“Se não votarem a anistia, nós
vamos parar o Congresso. Hoje temos maioria para isso. Não queríamos dar
prejuízo ao País, evidentemente que não, mas nós vamos ter que parar, porque
nós não temos outra arma, e nós temos que fazer alguma coisa”, declarou.
Questionado se o PL estaria
disposto a ceder em algum ponto do projeto para viabilizar sua aprovação – já
que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rejeita a anistia
“ampla, geral e irrestrita” -, Valdemar respondeu que não.
Ainda na entrevista, o
dirigente evitou dizer se concorda com a declaração do governador de São Paulo,
Tarcísio de Freitas (Republicanos), que chamou o ministro Alexandre de Moraes,
do Supremo Tribunal Federal (STF), de “tirano” durante manifestação bolsonarista
do último domingo.
“Meu advogado me orientou a
não atacar nenhum ministro do Supremo e ele tem razão nisso, nós temos que
respeitar o Supremo, mas é uma loucura o que está acontecendo”, disse,
classificando a reação de Tarcísio como “natural”.
Valdemar ainda afirmou ter
adorado ver a bandeira dos Estados Unidos estendida durante a manifestação de 7
de Setembro, Dia da Independência, na Avenida Paulista. A presença da bandeira
foi criticada pelo pastor Silas Malafaia, que levantou a hipótese de ter sido
“armação da esquerda”.
“(Não foi um erro), pelo
contrário, porque nós temos esperança de que o Trump possa ajudar o Bolsonaro”,
explicou Valdemar. “Adorei quando vi a bandeira americana na rua. Por quê? (…)
Isso vai chegar para o Trump, para ele ver que o povo brasileiro não é contra
os americanos, que nós os queremos do nosso lado, e precisamos dele hoje,
porque não temos a quem recorrer.”
Ao ser perguntado se repetirá
com Bolsonaro a estratégia do PT em 2018, que registrou a candidatura de Lula
mesmo preso, Valdemar afirmou que o partido aposta na anistia para reabilitar o
ex-presidente. Acrescentou, porém, que, caso ele não possa disputar, caberá ao
próprio Bolsonaro definir o substituto e o vice.
Romário
O presidente do PL também
descartou a expulsão do senador Romário (PL-RJ), hostilizado na manifestação da
Paulista por não apoiar o impeachment de Alexandre de Moraes. Disse que o PL,
com 15 senadores, perderia força sem ele, já que muitas votações no Congresso
dependem da maior bancada.
“Já falei com o Romário. Ele
disse que se dava muito com o Alexandre de Moraes, que sempre o tratou com
atenção e carinho, e que por isso não poderia assinar (o impeachment). Ele me
deu uma satisfação. Assim como o Ciro Nogueira, que também não assinou por ser
muito amigo do Alexandre”, afirmou. “Temos que respeitar a posição pessoal de
cada um. O Romário já está na marcação da torcida não é de agora.”
Segundo Valdemar, o partido
ainda vai conversar com o senador sobre seu futuro na legenda, para entender se
ele deseja permanecer na sigla. “Nós, tecnicamente, precisamos dele no partido.
Eu não ia explicar isso no microfone, lá na Paulista”, disse.
Valdemar também foi
questionado sobre o xadrez do Senado em São Paulo diante da possibilidade de o
deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não voltar ao País. Para ele, o
vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, seria uma “boa ideia” e conta
com apoio dentro do partido. O dirigente citou ainda o pastor Marco Feliciano
(PL-SP) e o deputado federal Cezinha de Madureira (PSD-SP).
Estadão Conteúdo

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