Na denúncia, Gonet ainda diz
que o ex-servidor tentou colocar em dúvida a legitimidade do processo eleitoral
e prejudicar as investigações sobre atos anti-democráticos. Mensagens trocadas
entre Tagliaferro e juízes auxiliares de Moraes foram divulgadas pela imprensa.
Em sua rede social, o ex-servidor se identificar como “perito em computação
forense perseguido politicamente por Alexandre de Moraes”. A defesa de
Tagliaferro não foi localizada.
A denúncia imputa ao
ex-servidor os crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do
processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização
criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
“Tagliaferro, de maneira
livre, consciente e voluntária, no período compreendido entre 15.05.2023 e
15.08.2024, violou sigilo funcional, ao revelar à imprensa e tornar públicos
diálogos sobre assuntos sigilosos, que manteve com servidores do Supremo Tribunal
Federal e do Tribunal Superior Eleitoral na condição de Assessor-Chefe da
Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, para atender a
interesses ilícitos de organização criminosa responsável por disseminar
noticias fictícias contra a higidez do sistema eletrônico de votação e a
atuação do STF e TSE, bem como pela tentativa de golpe de Estado e abolição
violenta do Estado Democrático de Direito”, diz a denúncia.
Segundo o Ministério Público,
Tagliaferro teria repassado à imprensa “diálogos confidenciais” com intuito de
interferir na “credibilidade e lisura das investigações”. Em agosto de 2024, o
jornal Folha de S. Paulo divulgou diálogos entre servidores da Assessoria
Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), órgão do TSE subordinado à
presidência da Corte Eleitoral. Durante as eleições de 2022, o posto foi
ocupado por Moraes.
As mensagens relevaram que a
assessoria, então chefiada por Tagliaferro, foi acionada para munir inquéritos
de Moraes no STF. Em nota, o gabinete de Moraes afirmou que, no curso dos
inquéritos, fez solicitações a inúmeros órgãos, incluindo o TSE. Segundo o
magistrado, todas as ações foram feitas seguindo os termos regimentais.
Entre aliados do ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL), Tagliaferro tornou-se um exemplo das arbitrariedades
praticadas por Moraes.
Estadão Conteudo

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