sexta-feira, 8 de maio de 2026

Rogério Marinho critica Lula e rebate pauta da escala 6x1

Senador defendeu que mudanças na jornada de trabalho sejam construídas de forma gradual | Foto: Magnus Nascimento

O secretário nacional do Partido Liberal, (PL), senador Rogério Marinho, avaliou os recentes acontecimentos em Brasília, que resultaram em derrotas para o presidente Lula no Congresso Nacional, e que a todo custo tenta resgatar a popularidade e diminuir o desgaste político.

Para o senador do Rio Grande do Norte, o presidente Lula reage com “rancor” e “ressentimento”, e criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), classificando como “rasa” e “eleitoreira” a discussão sobre o fim da escala 6x1 no país.

Ao comentar o cenário político nacional, Rogério Marinho afirmou, na quinta-feira (7), ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal (93,5 FM), que o terceiro mandato de Lula repete problemas de governos anteriores do PT. “O Lula 3 já começou velho, ultrapassado, com as mesmas ideias, com os mesmos métodos. Certamente os resultados não serão diferentes”, declarou.

Segundo ele, o governo enfrenta dificuldades de governabilidade e desgaste junto à população. “Há uma cristalização dessa rejeição do Lula. Por mais que ele se esforce para tentar voltar a ter conexão com a sociedade, na minha opinião, desde o início do governo já havia essa desconexão”, disse.

O senador também criticou a política econômica do governo federal e relacionou o aumento da inflação ao crescimento de gastos públicos. “A inflação é o imposto mais perverso para os mais humildes. O pobre não tem como se proteger. O que ele ganha, no primeiro momento, já vai para comprar comida”, afirmou. Para ele, o presidente estaria tentando recuperar popularidade com medidas populistas. “Lula está desesperado para retomar sua conexão com a sociedade”, declarou.

Ao falar sobre a postura do presidente em relação às discussões envolvendo a PL da Dosimetria, em que teve o veto derrubado, Rogério Marinho afirmou que Lula demonstra ressentimento político. “O presidente Lula não é um líder estadista. Ele demonstra praticamente todos os dias. Esse ato dele é mais uma demonstração da maneira como ele se comporta. É alguém que tem rancor, que tem ressentimento”, afirmou.

Escala 6x1

Durante a entrevista, o senador também comentou o debate nacional sobre o possível fim da escala 6x1. Rogério classificou a discussão como simplificada e afirmou que o tema vem sendo tratado sem considerar os impactos econômicos.

“Hoje nós temos uma discussão rasa, emergencial e eleitoreira, que infelizmente não está tendo o cuidado necessário de ser apurada para evitar consequências ruins para a sociedade”, declarou.

Segundo ele, a proposta pode provocar fechamento de pequenos negócios e aumento de preços caso não haja compensações econômicas. “Se isso acontecer e ao mesmo tempo diminuir empregos? Se aumentar o preço dos produtos e serviços? Se pequenos empresários, que representam 70% dos empregos gerados no país, fecharem as suas portas porque vão ter dificuldade fechar suas contas?”, questionou.

O senador defendeu que eventuais mudanças sejam construídas de forma gradual e negociada. “Ao longo do tempo vem caindo a carga horária de trabalho, mas fruto da negociação entre as partes”, afirmou. Rogério também citou diferenças entre categorias profissionais para criticar uma eventual regra única. “É impossível encararmos a complexidade da nossa economia e afirmarmos que todo trabalhador tem a mesma realidade”, disse.

Críticas ao STF e ao nome de Jorge Messias

Rogério Marinho afirmou que existe uma crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal e criticou o que chamou de “intervenção” da Corte sobre os demais poderes. “O Supremo Tribunal Federal, ao longo dos anos, tem sido marcado por uma intervenção muito profunda em relação aos outros poderes da República”, declarou.

O senador relacionou esse cenário à rejeição ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, em votação no Senado. Para ele, houve um recado político do Congresso ao governo federal. “Ministros com este perfil de alinhamento político com o presidente da República, que não tenham isenção e postura de magistrados, certamente terão dificuldades ao serem avaliados dentro do plenário”, afirmou.

Rogério disse ainda acreditar que uma eventual nova indicação do governo Lula ao STF enfrentaria resistência semelhante no Senado. “Um novo nome apresentado hoje ao Senado provavelmente teria o mesmo destino”, declarou.

Mandato para ministros e críticas a Flávio Dino

Durante a entrevista, Rogério voltou a defender mandato para ministros do STF e afirmou que magistrados passam tempo demais na Corte. “Alguém que passa 30 anos no Supremo perde completamente a conexão com a sociedade”, afirmou.

Segundo Rogério, ministros da Corte estariam ultrapassando limites institucionais. “Está faltando institucionalidade. Perderam-se as medidas e as pessoas acham isso normal”, declarou.

Eleições de 2026

Na entrevista, Rogério também falou sobre o cenário eleitoral de 2026 e afirmou que o PL trabalha para ampliar presença no Nordeste. Segundo ele, o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro tem fortalecido alianças regionais.

O senador elogiou o senador Flávio Bolsonaro e afirmou que ele representa continuidade do bolsonarismo. “Ele tem os mesmos conceitos e valores do pai, com uma visão conservadora da sociedade e liberal do ponto de vista econômico”, declarou.

Rogério afirmou ainda que o partido busca estruturar palanques estaduais e alianças regionais para o próximo pleito presidencial.

Tribuna do Norte

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