sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Projeto une inteligência artificial e educação em escola pública de Natal

Alunos da Escola Municipal João XXIII, no bairro do Alecrim, em Natal, estão aprendendo novas formas de aprender e se expressar usando recursos de Inteligência Artificial (IA) por meio do projeto “Deus Ex Machina: Inteligência Artificial, Novas Mídias e Arte nas Escolas”. A iniciativa reúne arte, tecnologia e educação não apenas para pesquisas escolares, mas também para o dia a dia e até compartilhamento do aprendizado com familiares.

As oficinas estão sendo realizadas desde o semestre passado, com produção do Ateliê Santa Catarina. A pesquisadora Catarina Santos, que idealizou o projeto no âmbito do seu Trabalho de Conclusão de Curso em Pedagogia, explica que o trabalho foi desenvolvido em três etapas. Primeiro, os alunos criaram mapas mentais baseados na teoria do sociólogo Pierre Lévy, para refletir sobre identidade e interesses. Em seguida, experimentaram a interação com o ChatGPT na sala de informática, pesquisando temas ligados à fotografia e à cultura. Por fim, integraram os aprendizados em atividades artísticas, utilizando tablets, câmeras e recursos digitais disponíveis na escola.

Catarina destacou que o projeto busca mostrar aos estudantes como a IA pode ser usada não como autora de ideias, mas como recurso educativo e criativo. “A proposta se baseia em apresentar às crianças e adolescentes ferramentas tecnológicas atreladas a uma pesquisa cultural, para que percebam a inteligência artificial não como autora de uma teoria, mas como recurso de pesquisa e criação”, explicou.

Ela diz que foi essencial que os estudantes entendessem a IA como uma ferramenta de apoio. “Eles interagiram com a Inteligência Artificial, sempre acompanhados de reflexões sobre como a tecnologia pode ser incorporada à aprendizagem”, acrescentou.

Interface gráfica do usuário, Aplicativo, Teams

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto: Adriano AbreuUma imagem contendo pessoa, grupo, criança, jovem

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Foto: Adriano AbreuGrupo de pessoas sentadas ao redor de um computador

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Foto: Adriano AbreuPessoas na frente de um laptop

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Foto: Adriano AbreuPessoas em frente a computador

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Foto: Adriano Abreu

A diretora pedagógica da instituição, Cíntia Oliveira, destaca que a iniciativa dialoga diretamente com a proposta de ensino em tempo integral, adotada pela escola desde 2024. “Esse projeto casa completamente com o que a gente pensa do que é educação. Não é apenas dar o conteúdo programático, mas levar para a vida do aluno”, enfatiza. Segundo ela, cerca de 50 alunos participam das atividades, divididos entre uma turma do 6º ano regular e outra de correção de fluxo. “Trabalhar a Inteligência Artificial com estudantes tão jovens gerou uma aprendizagem significativa”, afirma.

Os resultados, segundo diz, já podem ser sentidos dentro e fora da sala de aula. “Alguns que não conheciam a inteligência artificial hoje conseguem usar. Houve produção de textos a partir de imagens buscadas pela IA e percebemos que a curiosidade despertou um interesse real pela aprendizagem”, relata Cíntia.

O entusiasmo dos alunos confirma a avaliação. Eles relatam que a experiência representou uma descoberta. Luiz Otávio, de 12 anos, destacou que passou a usar o recurso também em casa. “Descobri várias utilidades, para criação de imagens e pesquisas para trabalhos. Até meus pais ficaram mais informados e começaram a usar também”, contou.

Além da IA, os alunos tiveram acesso a equipamentos como câmera fotográfica. A estudante Manuele Arruda, de 11 anos, lembra do impacto do primeiro contato. “Foi bem legal. Eu comecei a pesquisar várias coisas e me interessei bastante. Também foi a primeira vez que manuseei uma câmera fotográfica e gostei muito.”

Já para Weslley Expedito, de 11 anos, a ferramenta se tornou um meio para explorar suas paixões. “Eu amei conhecer o ChatGPT. Estava pesquisando sobre o hip hop e descobri coisas que não sabia. Também usei para ciências e natureza. No começo fiquei confuso, mas depois fui melhorando”, conta.

Com a conclusão das primeiras oficinas, a Escola João XXIII levou para os corredores cartazes, murais e produções visuais que sintetizam o percurso vivido pelos alunos, criando uma mostra simbólica de como a tecnologia, quando trabalhada de forma consciente, pode dialogar com a educação e abrir caminhos para novas formas de aprender e ensinar. O aluno Fabrício da Silva Rodrigues, de 11 anos, ressaltou o impacto prático. “O que gostei foi poder aprender mais e saber que existe. Quando a professora pergunta alguma coisa, a gente já pesquisa e responde sabendo”, afirmou.

O projeto foi vencedor do edital público da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB-Natal) e tem apoio da Prefeitura do Natal, por meio da Fundação Capitania das Artes (Funcarte), além da realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Tribuna do Norte

Nenhum comentário:

Postar um comentário