PCC liderou rebelião na Penitenciária de Alcaçuz (RN), em 2017. Foto: Magnus Nascimento
Pesquisa PoderData divulgada
nesta quarta-feira (3) aponta que, para 53% dos brasileiros, a decisão dos
Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando
Vermelho (CV) como organizações terroristas é benéfica para o Brasil.
Já 33% consideram a medida ruim para o país, enquanto 14% não souberam
responder, de acordo com o levantamento.
O PoderData ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios dos 27 estados do país. A
margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa foi realizada após o Departamento de Estado norte-americano
anunciar, no último dia 28, a inclusão das duas facções brasileiras nas listas
de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e de Organizações
Terroristas Estrangeiras (FTOs).
O enquadramento resulta em bloqueios financeiros administrados pelo
Departamento do Tesouro dos EUA e impõe sanções criminais e diplomáticas, como
a proibição de entrada de integrantes no país e a ilegalidade do fornecimento
de recursos aos grupos.
Segundo os Estados Unidos, o PCC e o CV são considerados as organizações
criminosas mais violentas do Brasil, com redes ilícitas que se estendem por
toda a região e afetam a segurança nacional norte-americana.
Reações políticas
A medida foi anunciada após encontros em Washington entre o senador e
pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o
ex-deputado Eduardo Bolsonaro e autoridades dos Estados Unidos, incluindo o
secretário de Estado, Marco Rubio. O senador argumentou que os grupos controlam
territórios pela força e infiltram instituições, devendo ser tratados como
terroristas.
O Palácio do Planalto foi surpreendido com o anúncio. O presidente Lula (PT)
afirmou que, embora as facções sejam terroristas para a sociedade brasileira e
devam ser combatidas internamente, a decisão estrangeira fere a soberania
nacional.
O assessor especial Celso Amorim declarou que a cooperação internacional contra
a lavagem de dinheiro é bem-vinda, mas que a utilização do tema como pretexto
para intervenção é inaceitável.
Tribuna do Norte

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