sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Com alta do óleo e do leite, cesta básica fica 0,55% mais cara

Para uma família de quatro pessoas, valor da cesta básica alcançou R$ 2.392,36 em outubro | Foto: Adriano Abreu

A cesta básica em Natal registrou alta de 0,55% em outubro de acordo com levantamento feito pela Idema, puxada por produtos como o óleo, que apresentou a maior variação no mês, com elevação de 37,92%; leite (alta de 12,7% e margarina (2,54%); carne de boi (2,2%), legumes (1,2%) e café (com variação de 1,04%). Ao todo, seis dos 13 produtos avaliados fecharam o mês com preços mais elevados. Nas despesas com os produtos essenciais, o custo com a alimentação por pessoa na capital foi de R$ 598,09 no mês passado.

A TRIBUNA DO NORTE esteve em um supermercado no bairro da Redinha, na zona Norte de Natal, nesta quinta-feira (13) para observar como estão os preços dos produtos que apresentaram as maiores variações no mês passado. O óleo de soja mais caro estava sendo vendido a R$ 10,49. O leite UHT desnatado chegava a R$ 10,48, enquanto o leite em pó integral custava R$ 35,98 o pacote com valor mais alto. O item, no entanto, estava na prateleira com preço promocional de R$ 27,98. A margarina de 500 g mais cara era vendida a R$ 6,98.

A dona de casa Giltânia Ildefonso, de 38 anos, conta que os preços mais salgados impactam diretamente o bolso, especialmente porque ela tem uma filha de um ano e nove meses que faz uso de leite e massas, como farinha láctea. “Não tem como deixar de comprar esses produtos, então, eu procuro os dias de oferta e as marcas que estão mais em conta”, relata.

Para a cozinheira Patrícia Fernandes, de 40 anos, a opção para fugir dos altos preços é reduzir o consumo. “Esses produtos que estão mais caros são itens que eu consumo bastante, então, o jeito é comprar menos”, comenta.

O economista Ricardo Valério avalia que a variação da cesta básica no mês passado na capital é modesta se comparada a outras ocasiões. Ele explica que o aumento no preço do óleo tem relação com o aumento das exportações da soja brasileira para mercados como China e México. “Desse modo, os preços das commodities nas alturas têm levado também à alta de preços para o consumo interno”, afirma Valério.

Sobre o leite e a margarina, o economista pontua que o aumento faz parte de uma sazonalidade ligada ao período de final de ano, época marcada pelos meses de seca, os quais consequentemente geram despesas extras para a cadeia leiteira. Para os próximos meses, Ricardo Valério analisa que a tendência é de queda no preço do óleo e de estabilidade para produtos da cadeia de laticínios.

Variação negativa

De acordo com o Idema, para uma família constituída por quatro pessoas, o valor da cesta básica em Natal alcançou R$ 2.392,36 em outubro. Se a essa quantia fossem adicionados os gastos com vestuário, despesas pessoais e transportes, dentre outros, o dispêndio total seria de R$ 7.377,13. O levantamento do Idema aponta também que sete dos 13 itens pesquisados tiveram variação negativa no período. São eles: arroz (-8,78%), farinha (-7,60%), frutas (-5,78%), pão (-2,75%), feijão (-2,14%), açúcar (-2,04%) e tubérculos (-1,78%).

Segundo o economista Ricardo Valério, as reduções estão relacionadas ao comportamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registra leve baixa pela quinta vez consecutiva. “Há uma tendência natural dos alimentos em geral (exceto os produtos ligados à época natalina e que estão fora da cesta básica) continuarem com essa queda em novembro e dezembro, porque a gente observa reduções de preços no Brasil por cinco IPCAs seguidos em função da cifra recorde de mais de 357 milhões de toneladas de alimentos e graças à produtividade do nosso agronegócio”, disse.

Índice de Preços

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pelo Idema através da Coordenadoria de Estudos Socioeconômicos (CES/Seplan) para Natal, registrou em outubro uma variação positiva de 0,24% em relação ao mês anterior. Com o resultado, a variação no ano ficou em 3,92%, nos últimos 12 meses (novembro/2024 a outubro/2025).

O grupo Alimentação e Bebidas, que responde por 32,43% do índice geral em termos de participação no orçamento familiar, apresentou uma variação negativa de -0,24% em relação ao mês anterior. Os itens que mais contribuíram para essa queda de preços foram os Enlatados (-4,99%), Hortaliças (-3,90%), Frutas (-3,48%), Leites e Derivados (-3,33%), Óleos e Gorduras (-2,37%) e alimentação Fora do Domicílio (-2,02%).

O grupo Transportes apresentou neste período uma variação positiva de 1,55% em função do aumento de preços nos seguintes itens: Combustíveis (2,82%), Veículo Próprio (1,83%) e Transporte Público (0,64%). Já o grupo Educação teve uma variação positiva de 0,80% em função do aumento de preço nos itens de Papelaria (4,05%) e Cursos (0,02%).

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário