O secretário da Fazenda do Rio
Grande do Norte, Carlos Eduardo Xavier, assumiu nesta sexta-feira (14), em
reunião com a Federação das Indústrias do RN (FIERN), o compromisso de
suspender a antecipação do pagamento do ICMS pelas empresas do Programa de Estímulo
ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) nos meses de dezembro e janeiro. O
período será destinado à negociação de condições para eventuais antecipações
nos meses subsequentes.
O encontro contou com a participação de diretores da Fiern, lideranças e presidentes de sindicatos industriais. O tema foi a antecipação do pagamento de 50% do ICMS para empresas participantes do Proedi. A conversa surgiu a partir de uma demanda do Governo do Estado de tornar perene a iniciativa de antecipar o recolhimento do imposto mês a mês. A medida, já realizada no mês de outubro e anunciada para novembro, provocou reações das lideranças industriais.
“É importante ressaltar que é discricionário do governo tornar essa antecipação
perene, mas, em atenção ao diálogo aberto com a indústria, vamos acatar o
pedido de suspensão em dezembro e janeiro para seguirmos com os entendimentos”,
afirmou o secretário durante o encontro, realizado na Casa da Indústria, em
Natal.
O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, reforçou a importância do Proedi para
proporcionar competitividade às empresas e atrair investimentos industriais
para o estado e destacou que a antecipação prejudica o planejamento e o fluxo
de caixa das empresas. “Na medida em que se mudam as regras de um programa da
qualidade do Proedi, compromete-se também a segurança das empresas
participantes. O setor produtivo vai ser parceiro do estado em outubro e
novembro, mas fazemos um apelo para que essa decisão não se prolongue para os
meses seguintes, para que as empresas possam recuperar seus fluxos, já que
foram pegas de surpresa. O ponto central não é apenas atender a uma
solicitação, mas garantir uma relação de reciprocidade responsável. Na hora em
que se muda a ‘regra do jogo’ do Proedi, corremos o risco de desconstrução
desse benefício tão importante”, afirmou o presidente.
“Há um incremento de receita para o Estado cumprir com seus compromissos, mas
não estamos vendo, em contrapartida, um trabalho para contenção das despesas.
Chegamos a momentos como esse, de dificuldades, em que o Estado tem uma dor e
essa pressão bate à porta dos empresários, que, com diversas dificuldades,
ainda assim, têm que atender”, destacou Serquiz.
secretário Cadu Xavier falou sobre a situação fiscal do estado e apresentou
os desafios da gestão para equilibrar as contas públicas. “Grande parte do 13º
salário de 2024 ficou para o início deste ano, houve recomposições salariais de
diversas categorias e a alíquota de 20% do ICMS só passou a vigorar em abril.
Da mesma forma, tivemos que fazer frente a vários acordos com servidores. Essa
junção de fatores levou à necessidade de uma medida de incremento nos últimos
meses do ano”, pontuou Xavier.
Ele ressaltou que a intenção da medida é garantir a segurança da folha de
pagamento, uma prioridade da gestão estadual, e enalteceu o diálogo junto ao
setor produtivo. “Temos muito zelo pelas construções coletivas que temos feito
junto à FIERN.”
Empresários de diversos segmentos evidenciaram a preocupação das indústrias com
a medida de antecipação do ICMS. A presidente do Sindicato das Indústrias de
Fiação e Tecelagem do RN (SIFT-RN), Helane Cruz, destacou a apreensão do setor
diante de mais um desafio. “Recebemos o comunicado de antecipação com muita
preocupação, porque foi um ano desafiador, com tarifaço e importações de
produtos e insumos de outros países, o que prejudica a produção primária do
setor.”
“As empresas também passam por um período de compromissos com 13º salário,
então uma medida como essa, sem o devido planejamento, gera ainda mais
desafios”, completou Helane.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Reciclagem e Descartáveis do RN
(SindRecicla-RN), Etelvino Patrício, frisou que não é saudável recorrer apenas
a quem produz riqueza e gera desenvolvimento para o estado. “Nos preocupa a
possibilidade de se tornar uma medida perene. Acho válido ampliarmos a
discussão, trazendo colegas de outros setores econômicos, bem como de outros
poderes do setor público, para buscarmos contribuições para o equilíbrio.”
Já o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Calcário, Fabricação
de Cimento, Cal e de Argamassa do RN (SINECIM-RN), da Comissão Temática de Meio
Ambiente da FIERN (COEMA) e vice-presidente da Federação, Marcelo Rosado,
cobrou uma contrapartida do Estado para o setor produtivo. “Temos que fazer um
trabalho conjunto e uma das alternativas que a Federação das Indústrias vem
apontando é a atualização da legislação ambiental para garantir celeridade no
licenciamento, o que daria um impacto positivo no aumento da receita do
estado”, afirmou Marcelo Rosado.

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