acompanhados dos seminovos, que são aqueles de
zero a três anos (45.654).
Fontes ouvidas pela reportagem
afirmaram que a redução registrada em janeiro é comum, uma vez que novembro e
dezembro, historicamente, são os meses do ano com melhor desempenho.
Para 2026, a expectativa é de
alta de até 20% para o setor. Segundo a Fenauto, os automóveis lideraram as
vendas de seminovos no Rio Grande do Norte no acumulado de 2025 (135.943
unidades), seguidos das motos (83.837), veículos comerciais leves (25.891) e
veículos comerciais pesados (3.996). Em janeiro de 2026, os automóveis seguiram
na liderança das vendas de usados no RN, com 10.715 unidades comercializadas.
Normando Teixeira,
vice-presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Revendedores de Veículos
(Anreve), explicou que quanto mais nova a frota, maior o interesse, algo que o
mercado local consegue atender com certa facilidade. “Nossa frota gira em torno
de três anos de uso”, afirma. Outro aspecto que tem beneficiado o segmento, na
avaliação dele, é a baixa inadimplência. “O número de inadimplentes reduziu
bastante, bem como as fraudes, porque os bancos têm apostado em carteiras cada
vez mais saudáveis e seguras, com melhores taxas aprovadas para o cliente na
hora de comprar um seminovo”, disse.
“E a Selic, que permaneceu
alta durante todo o ano de 2025, não foi repassada 100% para os consumidores do
setor, ficando sempre abaixo de 2%. Isso acabou impulsionando o mercado”,
analisa Teixeira, em seguida.
O empresário Glauber Santos,
de 41 anos, está em busca de um seminovo. Segundo ele, a principal vantagem
desse tipo de veículo é a depreciação já existente, mas com qualidade
praticamente de um carro novo. “A ideia é trocar o veículo – o que pretendo fazer
em cerca de dois anos – com menos perda, uma vez que já vou comprá-lo com
depreciação, diferentemente do veículo novo, onde essa perda seria maior na
hora de vender lá na frente. O que vai chamar minha atenção no momento da
compra agora é o veículo que tiver menor quilometragem rodada”, disse Glauber
Santos.
Na Toronto Multimarcas, na
zona Sul de Natal, os veículos com menos quilômetros rodados são os que entram
primeiro no radar dos clientes, de acordo com Álamo Carlos, um dos sócios da
loja.
“A principal vantagem desse
tipo de veículo é um carro praticamente novo, só que mais barato. Um veículo
ano 2025 zero km, custa R$ 180 mil aqui no estoque, enquanto o seminovo do
mesmo modelo e marca sai por R$ 150 mil, por exemplo. Sem falar que geralmente
quando o cliente compra um carro zero, vai ter um custo a mais com
emplacamento. Então, eu acredito que as pessoas estão fazendo as contas e
observando a viabilidade de um seminovo”, afirma Álamo Carlos.
Álamo Carlos, empresário | Foto:
Adriano Abreu
Glauber Santos, cliente | Foto:
Adriano Abreu
Érick Guilherme, gerente
comercial da Nacional Veículos, disse que as expectativas para 2026 seguem
altas em torno do setor, que dispõe de marcas variadas e diferentes maneiras de
aquisição. “Os preços são bem mais atraentes e a gente tem opções bastante
variadas de marcas. Sem falar que os seminovos podem ser adquiridos por
financiamento, consórcio ou recursos próprio; são múltiplas opções. Então,
nossas perspectivas para este ano são as melhores”, afirmou Guilherme.
Segundo projeções da Anreve, o
setor deve crescer algo entre 15% e 20% em 2026 no Rio Grande do Norte. “A
gente não esperava um crescimento tão expressivo como foi em 2025. Para este
ano, temos uma projeção que também é extremamente positiva, porque nós dependemos
de fatores como as eleições e não sabemos o quanto isso pode influenciar no
setor, especialmente se houver grandes mudanças. Mas será um ano de
crescimento, sem dúvidas”, analisa o presidente da Anreve, Normando Teixeira.
Felipe Salustino/Repórter
Tribuna do Norte

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