Segundo Maria da Guia Medeiros, ginecologista do Hospital Universitário Onofre
Lopes (Huol/UFRN/Ebserh), o exame preventivo, conhecido como Papanicolau, é a
principal ferramenta para o diagnóstico precoce. “O exame deve ser realizado
por mulheres com vida sexual ativa. O Ministério da Saúde recomenda que ele
seja feito anualmente nos dois primeiros anos. Se não houver alterações, a
repetição deve ser feita a cada três anos”, explica.
Na maioria dos casos, o câncer
do colo do útero se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas na fase
inicial, por isso é importante que esse cuidado seja implementado durante a
vida da mulher, mesmo sem sintomas ou suspeitas. “Os sinais aparecem quando a
doença está avançada, com dores pélvicas, sangramento durante a relação sexual
e secreções com sangue”, alerta a especialista.
O HPV é responsável por mais de 90% dos casos da doença. O vírus infecta as
células do colo do útero, causando alterações que podem levar ao
desenvolvimento de lesões pré-cancerosas. De acordo com a ginecologista do
Huol/UFRN/Ebserh, a vacina contra o HPV é a principal forma de prevenção. Ela
está disponível gratuitamente no SUS e recomendada para crianças e adolescentes
de 9 a 14 anos em dose única.
Apesar do amplo acesso, Maria da Guia relata que ainda percebe uma baixa
adesão. Na avaliação da ginecologista, os motivos variam desde desinformação e
fake news até tabus familiares. “Muitos pais acreditam que a vacina pode
incentivar o início da vida sexual dos filhos, o que é um mito. A imunização
nessa faixa etária ocorre antes do contato com o vírus”, esclarece.
Em 2024, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de um novo exame para
rastreamento do câncer do colo do útero no SUS. A testagem molecular detecta a
presença do DNA do HPV no trato genital feminino, com maior precisão do que o
Papanicolau. Em 2023, foram investidos R$ 18 milhões em um projeto piloto de
testagem realizado em Pernambuco.
O risco de desenvolvimento da doença, segundo a pasta, está associado a fatores
como início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e uso
prolongado de anticoncepcionais. A prevenção primária passa pelo uso do
preservativo, que reduz parcialmente o contágio pelo HPV. “A camisinha protege
contra diversas infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HPV”, destaca
Maria da Guia.
Quando identificado em estágio inicial, o tratamento do câncer de colo do útero
pode ser realizado por meio de cirurgia, muitas vezes seguida de radioterapia
ou quimioterapia. Nos casos avançados, com comprometimento dos linfonodos ou
órgãos adjacentes, o tratamento envolve combinações mais agressivas de
quimioterapia e radioterapia.
O Ministério da Saúde reforça que o exame preventivo regular é essencial para a identificação precoce de alterações. Caso o resultado do exame indique infecção por HPV ou lesão de baixo grau, a recomendação é repetir o procedimento em seis meses. Se houver lesão de alto grau, exames complementares, como colposcopia, são necessários. Após o término do tratamento, ainda é indicado manter vários cuidados.
Com a ampla disponibilidade da vacina e exames gratuitos pelo SUS, Maria da Guia reforça que a prevenção e o diagnóstico precoce são as principais estratégias para reduzir as mortes causadas pelo câncer.
Tribuna do Norte

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