Calculado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de
2024 alcançou crescimento de 3,4%, mostrando uma atividade econômica pujante,
mas o desempenho do último trimestre fez acender a luz amarela.
O resultado do ano coloca
o Brasil
na 16ª colocação no ranking de maior crescimento entre os 60 países que já
divulgaram o índice. Porém, entre outubro e dezembro, a economia cresceu
apenas 0,2%, abaixo das expectativas do mercado que apontavam algo próximo a
0,5%.
“De positivo, deve-se
ressaltar, que os dados indicaram um crescimento
espalhado, com maior peso do setor de serviços, que avançou 3,7% e da
indústria, que cresceu 3,3%”, diz José Roberto Colnaghi, presidente do
Conselho de Administração da Colpar Brasil, grupo que atua em diversos
segmentos industriais e do agronegócio. A agropecuária, por sua vez, registrou
queda de 3,2%, em função de fatores climáticos que impactaram culturas
importantes como soja e milho.
Os dados, divulgados pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também mostram que o
PIB per capita atingiu R$ 55.247,45, um avanço, em termos reais, de 3% em
comparação com o ano anterior. Além disso, os investimentos aumentaram
7,3% já descontada a inflação e houve uma alta de 4,8% no consumo das famílias.
Segundo o IBGE, este resultado
expressivo no consumo das famílias é fruto da conjunção de alguns fatores, como
os programas de transferência de renda do governo, a continuação da melhoria do
mercado de trabalho e os juros que foram, em média, mais baixos do que em
2023. A
taxa de desemprego de 2024 fechou em 6,2%, menor percentual registrado para
este período desde o início da série histórica.
Vale destacar a performance da
indústria de transformação, que cresceu 3,8%, após dois anos seguidos de
queda (-0,5%, em 2022, e -1,3%, em 2023). Esta recuperação se deve ao desempenho positivo
da produção de bens de capital e também de bens de consumo duráveis, que
cresceram, respectivamente, 9,1% e 10,6%, em 2024.
O último trimestre, porém,
registrou desaceleração acima do esperado, com ligeira alta de 0,2% na
comparação com o terceiro trimestre. Entre os setores, a indústria variou
0,3% e os serviços 0,1%. Já a agropecuária recuou 2,3%.
“Esta desaceleração do último
trimestre já traz o impacto do aperto monetário iniciado pelo Banco Central em
setembro”, diz José Roberto Colnaghi, lembrando que os efeitos da elevação da
Selic vêm ao longo do tempo. “A continuidade da subida dos juros neste ano será
um freio na atividade econômica”, completou Colnaghi.
Diante desses dados, o cenário
de desaceleração deverá se consolidar ao longo de 2025. Isso porque a política
monetária continuará apertada, as condições financeiras estarão mais
restritivas, haverá menor impulso fiscal por parte do governo, além da grande
incerteza da situação global.
O
Ministério da Fazenda prevê um crescimento do PIB de 2,3% este ano,
percentual superior ao projetado pelo mercado, que é 2%. No entanto, a
expectativa de inflação segue avançando, semana após semana, e já encostou em
5,7%. Com isso, as estimativas para a taxa básica de juros para o fim de 2025
estão em 15%.
“A Selic neste patamar é um
freio no crescimento da economia”, diz José Roberto Colnaghi. “É preciso
endereçar a questão fiscal de forma efetiva para auxiliar o Banco Central no
combate à inflação. Se isso ocorrer, as taxas poderão começar a cair mais cedo,
beneficiando a atividade econômica como um todo”, finaliza Colnaghi.
Por: EccoRemetente: Ecco contato@ecco.inf.brTelefone: (11) 3888-1144

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