Para uma família de quatro pessoas, valor da cesta básica alcançou R$ 2.392,36 em outubro | Foto: Adriano Abreu
A cesta básica em Natal
registrou alta de 0,55% em outubro de acordo com levantamento feito pela Idema,
puxada por produtos como o óleo, que apresentou a maior variação no mês, com
elevação de 37,92%; leite (alta de 12,7% e margarina (2,54%); carne de boi
(2,2%), legumes (1,2%) e café (com variação de 1,04%). Ao todo, seis dos 13
produtos avaliados fecharam o mês com preços mais elevados. Nas despesas com os
produtos essenciais, o custo com a alimentação por pessoa na capital foi de R$
598,09 no mês passado.
A TRIBUNA DO NORTE esteve em um supermercado no bairro da Redinha, na zona Norte de Natal, nesta quinta-feira (13) para observar como estão os preços dos produtos que apresentaram as maiores variações no mês passado. O óleo de soja mais caro estava sendo vendido a R$ 10,49. O leite UHT desnatado chegava a R$ 10,48, enquanto o leite em pó integral custava R$ 35,98 o pacote com valor mais alto. O item, no entanto, estava na prateleira com preço promocional de R$ 27,98. A margarina de 500 g mais cara era vendida a R$ 6,98.
A dona de casa Giltânia
Ildefonso, de 38 anos, conta que os preços mais salgados impactam diretamente o
bolso, especialmente porque ela tem uma filha de um ano e nove meses que faz
uso de leite e massas, como farinha láctea. “Não tem como deixar de comprar
esses produtos, então, eu procuro os dias de oferta e as marcas que estão mais
em conta”, relata.
Para a cozinheira Patrícia
Fernandes, de 40 anos, a opção para fugir dos altos preços é reduzir o consumo.
“Esses produtos que estão mais caros são itens que eu consumo bastante, então,
o jeito é comprar menos”, comenta.
O economista Ricardo Valério
avalia que a variação da cesta básica no mês passado na capital é modesta se
comparada a outras ocasiões. Ele explica que o aumento no preço do óleo tem
relação com o aumento das exportações da soja brasileira para mercados como
China e México. “Desse modo, os preços das commodities nas alturas têm levado
também à alta de preços para o consumo interno”, afirma Valério.
Sobre o leite e a margarina, o
economista pontua que o aumento faz parte de uma sazonalidade ligada ao período
de final de ano, época marcada pelos meses de seca, os quais consequentemente
geram despesas extras para a cadeia leiteira. Para os próximos meses, Ricardo
Valério analisa que a tendência é de queda no preço do óleo e de estabilidade
para produtos da cadeia de laticínios.
Variação negativa
De acordo com o Idema, para
uma família constituída por quatro pessoas, o valor da cesta básica em Natal
alcançou R$ 2.392,36 em outubro. Se a essa quantia fossem adicionados os gastos
com vestuário, despesas pessoais e transportes, dentre outros, o dispêndio
total seria de R$ 7.377,13. O levantamento do Idema aponta também que sete dos
13 itens pesquisados tiveram variação negativa no período. São eles: arroz
(-8,78%), farinha (-7,60%), frutas (-5,78%), pão (-2,75%), feijão (-2,14%),
açúcar (-2,04%) e tubérculos (-1,78%).
Segundo o economista Ricardo
Valério, as reduções estão relacionadas ao comportamento do Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), que registra leve baixa pela quinta vez consecutiva.
“Há uma tendência natural dos alimentos em geral (exceto os produtos ligados à
época natalina e que estão fora da cesta básica) continuarem com essa queda em
novembro e dezembro, porque a gente observa reduções de preços no Brasil por
cinco IPCAs seguidos em função da cifra recorde de mais de 357 milhões de
toneladas de alimentos e graças à produtividade do nosso agronegócio”, disse.
Índice de Preços
O Índice de Preços ao
Consumidor (IPC), calculado pelo Idema através da Coordenadoria de Estudos
Socioeconômicos (CES/Seplan) para Natal, registrou em outubro uma variação
positiva de 0,24% em relação ao mês anterior. Com o resultado, a variação no
ano ficou em 3,92%, nos últimos 12 meses (novembro/2024 a outubro/2025).
O grupo Alimentação e Bebidas,
que responde por 32,43% do índice geral em termos de participação no orçamento
familiar, apresentou uma variação negativa de -0,24% em relação ao mês
anterior. Os itens que mais contribuíram para essa queda de preços foram os
Enlatados (-4,99%), Hortaliças (-3,90%), Frutas (-3,48%), Leites e Derivados
(-3,33%), Óleos e Gorduras (-2,37%) e alimentação Fora do Domicílio (-2,02%).
O grupo Transportes apresentou
neste período uma variação positiva de 1,55% em função do aumento de preços nos
seguintes itens: Combustíveis (2,82%), Veículo Próprio (1,83%) e Transporte
Público (0,64%). Já o grupo Educação teve uma variação positiva de 0,80% em
função do aumento de preço nos itens de Papelaria (4,05%) e Cursos (0,02%).

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