Este avanço expressivo é fruto
de uma articulação entre a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), a
Agrícola Famosa — maior exportadora potiguar do setor — e o Governo do Estado,
que vem investindo em infraestrutura para viabilizar o aumento do fluxo
exportador. Carlo Porro, CEO da Agrícola Famosa, destaca as vantagens
competitivas do porto e do modal dedicado: “As vantagens de ter um porto
dedicado e, principalmente, um navio dedicado, são a qualidade da fruta e o
tempo de viagem. O navio não para em outros portos, a fruta chega mais rápido e
no padrão ideal. Isso ajuda muito na qualidade da fruta”, explica.
A Agrícola Famosa prevê
exportar cerca de 300 mil toneladas de melões e melancias nesta safra, além de
uma pequena participação de mangas e uvas. O quantitativo representa o dobro do
volume exportado pelo Porto de Natal na safra passada. “Se conseguirmos
estender a safra por mais dois meses, até março e abril, quando antes chegava
até o final de fevereiro, acredito que o Porto de Natal se tornará o maior
porto fruteiro do país”, completa Porro.
A empresa já transfere para
Natal parte da carga que antes seguia por outros portos, com o terminal
respondendo atualmente por 65% a 70% das exportações da Agrícola Famosa.
A Federação da Agricultura e
Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) avalia positivamente o crescimento do
volume exportado pelo porto, mas alerta para a concentração da atividade em um
único operador. “O volume exportado saltou de 46,4 mil toneladas na safra
2023/2024 para 131,5 mil toneladas na 2024/2025. Isso reforça o papel da
Agrícola Famosa como vetor da fruticultura potiguar, mas a dependência de um
único operador limita a diversificação de riscos e estabilidade a longo prazo,”
analisa o presidente José Vieira, da Faern.
Embora o Porto de Natal tenha
avançado em infraestrutura, com câmaras frias e melhorias logísticas, Vieira
aponta limitações operacionais que ainda impactam a competitividade: restrições
de calado, incapacidade de receber navios de grande porte, escalas pouco
frequentes e baixa previsibilidade de atracação. Ainda assim, ele reconhece que
a rota direta encurta o tempo e reduz custos para mercados europeus, Rússia,
Oriente Médio e Canadá — que permanecem como os principais destinos das frutas
potiguares, enquanto o mercado americano representa menos de 5% da produção.
Sobre o impacto das tarifas
impostas pelos Estados Unidos, o setor considera que o efeito direto na
fruticultura do RN é restrito, mas não desprezível. Vieira pondera que “a
manutenção de tarifas elevadas reduz a competitividade, afeta segmentos
especializados e dificulta a diversificação de mercados, especialmente para
frutas premium”.
O secretário de
Desenvolvimento Econômico do RN, Alan Silveira, confirma a meta estadual de
ultrapassar as 300 mil toneladas na safra 2025/2026. Ele destaca que, além das
frutas tradicionais — mamão, melancia, manga e melão —, a banana, castanha de
caju e coco também vêm ganhando relevância nas exportações. Segundo Silveira,
as exportações de frutas do RN mais do que dobraram em seis anos, saindo de US$
120 a 130 milhões para superar US$ 250 milhões, o que trouxe aumento de
investimentos, geração de empregos e acesso a tecnologias avançadas, com
reflexos positivos em regiões produtoras como Mossoró, Vale do Açu e Chapada do
Apodi.
Foto: Adriano Abreu
Foto: Adriano Abreu
Infraestrutura
Para garantir a operação da
safra, a Codern realizou uma dragagem emergencial no canal de acesso ao porto,
removendo um banco de areia para manter o calado em 10 metros. O investimento
foi de R$ 6,4 milhões. Além disso, o governo federal anunciou esta semana R$
130 milhões em novos investimentos, incluindo reforma de armazéns, galpões e
instalação de usina fotovoltaica, com obras já iniciadas. A estatal prevê que a
ampliação do calado para 12 metros e a instalação das defensas da Ponte Newton
Navarro possibilitarão a passagem de navios 24 horas por dia, atraindo novos
clientes para o terminal.
Atualmente, o Porto de Natal
movimenta cerca de 10 mil toneladas semanais de frutas, concentradas na
exportação feita pela Agrícola Famosa. Porém, a Codern busca ampliar o
atendimento e a diversidade de cargas, incluindo a possibilidade de exportar
minério de ferro, açúcar e gado vivo nos próximos anos, com expectativa de
iniciar a movimentação do minério já em 2027.
O governo do Estado diz que
mantém negociações com outros potenciais exportadores e acompanha de perto a
operação do porto para garantir que as melhorias e investimentos possam ampliar
o volume e a qualidade dos serviços prestados, tornando Natal uma plataforma
competitiva e sustentável para o setor frutícola e outras cadeias produtivas.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário