De acordo com a pesquisa da
Scanntech, além do frango, a média de preços registrou queda no Nordeste de
-1,3% para a carne suína; de -1,0% para o café e de -0,6% para a carne bovina.
Já no País, o cenário foi o seguinte: café -4,6%, carne suína -1,2% e carne
bovina -0,8%.
O tarifaço americano começou a
valer no dia 6 de agosto deste ano. Felipe Passareli, head de Inteligência de
Mercado da Scanntech Brasil, afirma que não existe uma explicação única para a
variação, uma vez que ela costuma oscilar, a depender do tipo de produto, marca
e até do canal de venda. Ele frisa, entretanto, que a análise feita indica uma
relação clara com o tarifaço americano, uma vez que após a taxação houve um
redirecionamento da produção para o mercado interno.
“Como os EUA são um dos
principais destinos da exportação de frango, carnes e café, a imposição da
tarifa de 50% fez com que muitos produtores suspendessem ou reduzissem os
embarques para aquele mercado. Sem conseguir redirecionar de imediato essa
produção para outros países, houve um excesso de oferta no Brasil. Então, esse
aumento repentino de disponibilidade, sem uma correspondente expansão da
demanda interna, acabou pressionando os preços para baixo no varejo”, avalia
Passareli.
O economista Robespierre do Ó
concorda, mas aponta que o aumento no preço do frango em Natal, ao contrário do
restante do Brasil, pode estar relacionado com o fato de que parte das empresas
que atendem o mercado local não enviam o produto para o exterior. “É difícil
falar com exatidão as causas desse aumento, mas uma das explicações é que
algumas empresas que atendem o nosso mercado não enviam para os EUA”, disse o
economista.
Mikelyson Gois, presidente da
Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), também faz uma
ligação direta da redução de preços na maioria dos produtos analisados com a
taxação americana. “A inviabilização das exportações gerou um excedente desses
produtos no mercado local, o que fez os preços baixarem”, aponta.
Entre os consumidores, a
redução é motivo de comemoração. A coordenadora escolar Maria de Fátima Silva,
58, disse que notou a queda nos preços e, consequentemente, um alívio no bolso
na hora de ir às compras.
“Isso tem facilitado bastante
o nosso dia a dia. Para mim, essa retração de preços é muito satisfatória”,
falou. A comerciante Iara Cely também comemorou a baixa nos preços. “Tem sido
ótimo e me ajuda a segurar os preços dos produtos para os meus clientes. Espero
que continue assim”, comentou ela, que trabalha com venda de comida.
De acordo com o Procon Natal,
produtos do hortifruti também registraram queda em agosto na capital. Os
destaques foram a cebola branca (-37,67%), o tomate (-34,20%), batata comum
(-11,48%) e a batata-doce (-3,75%). O preço médio da cesta básica para o mês em
Natal ficou em R$ 437,79, o que significa variação negativa de (-2,03%) em
relação ao mês anterior, onde o preço médio era de R$ 446,69.
Cenário passageiro
Para as fontes ouvidas pela
reportagem, o cenário de queda é passageiro. “É uma situação que já começa a
voltar ao patamar de antes. Existe uma incógnita muito grande em relação ao
futuro, mas nós não temos uma expectativa de baixa. Na verdade, o comportamento
do mercado para cada produto é quem vai dizer como serão as próximas variações.
A gente vai ficar dependente das negociações dos países e também da
possibilidade de transferência de parte dos custos operacionais ou não. Então,
tudo ainda é uma interrogação”, afirma Mikelyson, da Assurn. Já para
Robespierre do Ó, o cenário agora tende a ser de acomodação de preços.
Felipe Passareli, da
Scanntech, analisa que o alívio tende a ser temporário. Para ele, a redução
reflete um desequilíbrio conjuntural, com o crescimento da oferta de produtos
que não encontraram mercado externo. “O excedente ajuda a baratear produtos sensíveis
no curto prazo, mas também cria preocupações para a indústria e para os
produtores, que veem margens pressionadas e estoques mais altos. O que deve
acontecer nos próximos meses vai depender de três grandes variáveis: se haverá
uma recomposição nas exportações para os EUA; se novos destinos absorverão esse
volume; e se a produção interna será ajustada à nova realidade”, explica.
“Caso esses fatores se
confirmem, é provável que os preços retornem gradualmente aos patamares
anteriores. Outro ponto é que a própria dinâmica de consumo pode influenciar
também o que veremos nos próximos meses. Produtos mais baratos tendem a
estimular vendas, o que ajuda a reequilibrar oferta e demanda, reduzindo a
pressão de queda. Por isso, embora haja espaço para que o consumidor ainda
encontre preços menores em categorias no curto prazo, a expectativa é de
estabilização”, acrescenta Passareli.
De acordo com a pesquisa, o
peixe foi o único item analisado que apresentou desempenho contrário em agosto,
com aumento de 1% no Nordeste e de 2% no Brasil.
Tribuna do Norte

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