terça-feira, 9 de setembro de 2025

Custo da cesta básica em Natal registra redução de 2,77% em agosto

O custo da cesta básica registrou uma redução de 2,77% em Natal no mês de agosto. Dos treze produtos analisados, oito tiveram variações negativas, ficando as maiores quedas por conta do óleo (-12,31%) e tubérculos (-11,68%), seguidos por feijão (-6,41%), café (-5,03%), frutas (-3,51%), carne de boi (-2,17%), além de legumes (-1,75%) e açúcar (-1,69%). Os dados são calculados pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN), através da Coordenadoria de Estudos Socioeconômicos – CES

Em contrapartida, outros cinco produtos tiveram aumento: arroz (4,85%), margarina (4,30%), leite (3,21%), farinha (1,33%) e pão (0,98%). Ainda conforme os dados, o custo médio com alimentação por pessoa em Natal foi de R$ 598,36 em agosto. Para uma família composta por quatro pessoas, o valor chegou a R$ 2.393,44. Quando somados a essa quantia os demais grupos de consumo essenciais — como vestuário, despesas pessoais, transporte, habitação, entre outros — o dispêndio total mensal estimado para essa família sobe para R$ 7.380,46, um aumento de R$ 210,00 comparado a julho passado.

“Dos 13 produtos, houve uma queda significativa em oito itens da cesta básica em Natal: óleo, tubérculos, feijão, café, frutas, carne de boi, legume e acúcar. Todos esses produtos contribuíram para a cesta básica de agosto ter dado negativa em 2,77%. São produtos que têm um impacto direto na mesa do consumidor”, explica Azaias Bezerra, secretário-executivo e chefe da equipe coletora de dados do Idema.

Ele acrescenta que essas variações são influenciadas principalmente pelo clima e pela safra. “É o período chamado de entressafra, somado às chuvas que começaram a chegar. Então é uma tendência natural os produtos caírem de preço”, ressalta.

IPC

Apesar da redução na cesta básica, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), também calculado pelo Idema, registrou uma variação positiva de 0,10% para o mês de agosto de 2025 em relação ao mês anterior. Com este resultado, a variação no ano ficou em 3,19% e nos últimos doze meses (setembro de 2024 a agosto de 2025) atingiu 5,02%.

Os dados do IPC mostram que o grupo alimentação e bebidas registrou uma queda de 1,30% em relação ao mês de julho. O grupo representa 32,43% da composição do índice geral. Os principais itens que contribuíram para essa queda foram cereais, leguminosas e oleaginosas (-5,96%), sal e condimentos (-4,56%), tubérculos, raízes e legumes (-3,67%), hortaliças e verduras (-3,31%), aves e ovos (-2,39%) e frutas (-2,24%).

Já o grupo transporte teve um aumento de 1,82% no mês de agosto. Os itens que mais puxaram esse aumento foram combustíveis (veículos, com +5,86%) e veículo próprio (+0,91%).

Outro grupo com elevação foi o de habitação, que apresentou variação positiva de 1,11%, impulsionada por aumentos em reparos (1,94%) e artigos de limpeza (0,61%).

O economista Helder Cavalcanti destaca que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) reflete as atuais condições econômicas do Brasil. “Há alguns índices que estão subindo, contrabalanceando esse comportamento, mas que mostram todas as incertezas, todas essas transformações que estão acontecendo, com a questão das tarifas, as questões de dólar, a política governamental, que de uma certa maneira tenta buscar reprimir e segurar a inflação. Tudo isso tem dado um reflexo grande nas famílias”, explicou.

A variação positiva nos preços em geral no mês de agosto em Natal (0,10%), bem como a variação acumulada no ano (3,19%) e nos últimos 12 meses (5,02%) vêm sendo sentidas pelos consumidores da capital potiguar. A aposentada Taynar Azevedo relata dificuldade em manter hábitos alimentares devido ao preço elevado. “Não vi queda, parece que ninguém pode mais comer carne, só cheirar. Muito cara, tive que diminuir a quantidade das coisas que estão mais caras”, disse enquanto fazia compras em supermercado no bairro do Alecrim.

A percepção é compartilhada pela dona de casa Lúcia Lins, que reconhece a redução no preço de um dos itens, mas ainda considera a maioria dos produtos inacessíveis. “Não estou encontrando nada barato, pelo contrário. Agora, percebi que o óleo realmente caiu. Tinha até deixado de comprar, mas hoje vou levar, pois está num preço bom. Os outros produtos estão salgados ainda”, afirma.

O autônomo Lucas Silva destaca os gastos com transporte como um verdadeiro desafio no orçamento mensal. “Com comida eu nem gasto muito, porque moro sozinho. Meu problema maior é mesmo com carro; quebra, bota gasolina, só Deus sabe o sufoco”, contou.

O economista Helder Cavalcanti afirma que o cenário futuro é incerto a partir dos dados atuais. “Não podemos estabelecer um parâmetro a partir desses dados, porque tem todo um cenário ainda incerto”. Ele destacou que o desempenho das exportações e importações será crucial para a economia, já que “quando se exporta, se produz mais, [geram-se] mais empregos, mais dinheiro circulando, trazendo um reflexo positivo”. Por outro lado, ele alertou que a queda nas exportações pode gerar desemprego e “toda uma incerteza no mercado, que tende se proteger, elevando os preços”, afirma Cavalcanti.

Tribuna do Norte

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