sexta-feira, 5 de junho de 2026

Conheça o Zelle, plataforma apontada por Eduardo Bolsonaro como "Pix americano"

Foto: Reprodução e Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

O sistema de pagamentos Zelle, utilizado por bancos nos Estados Unidos, passou a integrar o debate sobre o Pix após declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em entrevista concedida na quarta-feira (3), ele afirmou que o mecanismo norte-americano possui características semelhantes ao sistema brasileiro e poderia servir como referência em eventuais negociações entre Brasil e Estados Unidos.

A declaração ocorreu em meio ao aumento das críticas do governo do presidente Donald Trump ao Pix. O sistema brasileiro foi citado em um relatório comercial que embasa a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.

No documento, autoridades dos Estados Unidos alegam que políticas adotadas pelo Brasil favorecem o Pix e acabam prejudicando empresas estrangeiras que atuam no segmento de pagamentos eletrônicos. O relatório também questiona o papel desempenhado pelo Banco Central, responsável pela criação, regulamentação e operação da plataforma.

Durante a entrevista, Eduardo Bolsonaro afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes ao Pix, mencionando o Zelle como exemplo. Segundo ele, essa semelhança poderia ser utilizada como argumento em uma eventual mesa de negociação entre os dois países.

As declarações repercutiram entre integrantes do governo federal e parlamentares aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lideranças do PT criticaram a fala do ex-deputado e afirmaram que não há discussão sobre substituição do Pix por outro sistema. Após a repercussão, Eduardo Bolsonaro afirmou nas redes sociais que nunca defendeu a troca do sistema brasileiro pelo modelo americano e reiterou apoio ao Pix.

Criado em 2017, o Zelle é um serviço privado de transferências bancárias operado pela Early Warning Services, empresa controlada por alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos. Diferentemente do Pix, que é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central, o sistema americano depende da adesão voluntária das instituições financeiras.

Atualmente, o Zelle está disponível em mais de 2,4 mil aplicativos bancários nos Estados Unidos e permite transferências utilizando apenas número de telefone ou endereço de e-mail do destinatário. Segundo dados da empresa responsável pelo serviço, a plataforma alcançou 151 milhões de usuários em 2024 e movimentou mais de US$ 1 trilhão em transações no período.

No Brasil, o Pix ultrapassa 170 milhões de usuários e se consolidou como o principal meio de pagamento eletrônico do país. O sistema funciona de forma instantânea, 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados, e movimentou mais de R$ 35 trilhões em transferências ao longo de 2025.

Apesar das semelhanças na agilidade das operações, especialistas apontam diferenças relevantes entre os dois modelos. Enquanto o Pix possui regras padronizadas e participação obrigatória para grandes instituições financeiras, o Zelle opera dentro de uma estrutura privada, com limites e eventuais tarifas definidos por cada banco participante.

O debate sobre os sistemas de pagamento ganhou força após o relatório divulgado pelo governo americano, ampliando as discussões sobre concorrência, regulação financeira e relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Tribuna do Norte

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