A Universidade Federal do Rio
Grande do Norte necessita de um aporte de cerca de R$ 10 milhões para conseguir
cumprir as obrigações financeiras deste ano. Além disso, segundo o reitor da
UFRN, Daniel Diniz, o orçamento do próximo ano precisa ser maior do que o
executado em 2023 para que os pagamentos da Universidade se mantenham em dia. A
situação é semelhante a de outras instituições federais de ensino. A Associação
Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes)
lançou uma nota afirmando que 69 universidades federais do Brasil estão com
dificuldades orçamentárias para finalizar o ano de 2023. Além da UFRN, a
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) também pede reforço
orçamentário.
Em 2022, com o bloqueio de R$
24 milhões dos recursos do Ministério da Educação, a UFRN passou por
dificuldades para realizar o pagamento dos contratos. Neste ano, a preocupação
da UFRN se concentra em ter dívidas de 2023 a serem pagas com o orçamento recebido
para 2024. Atualmente, o problema é para pagar as contas de água e luz.
“Entramos esse ano de 2023 com
dívidas do ano passado na ordem de aproximadamente R$ 10 a R$ 12 milhões. Este
ano, estamos passando por uma situação parecida. O orçamento que veio é um
valor maior, mas já entramos com dívidas. Separamos o dinheiro para as dívidas
e o orçamento foi, mais uma vez, insuficiente”, relata o reitor.
O reitor da UFRN, Daniel
Diniz, diz que se não houver o complemento do MEC a dívida pendente vai ser
menor do que R$ 10 milhões. “Com o que temos até agora não conseguimos fechar
as contas. Possivelmente vamos entrar em 2024 com dívidas. Nós fazemos o pagamento
em cima de priorização. As prioridades são as bolsas dos estudantes e os
contratos de terceirização, porque afeta diretamente a vida das pessoas que
trabalharam ”, completa.
Outra preocupação da UFRN é
que em 2024 o orçamento da LOA seja igual ao deste ano, visto que esse valor
não foi suficiente para efetuar todos os pagamentos da universidade. O reitor
afirma que se o orçamento não aumentar será inviável completar o ano com o
pagamento em dia. “As despesas principais de contratos, terceirização e energia
elétrica sofrem aumento todos os anos, então vamos ter esse aumentos com um
orçamento insuficiente”, completa.
A reportagem da TRIBUNA DO
NORTE entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC). “O Ministério da
Educação tem atuado para recompor o orçamento e fortalecer o ensino superior
público, depois de anos de desmonte e descaso. Neste ano, para as universidades
federais, o MEC ampliou o orçamento encaminhado no Projeto de Lei Orçamentária
Anual (PLOA) 2023 em mais de R$1,3 bilhão, quando comparado ao ano anterior,
sem cortes no decorrer do ano. Na sexta-feira (15), a portaria complementou o
custeio em R$150 milhões. O debate em torno do PLOA 2024 encontra-se em
trâmites no Congresso Nacional.”
Complemento
Uma das principais reivindicações das universidades é a complementação de R$
500 milhões no orçamento ainda neste ano. Na última sexta-feira (15), uma
portaria do Ministério do Planejamento e Orçamento destinando R$ 150 milhões do
valor foi publicada, mas o restante do recurso, no total de R$ 350 milhões,
ainda não tem previsão de repasse.
De acordo com a nota da
Andifes, as Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) enfrentam uma
situação dramática devido a sucessivos cortes orçamentários de anos anteriores,
afetando negativamente o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação, de excelência
reconhecida nacional e internacionalmente. A Andifes afirmou que o Ministério
da Educação (MEC) se comprometeu em repassar imediatamente R$ 150 milhões e
buscar mais R$ 350 milhões fora do MEC. Esse valor seria de repasse de outros
ministérios.
Segundo Daniel Diniz, os 500
milhões que as universidades estão pedindo vieram a partir de um levantamento
feito pelas 69 universidades de quanto precisa para fechar as contas do ano.
“Em uma das audiências com o ministro da Educação, Camilo Santana, ele fez uma
avaliação no MEC e afirmou que conseguiria esse valor a partir de orçamento não
executado. Então os recursos que voltassem para o Tesouro poderiam ir para as
universidades”, afirma.
O Instituto Federal do Rio
Grande do Norte (IFRN) afirmou que, devido ao valor baixo repassado para a
instituição, o IFRN quase não consegue fechar as contas de 2023. “No ano de
2023, houve mais uma vez a destinação na Lei Orçamentária Anual (LOA) de um valor
significativamente baixo desse recurso, que possivelmente inviabilizaria a
conclusão do ano de forma saudável. Felizmente, houve um aporte extra do
Governo Federal, no valor de R$12.175.604,71 no mês de abril, que possibilitou
ao IFRN ter recursos suficientes para a conclusão do exercício com todos os
contratos em dia.”
Tribuna do Norte
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