sábado, 7 de fevereiro de 2026

Balança comercial do RN cresce mais de seis vezes em dez anos, aponta estudo

O empresário Rogério Rafael exportou 44 contêineres de limão para a Europa em 2025. A meta para 2026 é dobrar esse volume. | Foto: Cedida

O saldo da Balança Comercial do Rio Grande do Norte avançou de US$ 100.013.613 em 2016 para US$ 649.670.334 em 2025, um salto de 6,5 vezes em dez anos. As exportações do estado cresceram quase quatro vezes no mesmo período, passando de US$ 284.577.283 em 2016 para US$ 1.086.382.313 em 2025. A alta de 281,75% puxou o crescimento do saldo comercial. O pico, na década, foi em 2024, quando o estado registrou incremento de 301% (em relação a 2016), somando US$ 1.142.600.231.

Ao longo da última década, o desempenho das exportações manteve uma tendência de alta entre 2016 e 2024, e leve retração em 2025. O destaque é para o salto de 46,23% entre 2023 e 2024, quando o valor exportado passou de US$ 781 milhões para US$ 1,142 bilhão. Já entre 2024 e 2025, houve uma leve retração de 4,92%, totalizando US$ 1,086 bilhão.

Os dados constam no boletim Balança Comercial do Rio Grande do Norte – Análise de 2016 a 2025, elaborado pelo Sebrae-RN com base nas informações do Comex Stat, sistema oficial vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No acumulado do período analisado, o documento aponta que cerca de 58% da pauta exportadora potiguar esteve concentrada em combustíveis (US$ 1.938.107.362 ou 33%), melões frescos (US$ 1.045.368.159 ou 18%) e melancias frescas (US$ 401.168.458 ou 7%). Entre os dez principais produtos exportados ao longo da série histórica também figuram sal marinho, tecidos de algodão e ouro.

Cerca de 58% das exportações foram de combustíveis, melões e melancias frescas no acumulado. | Foto: Sebrae-RN

Cerca de 58% das exportações foram de combustíveis, melões e melancias frescas no acumulado. | Foto: Sebrae-RN

Impulsionada pelas atividades de mineração vinculadas ao Projeto Borborema, a exportação de ouro apresentou crescimento superior a 1.000% entre 2024 e 2025. No intervalo, o volume exportado saltou de 1 quilo para 1.329 quilos. Holanda, Estados Unidos, Singapura, Panamá, Reino Unido e Espanha aparecem como os principais destinos das exportações do Rio Grande do Norte, quando olhamos para o acumulado do período analisado.

Em relação ao tarifaço americano — que impôs uma tarifa adicional de 40% sobre alguns produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos — o estudo identifica uma queda em torno de 30% nas exportações durante o período de vigência da medida, na comparação entre 2025 e 2024. Outro reflexo observado foi a redução nas exportações de itens que não constavam na lista de exceções, como peixes e alguns tipos de granito.

“A análise de 2016 a 2025 mostra que o Rio Grande do Norte mudou de patamar no comércio exterior, com crescimento expressivo na última década. A pauta se fortaleceu com combustíveis, a fruticultura mantendo protagonismo e a mineração ganhando relevância. Nosso objetivo com o boletim é transformar esses números em inteligência prática, ajudando empresas e setores a enxergar tendências, acessar mercados e construir estratégias mais competitivas e resilientes”, explicou Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae-RN.

Mapa

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O estudo elaborado pelo Sebrae-RN detalha as cidades potiguares que mais exportaram em 2025. | Foto: Sebrae-RN

Fruticultura segue puxando as exportações

Os resultados positivos da fruticultura potiguar refletem um setor em curva de expansão, com impacto direto nos números da balança comercial do estado. Um exemplo é a Natural Citrus, empresa especializada na produção de lima ácida Tahiti. Em 2025, o empreendimento exportou mais de mil toneladas de limão, com o envio de 44 contêineres para a Europa. Segundo o empresário Rogério Rafael, a meta é dobrar o volume exportado em 2026.

“Em 2024, foram 18 contêineres, em 2025 foram 44 contêineres e, em 2026, queremos ultrapassar os 80 contêineres. Nossos pomares contam hoje com aproximadamente 22 mil plantas em produção, com expectativa de alcançarmos 1.600 toneladas ainda este ano. Para 2027, projetamos duas mil toneladas e já iniciamos a fase de expansão, com a perspectiva de chegar a 40 mil plantas até o fim de 2028”, detalha Rogério Rafael.

Para alcançar esse patamar de crescimento, o empresário destaca como diferencial o suporte do Sebrae-RN. De acordo com o ele, as orientações técnicas e o acesso a novos mercados foram decisivos para a consolidação da Natural Citrus no comércio exterior.

“O Sebrae apoiou nossa participação em diversas feiras internacionais, possibilitando o contato direto com compradores e a efetivação das exportações. Sem esse apoio, não estaríamos no mercado externo. Atualmente exportamos para Holanda, Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Polônia, países da Escandinávia e Inglaterra”, ressalta.

Radar ampliado

Se no ambiente empresarial os números já indicam avanço consistente, sob a ótica setorial o momento é considerado ainda mais estratégico para a fruticultura do Rio Grande do Norte. Produtor de melão, melancia e abóbora, o presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (Coex), Fábio Queiroga, destaca a presença consolidada do estado no comércio internacional.

Temos como mercado-alvo a comunidade europeia, com ênfase em países como Inglaterra, Holanda, Espanha, Alemanha e Portugal. Também exportamos para a América do Norte, como Estados Unidos e Canadá e, em alguns períodos, para o Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai”, afirma.

Segundo ele, os volumes exportados vêm crescendo de forma contínua. “Ano após ano ampliamos nossas exportações. Na safra anterior, nos consolidamos como o maior exportador de frutas do Brasil, e o melão do Rio Grande do Norte foi a fruta mais exportada. O mercado chinês já está aberto, aguardando apenas a oferta de fretes marítimos. Essa é hoje a única limitação para que a China se torne um dos grandes clientes da fruticultura potiguar”, completa.

Produtos de alto volume e baixo valor agregado

De acordo com o estudo elaborado pelo Sebrae-RN, a matriz de exportação do Estado do RN continua focada em produtos de alto volume e baixo valor agregado, enquanto itens com maior preço médio, como tecidos, metais preciosos e combustíveis específicos, representam oportunidades para diversificar e agregar valor às exportações.

Entre os produtos mais exportados, os itens com maior valor agregado por quilograma em 2025 foram Bulhão dourado (Ouro), com o valor de US$ 68.679,56 por kg, tecidos de algodão (US$ 5,26/kg) e melões frescos (US$ 0,76/kg).

Embora o Fuel Oil tenha liderado em valor total exportado, com US$ 495,6 milhões em 2025, seu preço médio foi de apenas 0,46 USD/kg, seguindo em queda nos últimos três anos, refletindo a necessidade de volumes altos para obter resultados financeiros expressivos. Outros produtos com alta participação, como melões frescos e melancias frescas, apresentaram preços médios de 0,76 USD/kg e 0,65 USD/kg, respectivamente.

Ainda quanto aos itens de maior valor agregado, além do Bulhão dourado, destacam-se os Tecidos de Algodão, que totalizaram US$ 15,8 milhões em 2025, que segue em queda desde 2023, segundo o estudo do Sebrae-RN.

Já as importações apresentaram um comportamento mais instável. Em 2016, o Estado importou US$ 184,56 milhões, com tendência de queda até atingir o menor patamar em 2019, quando as compras externas somaram US$ 168 milhões. A redução refletiu a menor demanda por equipamentos de energia eólica. A retomada ocorreu a partir de 2020, com US$ 180 milhões, chegando a US$ 687 milhões em 2023.

O crescimento foi impulsionado pela entrada das células fotovoltaicas na pauta de importações, produto que em 2023 respondeu por 32,97% do total e se tornou o mais importado em 2024. Em 2025, as importações caíram para US$ 436 milhões, uma redução de 36,51% em relação ao pico de 2023. Essa queda decorre principalmente da diminuição nas compras de células fotovoltaicas e de gasóleo (óleo diesel), que juntas apresentaram uma retração média de 80%.

Números

281,75% – Foi o crescimento das exportações do RN entre os anos de 2016 e 2025.

301% – Foi a alta das exportações do RN em 2024, maior alta na década (em relação a 2016).

30% – Foi a queda nas exportações do RN após o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil.

10 principais municípios exportadores do RN e suas principais atividades econômicas

Município | Valor US$ FOB

Guamaré – 698.633.970

Mossoró – 243.395.892

Natal – 190.608.226

Currais Novos – 107.610.478

Parnamirim – 48.725.386

Baraúna – 47.976.506

Assú – 33.221.257

Macaíba – 30.381.456

Tribuna do Norte

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