sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Crianças potiguares com câncer terão desenhos enviados ao espaço

Em meio às lutas diárias contra o câncer, um gesto vindo do espaço reacende sonhos e esperanças de crianças em Natal. Pela primeira vez no Rio Grande do Norte, dois astronautas — o russo Denis Matveev e o iraniano-canadense Eiman Jahangir — visitam crianças em tratamento oncológico.

A visita faz parte do Projeto Internacional Art Rocket, promovido pela Fundação UNITY em parceria com a agência espacial russa Roscosmos. A ação passou pela Policlínica do Alecrim – Setor de Oncologia Pediátrica – nesta quinta-feira (11) e segue nesta sexta-feira (12) na Casa Durval Paiva.

Natal é a 47ª cidade a receber essa atividade. No Brasil, a equipe já passou por Rio de Janeiro, Brasília e, depois de Natal, vai até Foz do Iguaçu.

O objetivo do projeto é inédito: unir crianças com câncer de diferentes partes do mundo para pintarem seus sonhos ao lado de astronautas. Esses desenhos serão aplicados diretamente no exterior de um foguete russo, cuja decolagem está prevista para novembro, com destino à Estação Espacial Internacional (ISS). É o primeiro foguete do mundo a ser lançado com ilustrações infantis estampadas na fuselagem.

A participação brasileira será a maior entre os 11 países já envolvidos no projeto, reunindo mais de 200 pacientes oncológicos apenas em Natal.

Uma imagem contendo pessoa, no interior, mulher, grupo

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Foto: Adriano Abreu

A programação começa com uma apresentação em que os astronautas compartilham suas experiências de vida no espaço, abordando temas como superação, coragem e curiosidade científica. Em seguida, as crianças participam de oficinas criativas para desenharem os seus sonhos, criações que em breve viajarão para além da atmosfera terrestre.

Além da atividade artística, o impacto emocional da visita é evidente. Agnaldo Gerônimo, de 12 anos, tem câncer e desenhou-se com jaleco. “Meu sonho é ser veterinário. Achei muito legal conhecer a vida dos astronautas, o que eles comem, o que eles fazem”, disse enquanto esperava os astronautas para fazer mais perguntas sobre as missões no espaço.

O astronauta americano e cardio-oncologista Eiman Jahangir destaca as melhoras clínicas e o aumento na esperança desses pacientes. “É muito importante para as crianças saberem que existe algo depois do câncer. Porque agora eles estão lidando com muitas coisas e precisam saber que existe algo além do hospital para dar esperança”, relata.

O cosmonauta e herói da Rússia Denis Matveev revela que já existem estudos comprovando a arte-terapia como fator contribuinte para a melhora dos pacientes. “Na avaliação de psicólogos, essa atividade contribui para uma recuperação mais rápida dos pacientes”, explica.

Durante a apresentação, as crianças fazem muitas perguntas: “Muitos não acreditam que eu fui para o espaço, mas depois eles acreditam e ficam muito felizes”, disse Eiman Jahangir.

Quando as crianças descobrem que participaram da criação ao lado de milhares de outras crianças com câncer ao redor do mundo, elas percebem que fazem parte de algo grande e não estão sozinhas. “Tenho visto o sorriso no rosto das crianças e a melhora na saúde delas depois das atividades”, relata Denis Matveev.

Em alguns casos, o desejo a ser desenhado no papel acabou de ser realizado. “O sonho dela era ver um astronauta pertinho dela. Ela já realizou o sonho”, disse Célia Silva, mãe de uma paciente.

Alena Kuzmenko, presidente da Fundação UNITY, reitera a importância da ação no processo de cura: “Muitas vezes as crianças não creem que podem se curar do câncer, então quando algo que parecia impossível acontece, como a visita dos astronautas, mostra que coisas inesperadas são possíveis”, disse.

Luiza Soares é mãe de um paciente de 14 anos. “Ele não pode sair quando está fazendo o tratamento. Então é uma forma de ele se divertir um pouco, mesmo passando por um momento difícil”, disse ao lado do filho que passa por um tratamento oncológico.

O professor Júlio Rezende, da UFRN, coordenador do projeto Habit Marte e responsável por organizar a vinda dos astronautas ao Brasil, destacou um fator de identificação: “Tanto os pacientes de câncer quanto os astronautas passam por momentos de isolamento da família e amigos”.

Os voluntários usam bandanas com desenhos de crianças ao redor do mundo, que já fizeram seus desenhos para o projeto. Se curar do câncer, viajar para o espaço e até rever a família estão entre os sonhos mais comuns.

A realização desses eventos no Brasil acontece em um momento especialmente simbólico: o Setembro Dourado, mês voltado à conscientização sobre o câncer infantil e à importância do diagnóstico precoce. Identificar a doença nas fases iniciais pode elevar as chances de sobrevivência para 70% ou mais.

Tribuna do Norte

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