terça-feira, 1 de julho de 2025

Consumo nos lares cresce 2,04% em maio, aponta Abras

O consumo nos lares de todo o País teve alta de 2,04% em maio passado no comparativo com o mês anterior – abril –, e de 3,98% em relação ao mesmo período de 2024, segundo aponta o monitoramento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No acumulado do ano, o indicador representa elevação de 2,61%. Especialista ouvido pela reportagem avalia que o aumento da circulação de recursos entre os consumidores tem sido o principal fator para o resultado alcançado em maio. 

A manutenção desse cenário, no entanto, depende de aspectos como o impacto da taxa de juros no orçamento das famílias. Nacionalmente, de acordo com a Abras, a alta no consumo foi provocada pelo efeito sazonal do Dia das Mães, potencializado por medidas que ampliaram a renda dos consumidores – tanto de forma contínua, como os reajustes salariais e as transferências de renda -, quanto pontual, a exemplo da gratificação natalina do INSS, cujos impactos financeiros se estenderam do final de abril ao início de maio. Para a Abras, entre os recursos que movimentaram a economia naquele mês destacam-se o reajuste dos servidores públicos federais, com impacto estimado em R$ 17,9 bilhões.

A Abras também cita como recursos que impactaram o consumo o pagamento da primeira parcela do 13º salário para aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS, com montante total estimado de R$ 73,3 bilhões e os repasses em transferência de renda pelos programas sociais do Governo Federal. Para o economista Robespierre do Ó, a estratégia do Governo Federal em injetar mais dinheiro nas mãos dos brasileiros é o principal responsável pela alta registrada. Segundo ele, no entanto, não é possível projetar se o consumo nos lares irá seguir crescendo, por conta das taxas de juros atuais.

“Na hora em que existe mais dinheiro em circulação, a população que usa benefícios como Bolsa Família e outros, corre para consumir mais, especialmente, no ramo da alimentação. Por outro lado, conforme mostra o IBGE, o nível de desemprego vem caindo. E se o desemprego cai, isso significa mais dinheiro na mão da população e um aumento do consumo em geral”, analisa o economista. Segundo ele, a desaceleração do quadro inflacionário, especialmente no setor de alimentação, tem pouca influência nesse cenário. “A inflação que ocorre no Brasil se dá por conta dos impactos causados por quebra de safra”, diz.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), o valor do tomate teve redução de 7,24% em junho. Já o café moído teve alta de 2,86%. O IPCA-15 refere-se às famílias com rendimento de um a 40 salários-mínimos nas regiões metropolitanas do Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

“O que vai contar para medir como se dará o consumo nos lares brasileiros nos próximos meses é a taxa de juros e o emprego. Uma taxa em 15% ao ano como a gente vê agora tende a causar retração em investimentos. Ao mesmo tempo, se o emprego continuar crescendo, o consumo vai permanecer em alta”, analisa.

Entre os consumidores ouvidos pela reportagem em um supermercado da zona Leste de Natal, a sensação é de que os preços estão mais em conta, mas isso não tem gerado estímulos ao aumento de consumo. É o caso da dona de casa Keyla Priscila, de 38 anos. “Alguns produtos já consegui encontrar com preços mais em conta, mas acho que não é ainda o suficiente para aumentar as compras no supermercado”, disse.

O aposentado e autônomo Edilson de Souza, 72, percebeu um controle maior de preços, mas afirma que reduziu o consumo. “A verdade é que não estamos comprando mais do que antes, mesmo percebendo que alguns produtos estão mais acessíveis”, relata o aposentado.

A reportagem procurou a Associação dos Supermercados do RN para obter um panorama do aumento na alta do consumo no RN, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Tribuna do Norte

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