De acordo com Bristot, a proximidade com a mudança de estação e o aquecimento
intenso da faixa equatorial criam condições propícias para chuvas. “O dia de
São José fica próximo ao período de transição entre o verão e o outono. Nesse
momento, os raios solares incidem de forma perpendicular sobre essa região,
aumentando o aquecimento e gerando uma baixa pressão atmosférica que favorece a
ocorrência de chuvas”, detalha.
A relação entre precipitações
nessa data e um bom período chuvoso ao longo do ano não é apenas uma questão de
crença popular, mas também tem embasamento científico. Segundo Bristot, a zona
de convergência intertropical, responsável pelas chuvas na região, se desloca
para o Nordeste nesse período, criando um ambiente favorável para a formação de
precipitações. “Se há condições propícias nos oceanos, esse é o período mais
sensível da atmosfera para a ocorrência de chuvas na região”, afirma.
Para este ano, a expectativa é positiva, ainda que algumas regiões do estado
apresentem déficits pluviométricos. “O Oceano Pacífico está saindo de um
fenômeno La Niña fraco para uma neutralidade, enquanto o Atlântico Norte
resfriou levemente. Esse cenário indica uma condição parcialmente favorável
para chuvas”, explica o meteorologista. Dados da EMPARN apontam que, em algumas
regiões do estado, as chuvas já superaram a média de março, especialmente no
Litoral Leste, onde o índice está 8% acima do esperado.
A crença popular sobre São José tem um impacto direto nas decisões dos
agricultores. Segundo Erivam do Carmo, presidente da Federação dos
Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Rio Grande do
Norte (FETARN), o simbolismo da data influencia o planejamento do plantio. “Os
agricultores ficam ansiosos pela chegada do dia 19. Se chover, é um sinal de um
inverno bom e de uma safra produtiva”, afirma.
Além da tradição, a data também está ligada ao ciclo produtivo do semiárido
nordestino. O período entre março e junho coincide com o crescimento das
lavouras que abastecem as festas juninas, quando há maior demanda por produtos
agrícolas típicos, como milho e feijão.
A previsão de chuvas para esta quarta-feira reforça a confiança dos produtores.
“Isso só aumenta a esperança dos agricultores, principalmente em um momento de
desafios econômicos. A produção agrícola local é essencial para a segurança
alimentar e para a estabilização dos preços dos alimentos”, ressalta o
presidente da FETARN.
Previsão
No ano de 2024 entre os dias 15 de março a 15 de abril, segundo o
meteorologista Gilmar Bristot, o Rio Grande do Norte registrou uma média de 190
mm acumulado em chuvas. Em regiões como Santa Cruz e Jaçanã foram superados os
300 mm. Para 2025, no mesmo período, a expectativa é que os números se
mantenham.
De acordo com os dados da Emparn, esta quarta-feira (18) de comemoração ao Dia
de São José será marcada por tempo parcialmente nublado com chuvas nas regiões
do Litoral, Agreste e Vale do Açu. Já no Seridó, Alto Oeste e na região de
Mossoró, o tempo deve se manter de parcialmente nublado a claro.
As menores temperaturas estão previstas para Cerro Corá, Coronel Ezequiel,
Equador, Jaçanã, Lagoa Nova e Tenente Laurentino Cruz com 20ºC. Já as máximas
para data estarão em Ipanguaçu, Itajá e Jucurutu com 36ºC.
Tribuna do Norte

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