O multi-instrumentista foi uma
das principais atrações do MIMO na edição deste ano no Rio de Janeiro, em 19 de
junho, e tocou no Circo Voador com seu grupo de longa data: Itiberê Zwarg,
André Marques, Jota P., Fabio Pascoal e Ajurinã Zwarg.
O show foi sua última
apresentação no Brasil e aconteceu três dias antes de completar 89 anos.
Em agosto, Hermeto Pascoal
ainda participou da parceria entre o MIMO e o tradicional Jazz in Marciac, que
levou músicos brasileiros para a França e trouxe franceses para o Brasil, como
parte da Temporada Brasil-França 2025.
O músico tinha apresentação
marcada para o dia em que morreu, no Festival Acessa BH. O cancelamento do
show já havia sido anunciado na última terça-feira (9), por questões de saúde.
MIMO Olinda
Logo nos primeiros minutos em
que a morte do gênio da música nacional foi divulgada nas redes sociais, o
público recebeu a notícia da idealizadora e diretora artística do festival, Lu
Araújo, que pediu para que a plateia festejasse seu trabalho e memória, sem
tristeza.
A mensagem foi na mesma linha
da que divulgou a morte de Pascoal, assinada pela família e equipe:
“Como ele sempre nos ensinou,
não deixemos a tristeza tomar conta: escutemos o vento, o canto dos pássaros, o
copo d’água, a cachoeira, a música universal segue viva.”
Antes do início das
apresentações no palco principal do MIMO de Olinda, seu nome voltou a ser
mencionado pelas atrações da noite, com direito a gritos de “Hermeto,
presente”.
Ao se apresentar na noite de
sábado, a cantora potiguar Juliana Linhares, também dedicou seu show
do álbum Nordeste Ficção a Hermeto Pascoal, a quem homenageou antes
de cantar Tareco e Mariola.
Imortalizada por Flávio José,
a música fala da resistência dos artistas nordestinos:
“Eu me criei
Matando a fome com tareco e mariola
Fazendo verso dedilhado na viola
Por entre os becos do meu velho vassoural”, diz o refrão.
Também nas redes sociais o
MIMO publicou um agradecimento a Hermeto Pascoal, afirmando que “o céu está em
festa”
“Já estamos com saudades, mas
ele segue vivo em sua obra gigante, em sua genialidade, em sua capacidade única
de transformar tudo em som e poesia universal. Sua música transcenderá o tempo,
continuará ecoando em nossos palcos, corações e memórias, inspirando gerações.
Hermeto foi gênio sem igual na música mundial.Nossos sentimentos a toda essa
imensa família que ele deixou neste plano. Obrigado, mestre Hermeto”.
Virtuose
Nascido em Lagoa da Canoa, em
Alagoas, em 1936, Hermeto é um dos nomes mais respeitados na música brasileira,
conhecido por tirar música de qualquer objeto, usando água, panelas, garrafas,
brinquedos e até o próprio corpo como instrumentos.
Ganhou reconhecimento
internacional nos anos 1970, ao colaborar com Miles Davis, e já venceu o Grammy
Latino de melhor álbum de música de raízes em língua portuguesa.
O velório do artista será
realizado nesta segunda-feira (15), na Areninha Cultural Hermeto Pascoal, em
Bangu, no Rio de Janeiro. A cerimônia será aberta ao público das 14h às 21h.
*O repórter viajou para Olinda
a convite da organização do MIMO Festival

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