Em alusão à história do Frevo, o maestro pernambucano Spok se apresenta na
Praça Pedro Velho, às 20h. Também haverá evento no Palco da árvore de Mirassol,
às 19h30. Os responsáveis em animar a noite serão Nara Costa e Padre Caio
Sanfoneiro.
Na quinta-feira (28), o Arena das Dunas recebe Ribeira Boêmia, Banda Grafith e
Diogo Nogueira. Na sexta-feira (29), a banda de samba Rosas na Cartola, Juliana
Linhares e Alceu Valença prometem animar o público. Para fechar a grade de show
no sábado (30), a programação conta com a banda de rock Mobydick, Perfume de
Gardênia e Carlinhos Brown.
História
Em entrevista à TRIBUNA, anos atrás, o historiador Gil Silva explicou como a
cidade foi fundada. “Um fato bem curioso em relação à fundação da cidade do
Natal, está associado a quem fundou Natal. Como todos sabem, o Brasil foi
colonizado por portugueses. O Brasil era colônia portuguesa. Mas, na época da
fundação de Natal, o Brasil estava sob o domínio da Espanha. Teve um
acontecimento que vai de 1580 a 1640, conhecido como a união das coroas
ibéricas. Justamente nesse recorte temporal foi fundada a cidade do Natal. O
Brasil estava sob domínio da Espanha. Alguns historiadores consideram que, de
fato, o fundador da cidade do Natal foi o rei da Espanha, Felipe II, que na
época estava governando a Espanha e Portugal”, disse.
Natal ganhou o nome que tem hoje e que se confunde com a data alusiva ao
nascimento de Jesus Cristo na religião católica, pois foi fundada em 25 de
dezembro de 1599. “Era um costume comum da época colocar os nomes dos locais de
acordo com uma data religiosa”, destaca o professor. Ele aponta que outro fato
curioso é que Natal já nasceu com “status” de cidade. Cidade já representa um
crescimento urbanístico, de infraestrutura, e que Natal quando foi fundada, não
tinha isso. “Como fomos fundados pela Espanha, pelo Rei Felipe II, era uma
tradição fundar cidades. Por isso que Natal, como cita o próprio Câmara
Cascudo, apesar de não ter estrutura, já nasceu como cidade por causa da
administração espanhola”, diz Gil Silva.
Os Três Reis Magos, seguindo a tradição católica europeia, deram nome à
Fortaleza construída para proteger a cidade. “Muita gente acha que a Fortaleza
dos Reis Magos foi fundada junto com a cidade do Natal, mas não. Teve a
necessidade da construção de uma fortaleza para proteger a cidade e também o
litoral do Brasil contra as invasões estrangeiras. O início da construção da
Fortaleza dos Reis Magos se deu no dia 6 de janeiro de 1598, que é o dia de
Santos Reis, por isso que eles são nossos patronos”, destaca o professor.
Durante o período colonial, o crescimento da cidade foi muito tímido. Os
historiadores consideram que o desenvolvimento passou a ocorrer a partir do
Século XIX para o Século XX, quando algumas indústria simplórias passaram a se
instalar na cidade. A efetiva transformação ocorreu a partir dos anos 1980, com
o Regime Militar, quando foi construída a Via Costeira (Av. Senador Dinarte
Mariz). “Há, porém, um contexto histórico muito importante, que é o da Segunda
Guerra Mundial”, relembra Gil Silva.
Ele destaca que, na época, o Brasil estava sendo governado pelo presidente
Getúlio Vargas quando estourou a Segunda Guerra Mundial e os americanos foram
atacados pelos japoneses no Porto de Pearl Harbor, no Havaí. “Os americanos não
tinham tecnologias e as condições logísticas da época não davam condições dos
americanos fazerem um voo direto para a Europa, porque existia uma grande
vigilância nazista no Atlântico e na parte continental da Europa e eles se
utilizaram de uma antiga rota, que era pela África. Os americanos precisavam de
um ponto estratégico na América do Sul e esse ponto era Natal”, ressalta o
professor.
Getúlio Vargas precisava de dinheiro para investir na indústria e os americanos
emprestaram dinheiro para Vargas e, em troca, ele ofereceu a Base Aérea de
Natal para os americanos. A presença dos soldados americanos no Rio Grande do
Norte mudou a rotina da população e transformou a cidade. “Até hoje, temos
hábitos que herdamos dos americanos. Natal teve a primeira fábrica da Coca-Cola
no Brasil. O hábito de tirar a barba e mascar chicletes, o dólar entrou
primeiro na nossa cidade e até mesmo o uso do termo “boy” foi fruto da presença
americana em Natal”, sublinha Gil Silva.
Conteúdo: Tribuna do Norte
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