terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Natal usará biotecnologia para combater as arboviroses


A capital potiguar irá adotar, a partir de janeiro de 2024, um método que utiliza o mosquito Aedes aegypti para combater doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A iniciativa, conhecida como Método Wolbachia, já existe em outras regiões do País e será implantada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS Natal) para reduzir a incidência das arboviroses.

Juntas, dengue, zika e chikungunya somaram 3.294 notificações entre 1º de janeiro de 2023 e o último dia 25 de novembro em Natal. A dengue é a maior responsável pelas notificações (2.928), com dois óbitos confirmados.

O Método Wolbachia consiste, conforme a SMS Natal, em liberar insetos com a Wolbachia (um micro-organismo intracelular presente em cerca de 50% dos insetos, mas que não estava presente no Aedes aegypti) na natureza para que eles se reproduzam com os mosquitos locais, estabelecendo assim uma população dos vetores com a bactéria. Isso os torna incapazes de desenvolver e transmitir o vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

“Quando presente no mosquito, o micro-organismo impede que as arboviroses se desenvolvam, reduzindo a transmissão das doenças. Se um macho com a Wolbachia acasalar com uma fêmea que não possui a bactéria, os ovos dela não irão eclodir. Já se a fêmea com Wolbachia acasalar com um macho sem o micro-organismo, ou com um macho que o possua, toda sua prole vai nascer com a bactéria, e por consequência não conseguirão desenvolver as doenças”, explica Jan Pierre Araújo, chefe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ).

O secretário George Antunes, titular da pasta da Saúde em Natal, destaca que o método é utilizado em outras cidades do Brasil com bastante eficácia. “Essa é uma metodologia que já foi utilizada em municípios como Niterói, por exemplo, e apresentou uma redução preliminar de 75% nos casos das doenças no território. Estamos empolgados que agora esse método possa ajudar a combater as arboviroses em Natal.”, comenta o secretário.

O método, segundo a SMS, surge como estratégia complementar às ações de vigilância e prevenção de arboviroses do Município, como do Levantamento Rápido de Índices para Aedes (LIRA), onde o agente vai às residências para identificar o depósito foco de vetor predominante naquela região, e as ovitrampas, armadilhas que ajudam no monitoramento e controle dos mosquitos que podem causar arboviroses, tecnologia utilizada desde 2015 no município.

As arboviroes tiveram redução de 82% este ano em relação aos casos registrados na capital em 2022. Ainda assim, a SMS reforça o alerta para os cuidados, uma vez que este é considerado o período de sazonalidade para as doenças, que vai, geralmente, de novembro a maio.

Tribuna do Norte

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