Operadores de data centers
estão investindo em infraestrutura de ponta para acompanhar a crescente demanda
de inteligência artificial (IA). No entanto, muitos ainda dependem de processos
de manutenção ultrapassados para gerenciar equipamentos críticos, de servidores
a sistemas de refrigeração e unidades de energia. Esse descompasso se torna
cada vez mais arriscado diante do aumento do consumo energético, da escassez de
profissionais capacitados, de regulações ambientais mais rígidas e do risco
elevado de custos e paralisações inesperadas.
É nesse contexto que a
Manutenção Baseada em Condição (CBM) deixou de ser opcional e passou a ser
indispensável para qualquer data center que deseja se manter competitivo,
resiliente e sustentável. Modelos tradicionais de suporte, baseados em tempo ou
em respostas a falhas, já não acompanham a velocidade da transformação
tecnológica. Eles geram paradas desnecessárias, uso ineficiente de recursos,
gastos mais altos e até penalidades de conformidade. Mais grave do que isso:
deixam os data centers vulneráveis e a ponto de perderem sua vantagem
competitiva em um mercado que avança rapidamente rumo a soluções preparadas
para IA.
À medida que crescem em
tamanho físico, adotam novas tecnologias e se expandem globalmente, os centros
de dados formam ecossistemas complexos de ativos que exigem monitoramento
sofisticado. O uso intensivo de aplicações de IA amplia ainda mais a pressão sobre
a gestão de cargas e a confiabilidade dos componentes. Em setores críticos como
finanças, saúde e comércio eletrônico, uma simples falha pode gerar prejuízos
financeiros e danos reputacionais irreversíveis.
De acordo com o Uptime
Institute, o custo médio do tempo de inatividade em TI varia de US$ 5.600 a US$
9.000 por minuto, podendo ultrapassar US$ 1 milhão em alguns casos. Somado a
isso, a falta de mão de obra qualificada é um problema persistente: em 2024,
51% dos operadores relataram dificuldade para preencher vagas, pelo terceiro
ano consecutivo. O mesmo instituto aponta que erros humanos estão presentes em
mais de 66% dos erros de data centers.
Logo, a saída é clara:
implementar um modelo sistêmico de CBM apoiado por IA. Esse sistema oferece uma
visão holística de gestão técnica que cobre todo o ciclo de vida dos ativos,
desde consultoria e design, passando pela digitalização e análise orientada por
dados, até a execução de modernizações. Mais do que substituir o calendário por
sensores, trata-se de uma transição de modelo: da operação reativa para uma
estratégia inteligente, guiada pela condição real das máquinas.
Na prática, tudo se resume a
dados. Sensores coletam informações em tempo real sobre temperatura, vibração,
pressão e desgaste, enquanto algoritmos de análise preditiva - muitas vezes
suportados por IA e machine learning - antecipam anomalias para
evitar interrupções graves. Isso permite programar manutenções somente quando
necessário, bem como prolongar a vida útil dos ativos e diminuir o risco de
incidentes inesperados.
O impacto da CBM apoiada por
IA já é mensurável. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a
manutenção orientada por IA pode reduzir em 20% o investimento e o tempo de
inatividade. Esse potencial começa a se confirmar em estudos recentes da Schneider
Electric, que indicam até 40% menos intervenções presenciais, 20% de queda nos
encargos operacionais e diminuição de até 75% no risco de paralisações não
planejadas. Os resultados obtidos são amplificados por soluções como o EcoStruxure™
Asset Advisor, que une monitoramento remoto e IA para embasar decisões de
manutenção mais rápidas, precisas e alinhadas às metas de eficiência e
sustentabilidade.
Um fator crucial a ser
considerado é que a CBM possibilita intervenções mais precisas, minimizando o
risco de erro humano. Com o tempo, as operações não apenas funcionam melhor,
mas também aprendem continuamente, refinando seu desempenho a cada novo dado
coletado. Ainda assim, nem mesmo a tecnologia mais avançada substitui a
intuição e a criatividade humanas: a IA faz o trabalho pesado, porém o feedback
humano continua essencial para interpretar eventos e resolver questões
complexas.
A mensagem para os líderes de
data centers é de que o futuro exige a CBM. Sem essa abordagem, os riscos se
multiplicam com paradas custosas, perda de competitividade e dificuldade em
cumprir metas de sustentabilidade. Em contrapartida, aqueles que abraçarem essa
mudança estarão em posição de destaque, operando de forma mais eficiente,
resiliente e preparada para enfrentar os desafios da próxima década.
*Luis Cuevas é diretor da
Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil
Por: RPMARemetente: Jaqueline Nunes jaqueline.nunes@rpmacomunicacao.com.brTelefone: (11) 5501-4655

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