Os fiéis da comunidade
católica lotaram os bancos da Catedral Metropolitana de Natal para celebrar a
missa da Quarta-feira de Cinzas. A celebração marcou o início da Quaresma,
período de 40 dias que antecede a chegada da Páscoa, e a abertura da Campanha da
Fraternidade. O momento foi presidido pelo arcebispo metropolitano Dom João
Santos Cardoso e seguiu os ritos tradicionais, incluindo a imposição das cinzas
e a renovação da vida. De acordo com o arcebispo Dom João Santos Cardoso, o
momento é fundamental para que a sociedade reflita sobre as práticas de
caridade e firme um compromisso de fé. “Ao participar dessa missa e impormos as
cinzas nas nossas cabeças, estamos dando um sinal concreto e dizendo ‘eu estou
disposto, eu quero entrar no processo de conversão por meio da prática da
oração, da penitência, do jejum e da caridade’, a fim de preparar a Páscoa de
nosso Senhor Jesus Cristo e renascer com Ele na Páscoa”, afirma.
A aposentada Jandira Maria de Oliveira Cruz, de 79 anos, foi uma das fiéis que foram celebrar o início da Quaresma e a abertura da campanha. Ela conta que celebra a missa na Catedral Metropolitana de Natal há pelo menos 30 anos. Para ela, o momento é mais uma forma de fortalecer sua fé. “A missa é uma bênção todos os dias para mim. Na Quarta-feira de Cinzas, também é um meio da gente melhorar a nossa vida espiritual”, compartilha.
O arcebispo Dom João Santos
Cardoso lembra que anualmente a celebração levanta uma pauta de relevância
social por meio da Campanha da Fraternidade. Neste ano, a iniciativa traz o
tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós (Jo
1,14)”. A proposta é convidar os cristãos a refletirem sobre a realidade
habitacional do país, estimulando comunidades, poder público e sociedade civil
a buscar soluções concretas para enfrentar o déficit habitacional. Segundo o
arcebispo, embora a moradia seja um espaço de identidade dos seres humanos,
muitos brasileiros ainda vivem em condições precárias. Ele observa, nesse
sentido, que o processo de conversão deve ir além dos ritos e impulsionar os
fiéis a olharem para a realidade que os cerca.
“A casa é o espaço da nossa
identidade. Não é à toa que, quando adultos, ao recordarmos a infância, vem
sempre a imagem da casa: o quarto, o quintal, o alpendre, o meu pé de laranja
lima. Assim, a casa redefine a nossa identidade e é o modo como nós estamos no
mundo. É o modo de existirmos e sermos”, aponta.
O padre Rodrigo Paiva,
coordenador de campanhas da Arquidiocese de Natal, afirma que a campanha deste
ano também busca levantar a importância do cuidado com o próximo. “Este ano
vamos cuidar da casa destas pessoas [que estão em vulnerabilidade], dentro do
conceito de casa enquanto o cuidado, o abraço familiar e, também, social
enquanto moradia e habitação”, explica. Dom João Santos Cardoso afirma ser
primordial, acima de tudo, que os fiéis estejam de coração aberto para seguir
em mais uma caminhada junto à comunidade. “A grande mensagem é que possamos com
o coração rasgado e coração aberto aderir aos apelos dos profetas, ao apelo que
Deus nos dirige, para que possamos, no final desse processo, nos tornarmos
pessoas solidárias”, completa.
Ele chama a comunidade, ainda,
a traduzir o resultado do jejum na Quaresma em ofertas voltadas à
solidariedade, a fim de apoiar a Igreja no apoio aos fiéis que estão em
situação de vulnerabilidade social. De acordo com o padre Rodrigo Paiva, a
Igreja está empenhada em fortalecer a conscientização da comunidade sobre os
desafios para habitação e moradia. “Vamos nos empenhar para facilitar o acesso
das pessoas a estes programas de habitação. Primeiro, vem o conhecimento sobre
eles e, depois, a etapa de facilitar e aproximar estas pessoas [dos
programas]”, completa.
Tribuna do Norte

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