A balança comercial do Rio
Grande do Norte registrou déficit de US$ 3,8 milhões em maio de 2026, resultado
de uma forte queda nas exportações, embora as importações tenham avançado. No
mês, o Estado exportou US$ 37,9 milhões, valor 50,8% inferior ao registrado em
maio de 2025, quando as vendas externas somaram US$ 77,4 milhões. Já as
importações alcançaram US$ 41,7 milhões, crescimento de 11,2% em relação aos
US$ 37,8 milhões importados no mesmo período do ano passado.
Diante do resultado de maio deste ano, o saldo da balança comercial potiguar
passou de um superávit de aproximadamente US$ 39,6 milhões em maio de 2025 para
um déficit de US$ 3,8 milhões em maio deste ano, uma deterioração de mais de
US$ 43 milhões no resultado das transações internacionais do Estado.
Apesar do primeiro resultado negativo do ano, o acumulado de 2026 permanece
favorável ao Rio Grande do Norte com um superávit de US$ 277,7 milhões,
conforme os dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Secretaria de Comércio
Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços (MDIC).
O desempenho da balança potiguar interrompe uma sequência de superávits
observada ao longo dos últimos 12 meses e representa uma mudança significativa
no comportamento do comércio exterior local. O principal produto exportado pelo
Rio Grande do Norte no quinto mês do ano foi o ouro, responsável por 45,7% das
vendas externas. O metal precioso movimentou US$ 17,3 milhões no período e não
possui base de comparação com maio de 2025, quando não houve registro de
exportações do produto.
Na sequência, aparecem as frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, com
US$ 5,8 milhões (15,4% das exportações), mas com queda de 19,3%. Outros
minerais em estado bruto somaram US$ 2,3 milhões e representam 5,9% das vendas
externas, porém, com retração de 23,9%. Os minérios concentrados de metais de
base representaram US$ 2,1 milhões (5,6%), também sem comparativo anual.
Entre os destinos das exportações, o Canadá assumiu a liderança, respondendo
por 36% das vendas externas do Estado. O país importou US$ 13,6 milhões em
produtos potiguares, um salto de 2.676,7% em relação a maio do ano passado.
Além do país norte americano, os principais compradores foram Países Baixos
(Holanda), com US$ 3,9 milhões (10,2%) e uma alta de 127,2%; além do Marrocos
que comprou US$ 1,5 milhão (3,9%) em produtos do estado, num crescimento de
1.087,6%; e da Nigéria, que somou US$ 1,1 milhão e um recuo de 56%. Já o Chile,
com US$ 1 milhão (2,7%), teve alta de 1.675,3%, enquanto que o Reino Unido
recuou 46,9% com seus US$ 982,5 mil, representando 2,6% das exportações
potiguares.
O dado mais expressivo foi a redução das compras pelos Estados Unidos, que se
apresentou como terceiro maior exportador do estado, representando 10,1% (US$
3,8 milhões) do que é vendido pelo RN. O país deixou de adquirir cerca de US$
26,1 milhões em produtos potiguares na comparação anual, numa redução de 87,2%.
O comportamento chama atenção por indicar um movimento inverso ao das
exportações: reduziu significativamente suas compras de produtos do RN, ampliou
em 22,4% suas vendas ao mercado potiguar, somando US$ 3,4 milhões (8,3% das
importações).
Importações crescem puxadas por combustíveis
Pelo lado das importações, os combustíveis lideraram as compras do exterior. Os
óleos combustíveis derivados de petróleo e minerais betuminosos responderam por
33,9% das importações do Estado, movimentando US$ 14,1 milhões, alta de 109,2%
sobre maio de 2025.
Também se destacaram o trigo e centeio não moídos, com US$ 4,9 milhões (11,8%),
aumento de 87,5%; produtos residuais de petróleo e materiais relacionados, com
US$ 3,7 milhões (8,8%) e crescimento de 116,7%.
Entre os fornecedores, os Países Baixos (Holanda) lideraram com folga,
respondendo por 34,1% das importações potiguares, com US$ 14,2 milhões (34,1%),
alta de 11.039,6%. A Argentina vendeu US$ 7,7 milhões para o estado e assumiu o
segundo lugar entre os importadores, respondendo por 18,4% e um crescimento de
298,8%.
A China recuou 54,2% nas vendas para o estado, somando US$ 6,9 milhões (16,5%).
Enquanto a Alemanha (US$ 2 milhões) e o México (US$ 1,5 milhão) registraram
alta de 158,2% e 344,7%, respectivamente.
Acumulado
Apesar do resultado negativo de maio, nos cinco primeiros meses do ano, o
Estado exportou US$ 481,3 milhões, crescimento de 8,3% em relação ao mesmo
período de 2025. As importações somaram US$ 203,7 milhões, alta de 1,7%. O
saldo acumulado permanece superavitário em US$ 277,7 milhões, indicando que as
exportações ainda superam com folga as importações no conjunto do ano.
Contudo, o histórico dos últimos doze meses mostra reversão após sequência de
superávits. Os números revelam que maio foi o primeiro mês com déficit
comercial desde julho de 2024, quando as exportações somaram US$ 40,4 milhões e
as importações chegaram a US$ 43 milhões.
Brasil registra superávit
No cenário nacional, a balança comercial brasileira manteve desempenho positivo
em maio de 2026, diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Norte. O país
registrou US$ 32 bilhões em exportações e as importações somaram US$ 24,1
bilhões, com um superávit de US$ 8 bilhões. O número representa uma alta de
10,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o saldo positivo
havia ficado em US$ 7,1 bilhões.
A corrente de comércio (soma das exportações e importações) fechou o mês em US$
56,0 bilhões, o que corresponde a um avanço de 6,1% sobre maio de 2025, quando
o montante foi de US$ 52,8 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 149
bilhões e as importações, US$ 116 bilhões, com saldo positivo de US$ 33
bilhões.
No mês de maio/2026, comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos
setores exportadores foi o seguinte: crescimento de US$ 0,73 bilhão (9,8%) em
Agropecuária e de US$ 1,37 bilhão (9,0%) em produtos da Indústria de
Transformação. Houve queda de US$ 0,13 bilhão (1,9%) em Indústria Extrativa.
Já comparando com igual mês do ano anterior, o desempenho dos setores
importadores foi o seguinte: crescimento de US$ 1,34 bilhão (6,3%) em produtos
da Indústria de Transformação; queda de US$ 0,04 bilhão (7,8%) em Agropecuária
e de US$ 0,1 bilhão (10,1%) em Indústria Extrativa.
Tribuna do Norte

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