A aliados, Motta faz a
avaliação de que levar a questão para o Supremo só vai piorar a situação do
Executivo, já que o problema que tem hoje não é jurídico, mas político. A falta
de base no Congresso e a crescente insatisfação de parlamentares com o governo
Lula são apontadas por Motta como fatores que podem levar à ingovernabilidade,
caso o Palácio do Planalto não consiga mudar sua relação com os congressistas.
Para o presidente da Câmara, judiciar o IOF é dobrar a aposta no enfrentamento
sem colocar no radar as consequências que estão por vir.
Em conversas com representares do governo, o presidente da Câmara ainda se
queixou que ele só recebeu contatos com queixas e que o Palácio ignorou as
medidas positivas que ele pautou e que foram aprovadas no mesmo dia da
derrubada do IOF.
Motta se refere à Medida Provisória (MP) que autoriza o uso de até R$ 15
bilhões do Fundo Social do pré-sal para habitação popular e que permite ao
governo leiloar óleo e gás excedente, com potencial de arrecadar até R$ 20
bilhões, à MP que isenta do Imposto de Renda de quem ganha até dois salários
mínimos e a outra que permite a contratação de crédito consignado por
trabalhadores do setor privado.
Entre as ações que estão no radar do centrão, caso o embate com o Executivo
continue, está escolher o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um
expoente da oposição, como relator da CPI do INSS.
Na segunda-feira (30), o deputado federal, Hugo Motta, foi às redes sociais
defender a decisão do Congresso que invalidou o aumento do IOF e disse que não
traiu o governo ao pautar o projeto.
Motta critica o “nós contra
eles”
O presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou na segunda-feira (30) um
vídeo em que rebate críticas do governo sobre a derrubada do decreto que
elevava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ele também reagiu ao discurso
do Planalto, que vem associando a derrota à suposta atuação do Congresso em
favor dos mais ricos.
No vídeo, Motta rejeita a ideia de que o Executivo tenha sido pego de surpresa.
“Capitão que vê o barco indo em direção ao iceberg e não avisa não é leal, é
cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria do IOF teria muita
dificuldade de ser aprovada”, afirmou.
O decreto foi derrubado pela Câmara na quarta-feira (25.jun), com 383 votos a
favor e 98 contrários. No mesmo dia, o Senado confirmou a decisão em votação
simbólica, sem contagem nominal.
Desde então, integrantes do governo e o PT têm usado as redes sociais para dizer que o Congresso favorece os mais ricos. O tom segue uma das marcas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o qual os pobres pagam muitos impostos e os ricos quase nada.
Motta, no entanto, declarou que o governo de tentar estimular uma “polarização
social” e afirmou que o Congresso tem atuado de forma equilibrada. “Quem
alimenta o ‘nós contra eles’ acaba governando contra todos”, disse. Segundo
ele, a narrativa de que o Legislativo atua contra os interesses do povo é
falsa.
“A polarização política no Brasil tem cansado muita gente e agora querem criar
a polarização social. No mesmo dia em que derrubamos o aumento do IOF,
aprovamos outras 3 medidas importantes para o nosso país”, declarou Motta.
Entre essas medidas, segundo Motta, estão: o investimento de R$ 15 bilhões em
habitação; a autorização para a venda do excedente de petróleo, com potencial
de arrecadar até R$ 20 bilhões sem aumento de impostos; a regulamentação do
crédito consignado privado; e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até
2 salários mínimos.
Tribuna do Norte

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