sexta-feira, 14 de março de 2025

Março Lilás alerta para a prevenção do câncer de colo de útero

O câncer de colo do útero segue como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, com mais de 6,6 mil mortes registradas em 2021, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer do Ministério da Saúde. A doença, cuja principal causa está associada ao Papilomavírus Humano (HPV), pode ser evitada por meio de vacinação e rastreamento periódico. Neste mês, a campanha Março Lilás reforça a necessidade dos exames de prevenção e cuidado.

Segundo Maria da Guia Medeiros, ginecologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol/UFRN/Ebserh), o exame preventivo, conhecido como Papanicolau, é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce. “O exame deve ser realizado por mulheres com vida sexual ativa. O Ministério da Saúde recomenda que ele seja feito anualmente nos dois primeiros anos. Se não houver alterações, a repetição deve ser feita a cada três anos”, explica.

Na maioria dos casos, o câncer do colo do útero se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas na fase inicial, por isso é importante que esse cuidado seja implementado durante a vida da mulher, mesmo sem sintomas ou suspeitas. “Os sinais aparecem quando a doença está avançada, com dores pélvicas, sangramento durante a relação sexual e secreções com sangue”, alerta a especialista.

O HPV é responsável por mais de 90% dos casos da doença. O vírus infecta as células do colo do útero, causando alterações que podem levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas. De acordo com a ginecologista do Huol/UFRN/Ebserh, a vacina contra o HPV é a principal forma de prevenção. Ela está disponível gratuitamente no SUS e recomendada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos em dose única.

Apesar do amplo acesso, Maria da Guia relata que ainda percebe uma baixa adesão. Na avaliação da ginecologista, os motivos variam desde desinformação e fake news até tabus familiares. “Muitos pais acreditam que a vacina pode incentivar o início da vida sexual dos filhos, o que é um mito. A imunização nessa faixa etária ocorre antes do contato com o vírus”, esclarece.

Em 2024, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de um novo exame para rastreamento do câncer do colo do útero no SUS. A testagem molecular detecta a presença do DNA do HPV no trato genital feminino, com maior precisão do que o Papanicolau. Em 2023, foram investidos R$ 18 milhões em um projeto piloto de testagem realizado em Pernambuco.

O risco de desenvolvimento da doença, segundo a pasta, está associado a fatores como início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e uso prolongado de anticoncepcionais. A prevenção primária passa pelo uso do preservativo, que reduz parcialmente o contágio pelo HPV. “A camisinha protege contra diversas infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HPV”, destaca Maria da Guia.

Quando identificado em estágio inicial, o tratamento do câncer de colo do útero pode ser realizado por meio de cirurgia, muitas vezes seguida de radioterapia ou quimioterapia. Nos casos avançados, com comprometimento dos linfonodos ou órgãos adjacentes, o tratamento envolve combinações mais agressivas de quimioterapia e radioterapia.

O Ministério da Saúde reforça que o exame preventivo regular é essencial para a identificação precoce de alterações. Caso o resultado do exame indique infecção por HPV ou lesão de baixo grau, a recomendação é repetir o procedimento em seis meses. Se houver lesão de alto grau, exames complementares, como colposcopia, são necessários. Após o término do tratamento, ainda é indicado manter vários cuidados.

Com a ampla disponibilidade da vacina e exames gratuitos pelo SUS, Maria da Guia reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce são as principais estratégias para reduzir as mortes causadas pelo câncer.

Tribuna do Norte

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