O custo da cesta básica registrou uma redução de 2,77% em Natal no mês de agosto. Dos treze produtos analisados, oito tiveram variações negativas, ficando as maiores quedas por conta do óleo (-12,31%) e tubérculos (-11,68%), seguidos por feijão (-6,41%), café (-5,03%), frutas (-3,51%), carne de boi (-2,17%), além de legumes (-1,75%) e açúcar (-1,69%). Os dados são calculados pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN), através da Coordenadoria de Estudos Socioeconômicos – CES.
Em contrapartida, outros cinco
produtos tiveram aumento: arroz (4,85%), margarina (4,30%), leite (3,21%),
farinha (1,33%) e pão (0,98%). Ainda conforme os dados, o custo médio com
alimentação por pessoa em Natal foi de R$ 598,36 em agosto. Para uma família
composta por quatro pessoas, o valor chegou a R$ 2.393,44. Quando somados a
essa quantia os demais grupos de consumo essenciais — como vestuário, despesas
pessoais, transporte, habitação, entre outros — o dispêndio total mensal
estimado para essa família sobe para R$ 7.380,46, um aumento de R$ 210,00
comparado a julho passado.
“Dos 13 produtos, houve uma queda significativa em oito itens da cesta básica
em Natal: óleo, tubérculos, feijão, café, frutas, carne de boi, legume e
acúcar. Todos esses produtos contribuíram para a cesta básica de agosto ter
dado negativa em 2,77%. São produtos que têm um impacto direto na mesa do
consumidor”, explica Azaias Bezerra, secretário-executivo e chefe da equipe
coletora de dados do Idema.
Ele acrescenta que essas variações são influenciadas principalmente pelo clima
e pela safra. “É o período chamado de entressafra, somado às chuvas que
começaram a chegar. Então é uma tendência natural os produtos caírem de preço”,
ressalta.
IPC
Apesar da redução na cesta básica, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC),
também calculado pelo Idema, registrou uma variação positiva de 0,10% para o
mês de agosto de 2025 em relação ao mês anterior. Com este resultado, a
variação no ano ficou em 3,19% e nos últimos doze meses (setembro de 2024 a
agosto de 2025) atingiu 5,02%.
Os dados do IPC mostram que o grupo alimentação e bebidas registrou uma queda
de 1,30% em relação ao mês de julho. O grupo representa 32,43% da composição do
índice geral. Os principais itens que contribuíram para essa queda foram
cereais, leguminosas e oleaginosas (-5,96%), sal e condimentos (-4,56%),
tubérculos, raízes e legumes (-3,67%), hortaliças e verduras (-3,31%), aves e
ovos (-2,39%) e frutas (-2,24%).
Já o grupo transporte teve um aumento de 1,82% no mês de agosto. Os itens que
mais puxaram esse aumento foram combustíveis (veículos, com +5,86%) e veículo
próprio (+0,91%).
Outro grupo com elevação foi o de habitação, que apresentou variação positiva
de 1,11%, impulsionada por aumentos em reparos (1,94%) e artigos de limpeza
(0,61%).
O economista Helder Cavalcanti destaca que o Índice de Preços ao Consumidor
(IPC) reflete as atuais condições econômicas do Brasil. “Há alguns índices que
estão subindo, contrabalanceando esse comportamento, mas que mostram todas as
incertezas, todas essas transformações que estão acontecendo, com a questão das
tarifas, as questões de dólar, a política governamental, que de uma certa
maneira tenta buscar reprimir e segurar a inflação. Tudo isso tem dado um
reflexo grande nas famílias”, explicou.
A variação positiva nos preços em geral no mês de agosto em Natal (0,10%), bem
como a variação acumulada no ano (3,19%) e nos últimos 12 meses (5,02%) vêm
sendo sentidas pelos consumidores da capital potiguar. A aposentada Taynar
Azevedo relata dificuldade em manter hábitos alimentares devido ao preço
elevado. “Não vi queda, parece que ninguém pode mais comer carne, só cheirar.
Muito cara, tive que diminuir a quantidade das coisas que estão mais caras”,
disse enquanto fazia compras em supermercado no bairro do Alecrim.
A percepção é compartilhada pela dona de casa Lúcia Lins, que reconhece a
redução no preço de um dos itens, mas ainda considera a maioria dos produtos
inacessíveis. “Não estou encontrando nada barato, pelo contrário. Agora,
percebi que o óleo realmente caiu. Tinha até deixado de comprar, mas hoje vou
levar, pois está num preço bom. Os outros produtos estão salgados ainda”,
afirma.
O autônomo Lucas Silva destaca os gastos com transporte como um verdadeiro
desafio no orçamento mensal. “Com comida eu nem gasto muito, porque moro
sozinho. Meu problema maior é mesmo com carro; quebra, bota gasolina, só Deus
sabe o sufoco”, contou.
O economista Helder Cavalcanti afirma que o cenário futuro é incerto a partir
dos dados atuais. “Não podemos estabelecer um parâmetro a partir desses dados,
porque tem todo um cenário ainda incerto”. Ele destacou que o desempenho das
exportações e importações será crucial para a economia, já que “quando se
exporta, se produz mais, [geram-se] mais empregos, mais dinheiro circulando,
trazendo um reflexo positivo”. Por outro lado, ele alertou que a queda nas
exportações pode gerar desemprego e “toda uma incerteza no mercado, que tende
se proteger, elevando os preços”, afirma Cavalcanti.

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