“Isso se faz buscando informações, analisando o mercado e identificando as
habilidades do próprio empreendedor. Em seguida, é preciso fazer a formalização
adequada”, orienta. Entender as necessidades e escolher bem o nicho a ser
trabalhado também são essenciais. “Hoje existem mais dados para nos auxiliar
nesse aspecto. Aqui mesmo no Sebrae temos orientações para formatar um novo
negócio”, indica Thales Medeiros.
O mercado para os
Microempreendedores Individuais no Rio Grande do Norte está em expansão,
consolidando-se como uma alternativa promissora para os potiguares que buscam a
formalização de seus negócios. Em 2024, os Microempreendedores Individuais
(MEIs) lideraram as aberturas de empresas no estado, com 32.520 registros — o
equivalente a 73,13% dos 44.468 novos negócios formalizados no período. Os
dados constam no Boletim Empresarial, elaborado por meio da parceria entre a
Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Junta Comercial do
Estado (Jucern). Para Medeiros, a desburocratização dos processos e as
facilidades na formalização explicam essa adesão crescente, mas ele ressalta
que, apesar das vantagens, a atividade de empreender tem seus desafios.
Identificar o público-alvo e as necessidades do mercado é uma etapa fundamental
para garantir a viabilidade do negócio. Além de conhecer as próprias
habilidades, o empreendedor deve compreender quais demandas ainda não estão
sendo atendidas ou podem ser exploradas com mais eficiência.
“Avaliamos o nível de maturidade de gestão do empreendedor e buscamos entender
o que ele está disposto a encarar”, comenta Medeiros. Do mesmo modo, as
pesquisas de entendimento sobre qual nicho seguir devem servir para compreender
as demandas do mercado por um produto ou serviço específico, segundo o gerente.
“É preciso descobrir se tem gente disposta a pagar com frequência por esse
produto ou serviço. Para isso, faz-se uso de ferramentas como pesquisas de
mercado e estudos de viabilidade técnica”, ensina.
Se preparar bem é fundamental, especialmente porque existem muitos desafios no
campo do empreendedorismo. De acordo com Thales Medeiros, os principais são a
forma como se lida com estoques, bem como com precificações e valores, aspectos
que, frequentemente, levam os empreendedores a erros. Luanna Macedo, de 37
anos, garante que tem buscado seguir à risca a cartilha do bom empreendedor.
Ela tem uma empresa de decoração. “Decoro festas de aniversário, casamento,
chás de panela e de bebês. Vou me adaptando conforme pedidos”, conta.
A empresária ainda não produz ateliê próprio, portanto, todo o material é
estocado em casa. Ela costuma montar as decorações na empresa da família, um
buffet localizado na zona Norte de Natal, onde trabalha. A ideia de montar o
próprio negócio veio da sugestão de amigos. “Comecei devagarinho, fazendo uma
festinha ou outra. Graças a Deus tenho observado uma ascensão da empresa, com a
demanda aumentando a cada dia”, revela, ao comentar sobre os próximos planos.
“Quero montar um espaço para mim, mesmo que seja pequeno, mas que possa
comportar pessoas para a realização de mini-festas”, diz. Luanna Macedo afirma
que a prioridade é oferecer sempre qualidade. As obrigações da empresa não são
uma dificuldade para ela. “Consigo me organizar muito bem nesse sentido”,
conta.
Simplificação é atrativo do MEI
De acordo com Thales Medeiros, as facilidades em relação às obrigações das
empresas são um dos principais atrativos para adesão ao MEI. A simplificação
dos processos, como o pagamento do Documento de Arrecadação do Simples Nacional
(DAS) – feito mensalmente – e a declaração anual, basicamente, fazem parte das
facilidades desse tipo de negócio.
“Claro que alguns serviços específicos podem exigir obrigações adicionais, mas,
em geral, temos um processo bem mais simples do que no caso de outras empresas.
Então, o MEI acaba sendo uma opção muito atrativa e rápida para a constituição
de uma empresa em qualquer situação. No Brasil, quase 55% das empresas são MEIs
e, no Rio Grande do Norte, a proporção também é muito semelhante”, pontua
Medeiros.
O gerente de atendimento da Agência Sebrae Grande Natal ressalta a adoção do
MEI como forma de reduzir a informalidade no mercado, assegurar acesso à
Previdência e permitir o fornecimento de dados mais precisos sobre o
funcionamento da economia como fatores que demonstram a importância desse
modelo para o Rio Grande do Norte.
“Some-se a isso o aumento da retenção de imposto. Embora não seja algo
significativo pelos valores em si (o MEI paga R$ 1 de ICMS e R$ 5 de ISS), o
contingente dessas empresas acaba gerando números muito interessantes de
arrecadação tanto para as prefeituras quanto para o Governo do Estado”, comenta
Thales Medeiros, do Sebrae-RN.
Tribuna do Norte

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