Foto: Reprodução e Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O sistema de pagamentos Zelle,
utilizado por bancos nos Estados Unidos, passou a integrar o debate sobre o Pix
após declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em
entrevista concedida na quarta-feira (3), ele afirmou que o mecanismo norte-americano
possui características semelhantes ao sistema brasileiro e poderia servir como
referência em eventuais negociações entre Brasil e Estados Unidos.
A declaração ocorreu em meio ao aumento das críticas do governo do presidente Donald Trump ao Pix. O sistema brasileiro foi citado em um relatório comercial que embasa a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
No documento, autoridades dos
Estados Unidos alegam que políticas adotadas pelo Brasil favorecem o Pix e
acabam prejudicando empresas estrangeiras que atuam no segmento de pagamentos
eletrônicos. O relatório também questiona o papel desempenhado pelo Banco
Central, responsável pela criação, regulamentação e operação da plataforma.
Durante a entrevista, Eduardo
Bolsonaro afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes ao Pix,
mencionando o Zelle como exemplo. Segundo ele, essa semelhança poderia ser
utilizada como argumento em uma eventual mesa de negociação entre os dois
países.
As declarações repercutiram
entre integrantes do governo federal e parlamentares aliados do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT). Lideranças do PT criticaram a fala do ex-deputado e
afirmaram que não há discussão sobre substituição do Pix por outro sistema.
Após a repercussão, Eduardo Bolsonaro afirmou nas redes sociais que nunca
defendeu a troca do sistema brasileiro pelo modelo americano e reiterou apoio
ao Pix.
Criado em 2017, o Zelle é um
serviço privado de transferências bancárias operado pela Early Warning
Services, empresa controlada por alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos.
Diferentemente do Pix, que é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco
Central, o sistema americano depende da adesão voluntária das instituições
financeiras.
Atualmente, o Zelle está
disponível em mais de 2,4 mil aplicativos bancários nos Estados Unidos e
permite transferências utilizando apenas número de telefone ou endereço de
e-mail do destinatário. Segundo dados da empresa responsável pelo serviço, a
plataforma alcançou 151 milhões de usuários em 2024 e movimentou mais de US$ 1
trilhão em transações no período.
No Brasil, o Pix ultrapassa
170 milhões de usuários e se consolidou como o principal meio de pagamento
eletrônico do país. O sistema funciona de forma instantânea, 24 horas por dia,
incluindo fins de semana e feriados, e movimentou mais de R$ 35 trilhões em
transferências ao longo de 2025.
Apesar das semelhanças na
agilidade das operações, especialistas apontam diferenças relevantes entre os
dois modelos. Enquanto o Pix possui regras padronizadas e participação
obrigatória para grandes instituições financeiras, o Zelle opera dentro de uma estrutura
privada, com limites e eventuais tarifas definidos por cada banco participante.
O debate sobre os sistemas de
pagamento ganhou força após o relatório divulgado pelo governo americano,
ampliando as discussões sobre concorrência, regulação financeira e relações
comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Tribuna do Norte

Nenhum comentário:
Postar um comentário