As oficinas estão sendo
realizadas desde o semestre passado, com produção do Ateliê Santa Catarina. A
pesquisadora Catarina Santos, que idealizou o projeto no âmbito do seu Trabalho
de Conclusão de Curso em Pedagogia, explica que o trabalho foi desenvolvido em
três etapas. Primeiro, os alunos criaram mapas mentais baseados na teoria do
sociólogo Pierre Lévy, para refletir sobre identidade e interesses. Em seguida,
experimentaram a interação com o ChatGPT na sala de informática, pesquisando
temas ligados à fotografia e à cultura. Por fim, integraram os aprendizados em
atividades artísticas, utilizando tablets, câmeras e recursos digitais
disponíveis na escola.
Catarina destacou que o
projeto busca mostrar aos estudantes como a IA pode ser usada não como autora
de ideias, mas como recurso educativo e criativo. “A proposta se baseia em
apresentar às crianças e adolescentes ferramentas tecnológicas atreladas a uma
pesquisa cultural, para que percebam a inteligência artificial não como autora
de uma teoria, mas como recurso de pesquisa e criação”, explicou.
Ela diz que foi essencial que
os estudantes entendessem a IA como uma ferramenta de apoio. “Eles interagiram
com a Inteligência Artificial, sempre acompanhados de reflexões sobre como a
tecnologia pode ser incorporada à aprendizagem”, acrescentou.
Foto: Adriano Abreu
Foto: Adriano Abreu
Foto: Adriano Abreu
Foto: Adriano Abreu
Foto: Adriano Abreu
A diretora pedagógica da
instituição, Cíntia Oliveira, destaca que a iniciativa dialoga diretamente com
a proposta de ensino em tempo integral, adotada pela escola desde 2024. “Esse
projeto casa completamente com o que a gente pensa do que é educação. Não é
apenas dar o conteúdo programático, mas levar para a vida do aluno”, enfatiza.
Segundo ela, cerca de 50 alunos participam das atividades, divididos entre uma
turma do 6º ano regular e outra de correção de fluxo. “Trabalhar a Inteligência
Artificial com estudantes tão jovens gerou uma aprendizagem significativa”,
afirma.
Os resultados, segundo diz, já
podem ser sentidos dentro e fora da sala de aula. “Alguns que não conheciam a
inteligência artificial hoje conseguem usar. Houve produção de textos a partir
de imagens buscadas pela IA e percebemos que a curiosidade despertou um
interesse real pela aprendizagem”, relata Cíntia.
O entusiasmo dos alunos
confirma a avaliação. Eles relatam que a experiência representou uma
descoberta. Luiz Otávio, de 12 anos, destacou que passou a usar o recurso
também em casa. “Descobri várias utilidades, para criação de imagens e
pesquisas para trabalhos. Até meus pais ficaram mais informados e começaram a
usar também”, contou.
Além da IA, os alunos tiveram
acesso a equipamentos como câmera fotográfica. A estudante Manuele Arruda, de
11 anos, lembra do impacto do primeiro contato. “Foi bem legal. Eu comecei a
pesquisar várias coisas e me interessei bastante. Também foi a primeira vez que
manuseei uma câmera fotográfica e gostei muito.”
Já para Weslley Expedito, de
11 anos, a ferramenta se tornou um meio para explorar suas paixões. “Eu amei
conhecer o ChatGPT. Estava pesquisando sobre o hip hop e descobri coisas que
não sabia. Também usei para ciências e natureza. No começo fiquei confuso, mas
depois fui melhorando”, conta.
Com a conclusão das primeiras
oficinas, a Escola João XXIII levou para os corredores cartazes, murais e
produções visuais que sintetizam o percurso vivido pelos alunos, criando uma
mostra simbólica de como a tecnologia, quando trabalhada de forma consciente,
pode dialogar com a educação e abrir caminhos para novas formas de aprender e
ensinar. O aluno Fabrício da Silva Rodrigues, de 11 anos, ressaltou o impacto
prático. “O que gostei foi poder aprender mais e saber que existe. Quando a
professora pergunta alguma coisa, a gente já pesquisa e responde sabendo”,
afirmou.
O projeto foi vencedor do
edital público da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura
(PNAB-Natal) e tem apoio da Prefeitura do Natal, por meio da Fundação Capitania
das Artes (Funcarte), além da realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Tribuna do Norte

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