O saldo da Balança Comercial
do Rio Grande do Norte avançou de US$ 100.013.613 em 2016 para US$ 649.670.334
em 2025, um salto de 6,5 vezes em dez anos. As exportações do estado cresceram
quase quatro vezes no mesmo período, passando de US$ 284.577.283 em 2016 para
US$ 1.086.382.313 em 2025. A alta de 281,75% puxou o crescimento do saldo
comercial. O pico, na década, foi em 2024, quando o estado registrou incremento
de 301% (em relação a 2016), somando US$ 1.142.600.231.
Ao longo da última década, o desempenho das exportações manteve uma tendência de alta entre 2016 e 2024, e leve retração em 2025. O destaque é para o salto de 46,23% entre 2023 e 2024, quando o valor exportado passou de US$ 781 milhões para US$ 1,142 bilhão. Já entre 2024 e 2025, houve uma leve retração de 4,92%, totalizando US$ 1,086 bilhão.
Os dados constam no boletim
Balança Comercial do Rio Grande do Norte – Análise de 2016 a 2025, elaborado
pelo Sebrae-RN com base nas informações do Comex Stat, sistema oficial
vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No acumulado do período
analisado, o documento aponta que cerca de 58% da pauta exportadora potiguar
esteve concentrada em combustíveis (US$ 1.938.107.362 ou 33%), melões frescos
(US$ 1.045.368.159 ou 18%) e melancias frescas (US$ 401.168.458 ou 7%). Entre
os dez principais produtos exportados ao longo da série histórica também
figuram sal marinho, tecidos de algodão e ouro.
Cerca de 58% das exportações foram
de combustíveis, melões e melancias frescas no acumulado. | Foto: Sebrae-RN
Impulsionada pelas atividades
de mineração vinculadas ao Projeto Borborema, a exportação de ouro apresentou
crescimento superior a 1.000% entre 2024 e 2025. No intervalo, o volume
exportado saltou de 1 quilo para 1.329 quilos. Holanda, Estados Unidos, Singapura,
Panamá, Reino Unido e Espanha aparecem como os principais destinos das
exportações do Rio Grande do Norte, quando olhamos para o acumulado do período
analisado.
Em relação ao tarifaço
americano — que impôs uma tarifa adicional de 40% sobre alguns produtos
brasileiros importados pelos Estados Unidos — o estudo identifica uma queda em
torno de 30% nas exportações durante o período de vigência da medida, na
comparação entre 2025 e 2024. Outro reflexo observado foi a redução nas
exportações de itens que não constavam na lista de exceções, como peixes e
alguns tipos de granito.
“A análise de 2016 a 2025
mostra que o Rio Grande do Norte mudou de patamar no comércio exterior, com
crescimento expressivo na última década. A pauta se fortaleceu com
combustíveis, a fruticultura mantendo protagonismo e a mineração ganhando
relevância. Nosso objetivo com o boletim é transformar esses números em
inteligência prática, ajudando empresas e setores a enxergar tendências,
acessar mercados e construir estratégias mais competitivas e resilientes”,
explicou Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN.
O
estudo elaborado pelo Sebrae-RN detalha as cidades potiguares que mais
exportaram em 2025. | Foto: Sebrae-RN
Fruticultura segue puxando as
exportações
Os resultados positivos da
fruticultura potiguar refletem um setor em curva de expansão, com impacto
direto nos números da balança comercial do estado. Um exemplo é a Natural
Citrus, empresa especializada na produção de lima ácida Tahiti. Em 2025, o empreendimento
exportou mais de mil toneladas de limão, com o envio de 44 contêineres para a
Europa. Segundo o empresário Rogério Rafael, a meta é dobrar o volume exportado
em 2026.
“Em 2024, foram 18
contêineres, em 2025 foram 44 contêineres e, em 2026, queremos ultrapassar os
80 contêineres. Nossos pomares contam hoje com aproximadamente 22 mil plantas
em produção, com expectativa de alcançarmos 1.600 toneladas ainda este ano. Para
2027, projetamos duas mil toneladas e já iniciamos a fase de expansão, com a
perspectiva de chegar a 40 mil plantas até o fim de 2028”, detalha Rogério
Rafael.
Para alcançar esse patamar de
crescimento, o empresário destaca como diferencial o suporte do Sebrae-RN. De
acordo com o ele, as orientações técnicas e o acesso a novos mercados foram
decisivos para a consolidação da Natural Citrus no comércio exterior.
“O Sebrae apoiou nossa
participação em diversas feiras internacionais, possibilitando o contato direto
com compradores e a efetivação das exportações. Sem esse apoio, não estaríamos
no mercado externo. Atualmente exportamos para Holanda, Bélgica, França,
Espanha, Alemanha, Polônia, países da Escandinávia e Inglaterra”, ressalta.
Radar ampliado
Se no ambiente empresarial os números já indicam avanço consistente, sob a
ótica setorial o momento é considerado ainda mais estratégico para a
fruticultura do Rio Grande do Norte. Produtor de melão, melancia e abóbora, o
presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (Coex), Fábio Queiroga,
destaca a presença consolidada do estado no comércio internacional.
Temos como mercado-alvo a
comunidade europeia, com ênfase em países como Inglaterra, Holanda, Espanha,
Alemanha e Portugal. Também exportamos para a América do Norte, como Estados
Unidos e Canadá e, em alguns períodos, para o Mercosul, especialmente Argentina
e Uruguai”, afirma.
Segundo ele, os volumes
exportados vêm crescendo de forma contínua. “Ano após ano ampliamos nossas
exportações. Na safra anterior, nos consolidamos como o maior exportador de
frutas do Brasil, e o melão do Rio Grande do Norte foi a fruta mais exportada. O
mercado chinês já está aberto, aguardando apenas a oferta de fretes marítimos.
Essa é hoje a única limitação para que a China se torne um dos grandes clientes
da fruticultura potiguar”, completa.
Produtos de alto volume e
baixo valor agregado
De acordo com o estudo
elaborado pelo Sebrae-RN, a matriz de exportação do Estado do RN continua
focada em produtos de alto volume e baixo valor agregado, enquanto itens com
maior preço médio, como tecidos, metais preciosos e combustíveis específicos,
representam oportunidades para diversificar e agregar valor às exportações.
Entre os produtos mais
exportados, os itens com maior valor agregado por quilograma em 2025 foram
Bulhão dourado (Ouro), com o valor de US$ 68.679,56 por kg, tecidos de algodão
(US$ 5,26/kg) e melões frescos (US$ 0,76/kg).
Embora o Fuel Oil tenha
liderado em valor total exportado, com US$ 495,6 milhões em 2025, seu preço
médio foi de apenas 0,46 USD/kg, seguindo em queda nos últimos três anos,
refletindo a necessidade de volumes altos para obter resultados financeiros
expressivos. Outros produtos com alta participação, como melões frescos e
melancias frescas, apresentaram preços médios de 0,76 USD/kg e 0,65 USD/kg,
respectivamente.
Ainda quanto aos itens de
maior valor agregado, além do Bulhão dourado, destacam-se os Tecidos de
Algodão, que totalizaram US$ 15,8 milhões em 2025, que segue em queda desde
2023, segundo o estudo do Sebrae-RN.
Já as importações apresentaram
um comportamento mais instável. Em 2016, o Estado importou US$ 184,56 milhões,
com tendência de queda até atingir o menor patamar em 2019, quando as compras
externas somaram US$ 168 milhões. A redução refletiu a menor demanda por
equipamentos de energia eólica. A retomada ocorreu a partir de 2020, com US$
180 milhões, chegando a US$ 687 milhões em 2023.
O crescimento foi impulsionado
pela entrada das células fotovoltaicas na pauta de importações, produto que em
2023 respondeu por 32,97% do total e se tornou o mais importado em 2024. Em
2025, as importações caíram para US$ 436 milhões, uma redução de 36,51% em
relação ao pico de 2023. Essa queda decorre principalmente da diminuição nas
compras de células fotovoltaicas e de gasóleo (óleo diesel), que juntas
apresentaram uma retração média de 80%.
Números
281,75% – Foi o crescimento
das exportações do RN entre os anos de 2016 e 2025.
301% – Foi a alta das
exportações do RN em 2024, maior alta na década (em relação a 2016).
30% – Foi a queda nas
exportações do RN após o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil.
10 principais municípios
exportadores do RN e suas principais atividades econômicas
Município | Valor US$ FOB
Guamaré – 698.633.970
Mossoró – 243.395.892
Natal – 190.608.226
Currais Novos – 107.610.478
Parnamirim – 48.725.386
Baraúna – 47.976.506
Assú – 33.221.257
Macaíba – 30.381.456

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