quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Toffoli reconsidera e autoriza PGR analisar material apreendido pela PF

Ministro Dias Toffoli fez novas recomendações para a PGR | Foto: GUSTAVO MORENO - STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) faça a extração e a análise de todo o material apreendido na operação envolvendo o banco Master nesta quarta-feira. A decisão foi tomada após manifestação do procurador-geral da República, que pediu a reconsideração de uma determinação anterior do relator. Inicialmente, Toffoli havia ordenado que os bens e dispositivos apreendidos fossem lacrados e mantidos sob custódia na sede do STF.

Ao analisar o pedido, Toffoli destacou que o material probatório deve ser apreciado pelo titular da ação penal para a adequada formação da convicção do Ministério Público quanto à materialidade e autoria dos delitos investigados.

De acordo com investigadores, havia preocupação especialmente com os dados contidos em celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos durante as operações.

Isso porque, em procedimentos padrão da Polícia Federal, a extração do conteúdo desses aparelhos costuma ser feita logo em seguida pelos peritos, justamente para evitar perdas de informações, danos aos equipamentos ou problemas decorrentes de bloqueios, senhas ou degradação dos dados digitais.

Em nota, o gabinete de Toffoli informou que “o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes”.

A PF realizou nesta quarta-feira a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes do banco. Um dos alvos foi o dono do banco, Daniel Vorcaro. Em novembro do ano passado, ele chegou a ser preso na primeira fase da operação, prestes a embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Na quarta-feira, seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel, alvo da operação, chegou a ser detido quando estava em um aeroporto com destino também a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi liberado em seguida.

Em uma dos despachos nos quais autorizou a operação, Toffoli determinou que todos os materiais recolhidos nesta operação e na anterior sejam “lacrados” e “acautelados” nas dependências do STF até “ulterior determinação”. A ordem engloba celulares, notebooks, documentos e outros itens apreendidos em 42 endereços ligados aos alvos da investigação.

A Operação Compliance Zero tem como objetivo aprofundar apurações sobre supostas fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. Vorcaro foi alvo novamente após a PF apontar suspeita de ‘novos ilícitos’ cometidos por ele.

Durante as diligências, os agentes recolheram carros e relógios de luxo, R$ 98 mil em dinheiro vivo, um revólver, além de dispositivos eletrônicos e documentos considerados relevantes para o avanço das investigações.

A Polícia Federal ainda não se manifestou oficialmente sobre os impactos da decisão no andamento da perícia dos materiais apreendidos.

PF amplia investigação contra Vorcaro

A Polícia Federal (PF) identificou “novos ilícitos” e decidiu aprofundar a investigação contra o Banco Master, o que deu origem à segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14). A ampliação da ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF informar à Corte que surgiram elementos adicionais indicando a continuidade de práticas suspeitas por parte do controlador da instituiçã o, Daniel Vorcaro.

Em despacho que autorizou as novas medidas, o ministro Dias Toffoli, relator do caso, registrou que a Polícia Federal apontou a existência de “novos ilícitos”, o que justificaria a coleta de provas complementares. Segundo a decisão, os indícios indicam possível gestão fraudulenta, além de lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

Fundos no radar

O foco central desta nova etapa é apurar se o Banco Master utilizou fundos de investimento ligados ao mercado da Faria Lima para realizar operações financeiras fraudulentas, inflar artificialmente ativos e desviar recursos.

A suspeita levou a PF a mirar não apenas o banco, mas também empresários e gestores ligados a esses fundos.

Entre os investigados, estão o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora Reag Investimentos João Carlos Mansur, que já havia sido alvo de apurações anteriores envolvendo o uso de fundos para ocultação patrimonial.

Família investigada

As diligências desta fase atingiram diretamente o círculo familiar de Vorcaro. Mandados de busca foram cumpridos em endereços ligados ao pai, à irmã e ao cunhado do banqueiro. Um dos episódios mais sensíveis ocorreu no Aeroporto de Guarulhos (SP), em que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi detido ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai. Ele acabou liberado posteriormente.

Ao todo, a operação cumpre 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Por decisão do STF, também houve bloqueio e sequestro de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, a PF apreendeu R$ 97 mil em espécie, além de carros de luxo, relógios de alto valor e uma arma de fogo, material que será periciado e analisado no contexto das investigações financeiras.

Em nota, a defesa do dono do Master “informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.

Tribuna do Norte

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