““É claro que nesse meio
tempo, os seus cúmplices, aqueles que estavam do seu lado quando esse crime foi
perpetrado, as pessoas que recepcionaram os recursos, as pessoas que foram
beneficiadas, certamente nesse meio tempo tiveram acesso ao senhor Antônio
Oliveira e ele simplesmente desistiu de vir à CPMI”, alertou Marinho, que é
membro suplente da CMPI, mas vem acompanhando as investigações.
Para Marinho, o “Careca do INSS tentou se esconder e fugir do depoimento, mas a
verdade vai alcançá-lo”, porque a CPMI “não vai parar até expor quem saqueou,
seguir o dinheiro e devolver justiça aposentados, roubar velhinhos é um crime
hediondo e não ficará impune”.
Já o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) disse que,
na visão, o “Careca do INSS do abandonado e vai contar tudo”, por isso sua
recusa e, comparecer para prestar depoimento, na tarde de segunda-feira (15),
em Brasília.
Os advogados do investigado informaram que ele não compareceria ao depoimento.
Preso na sexta-feira (12) pela Polícia Federal, Antônio Carlos Camilo foi
beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe permite
não comparecer à reunião.
O senador Carlos Viana classificou como “lamentável” a ausência do investigado,
que é considerado o facilitador de um esquema de desvios de dinheiro de
aposentadorias e pensões do INSS.
“Perdemos a oportunidade de ouvir hoje um dos principais investigados no
escândalo que desviou recursos dos aposentados. É lamentável, mas a comissão
seguirá trabalhando para que a verdade venha à tona e os culpados sejam
responsabilizados”, diz nota de Viana.
Mesmo com a recusa do empresário de comparecer à CPMI, Carlos Viana afirmou que
o colegiado vai continuar com as investigações se valendo da quebra dos sigilos
fiscal e telefônico.
“Nós já temos as entradas e saídas de Antônio Caso Camiloe queremos saber
detalhadamente quais os países que ele foi, porque ele escondeu dinheiro no
exterior, as investigações caminham para esse lado”, disse Viana.
O presidente da CPMI do INSS informou, ainda, que já se sabe quais são as duas
offshores, ou seja, empresas no exterior, onde foram depositados recursos.
“Também solicitamos ao Banco Central o processo de quebra de sigilo de envio de
dinheiro e aos países correspondentes, o envio da documentação sobre quem é o
titular dessas contas e vamos fazendo, montando o nosso quebra-cabeça com as
informações todas”, continuou.
O chamado careca do INSS é acusado de ser o operador do esquema de descontos
indevidos em benefícios pagos pela Previdência a aposentados e pensionistas.
CPMI vai convocar familiares
do ‘Careca”
A CPMI do INSS deve ouvir na
quinta-feira (18), a partir das 9h, seis testemunhas ligadas a Carlos Camilo
Antunes, o “Careca do INSS”, e ao empresário Maurício Camisotti, ambos presos
em operação por fraudes em descontos em benefícios previdenciários. Os
requerimentos serão votados nesta terça-feira (16), às 14h, em reunião
extraordinária convocada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana
(Podemos-MG).
De acordo com Viana, a convocação das testemunhas foi decidida por acordo
durante reunião entre integrantes da comissão e líderes do governo e da
oposição. Segundo ele, a decisão é uma resposta à falta de compromisso de
Camilo e de Camisotti, que decidiram não depor ao colegiado.
“É uma resposta que a CPMI quer dar claramente à falta de seriedade do advogado
da defesa de Carlos Camilo em relação ao acordo que foi feito conosco. (…) Da
mesma forma, Maurício Camisotti que também já nos enviou ofício por meio da
defesa de que não vai comparecer na próxima quinta-feira.”, explicou o senador,
que citou o cancelamento da reunião desta segunda-feira.
A intenção é ouvir todos na mesma reunião, na quinta-feira. Os convocados para
depor serão: esposa e sócia em empresas do “Careca do INSS” Tânia Carvalho
dos Santos, filho e sócio em empresas do “Careca do INSS” Romeu
Carvalho Antunes, sócio do “Careca do INSS” Rubens Oliveira Costa, sócio
“Careca do INSS” Milton Salvador de Almeida Júnior, esposa de Camisotti e sócia
de uma das empresas que trabalharam na modernização dos sistemas de
Previdência Cecilia Montalvão, e advogado que tem transações bancárias suspeitas
com Camisotti Nelson Willians.
Exposição
De acordo com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), o acordo
foi para que todos sejam convocados na condição de testemunhas, o que pode
mudar após os depoimentos. “Todos estão na condição de testemunha. Em que pese
terem sido arrolados hoje para a pauta de amanhã, isso se deve exclusivamente à
escolha feita pelo senhor Camisotti e pelo senhor Antônio Carlos Camilo de não
poupar os familiares no próprio sistema criminoso. Foram eles que expuseram os
familiares.”, disse o relator.
As perguntas, segundo Gaspar, se dividem em dois blocos: saber quem são os
responsáveis pelas fraudes e quem deu sustentação política para que isso
acontecesse.
Tribuna do Norte

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