A capital potiguar irá adotar,
a partir de janeiro de 2024, um método que utiliza o mosquito Aedes aegypti
para combater doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A
iniciativa, conhecida como Método Wolbachia, já existe em outras regiões do
País e será implantada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS Natal) para
reduzir a incidência das arboviroses.
Juntas, dengue, zika e
chikungunya somaram 3.294 notificações entre 1º de janeiro de 2023 e o último
dia 25 de novembro em Natal. A dengue é a maior responsável pelas notificações
(2.928), com dois óbitos confirmados.
O Método Wolbachia consiste,
conforme a SMS Natal, em liberar insetos com a Wolbachia (um micro-organismo
intracelular presente em cerca de 50% dos insetos, mas que não estava presente
no Aedes aegypti) na natureza para que eles se reproduzam com os mosquitos
locais, estabelecendo assim uma população dos vetores com a bactéria. Isso os
torna incapazes de desenvolver e transmitir o vírus da dengue, zika,
chikungunya e febre amarela.
“Quando presente no mosquito,
o micro-organismo impede que as arboviroses se desenvolvam, reduzindo a
transmissão das doenças. Se um macho com a Wolbachia acasalar com uma fêmea que
não possui a bactéria, os ovos dela não irão eclodir. Já se a fêmea com Wolbachia
acasalar com um macho sem o micro-organismo, ou com um macho que o possua, toda
sua prole vai nascer com a bactéria, e por consequência não conseguirão
desenvolver as doenças”, explica Jan Pierre Araújo, chefe da Unidade de
Vigilância de Zoonoses (UVZ).
O secretário George Antunes,
titular da pasta da Saúde em Natal, destaca que o método é utilizado em outras
cidades do Brasil com bastante eficácia. “Essa é uma metodologia que já foi
utilizada em municípios como Niterói, por exemplo, e apresentou uma redução
preliminar de 75% nos casos das doenças no território. Estamos empolgados que
agora esse método possa ajudar a combater as arboviroses em Natal.”, comenta o
secretário.
O método, segundo a SMS, surge
como estratégia complementar às ações de vigilância e prevenção de arboviroses
do Município, como do Levantamento Rápido de Índices para Aedes (LIRA), onde o
agente vai às residências para identificar o depósito foco de vetor
predominante naquela região, e as ovitrampas, armadilhas que ajudam no
monitoramento e controle dos mosquitos que podem causar arboviroses, tecnologia
utilizada desde 2015 no município.
As arboviroes tiveram redução
de 82% este ano em relação aos casos registrados na capital em 2022. Ainda
assim, a SMS reforça o alerta para os cuidados, uma vez que este é considerado
o período de sazonalidade para as doenças, que vai, geralmente, de novembro a
maio.
Tribuna do Norte
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