Além de eventual fluxo
externo, com a perspectiva de aumento da atratividade do carry trade diante da
provável redução de juros nos Estados Unidos na semana que vem, operadores
afirmam que o real se beneficiou de um movimento de retirada de prêmios de risco
no câmbio.
Investidores estariam
desfazendo posições defensivas na ausência de novas sanções do governo
norte-americano de Donald Trump ao Brasil após a condenação do ex-presidente da
República Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A perspectiva de alinhamento
das forças mais à direita do espectro político em torno do nome do governador
de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na corrida presidencial de 2026 também teria
contribuído para o recuo do dólar. Por ora, Tarcísio não fez críticas à decisão
do STF nem voltou a pregar a favor da anistia a Bolsonaro, reduzindo os temores
de um confronto direto com a Suprema Corte.
Após mínima de R$ 5,3452, à
tarde, o dólar à vista terminou o pregão em queda de 0,71%, a R$ 5,3541 – menor
valor de fechamento desde 7 de junho de 2024 (R$ 5,3247). A divisa encerra a
semana com perda de 1,08%, o que leva a desvalorização em setembro a 1,25%. No
ano, recua 13,37% em relação ao real, que tem o melhor desempenho entre divisas
latino-americanas.
O economista sênior do Banco
Inter, André Valério, ressalta que o real é uma das poucas divisas emergentes a
se apreciar nesta sexta. Ele atribui o movimento a uma combinação de maior
atratividade do carry trade com as expectativas para a corrida eleitoral de
2026.
“A condenação do ex-presidente
Bolsonaro pelo STF torna o cenário eleitoral mais claro, fortalecendo potencial
candidatura do Tarcísio, que é bem-vista pelo mercado”, afirma Valério, que vê
continuidade da tendência de apreciação do real. “O Fed irá cortar a taxa de
juros em 25 pontos-base na quarta-feira e sinalizar uma sequência de cortes,
favorecendo a posição de carry do real.”
Já o economista-chefe da Nova
Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, chama a atenção para um possível efeito
do leilão de linha do Banco Central (BC) realizado nesta sexta sobre a dinâmica
do mercado de câmbio local. “Eu acho que a rolagem da linha teve efeito porque
havia relatos de que o dólar pronto estava pressionado. Se fosse a questão
eleitoral, a bolsa e os juros futuros deveriam estar bem também”, afirma
Borsoi.
Pela manhã, o BC vendeu a
oferta integral de US$ 1 bilhão em leilão de linha para rolar o vencimento de 2
de outubro. Foi aceita apenas uma proposta. A operação de recompra será
liquidada em 3 de março de 2026.
Lá fora, o Índice Dólar (DXY)
operou em ligeira alta e rondava os 97,642 no fim da tarde. O Dollar Index
termina a semana – marcada por dados de inflação nos EUA – com leve queda. As
principais divisas emergentes pares do real operam em baixa, à exceção do peso
mexicano, que sobe pouco mais de 0,10%.
A perspectiva é de que o dólar
continue a se enfraquecer com o início, na próxima quarta-feira, 17, de um
ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central
norte-americano). Analistas alertam, porém, que a queda tende a ser menos
intensa do que a observada até o momento, uma vez que o Dollar Index já recua
10% no ano.
Estadão Conteúdo

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