Projeto prevê observações astronômicas e realidade virtual ações educativas | Foto: Adriano Abreu
A pós mais de uma década de planejamento, o Observatório Astronômico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) entrou em uma fase decisiva para começar a operar. A previsão inicial era de inauguração em 2025, depois adiada para 2026, mas, diante dos desafios da logística internacional e dos trâmites de importação científica, a expectativa é que a entrega do equipamento ocorra em 2027.
Sob a liderança do astrofísico
e idealizador, o professor José Dias do Nascimento Júnior, o projeto de
aproximadamente R$ 2 milhões caminha para consolidar o Campus Central de Natal
como um polo de democratização científica no Nordeste. Contudo, o professor
explica que a finalização se divide em duas frentes: a conclusão da obra civil
e a complexa etapa de instrumentação. “Um observatório astronômico não é apenas
um prédio com telescópios. É uma janela entre a sociedade e o Universo. Mais do
que observar estrelas, queremos formar pessoas, despertar vocações e aproximar
a sociedade das grandes perguntas fundamentais da humanidade”, detalha.
O prédio se destaca por ser um
dos primeiros da instituição a receber o “Selo Verde” devido às suas práticas
sustentáveis e acessibilidade. O principal desafio está na cúpula astronômica,
ou dome, componente essencial importado dos Estados Unidos e que depende de
etapas administrativas e de disponibilidade nas cotas nacionais de importação
associadas às Universidades Federais e Institutos de Pesquisa. Como essas cotas
foram utilizadas no início de 2025, a universidade aguarda a abertura de novas
janelas orçamentárias para prosseguir com os trâmites de aquisição e importação
do equipamento.
Apesar da espera pelos
componentes tecnológicos, o entorno da construção já recebe aulas práticas de
turmas de Introdução à Astronomia e observações estelares, que mobilizam
estudantes de diversas áreas. Atualmente, os esforços se concentram no
estabelecimento de um Comitê Gestor, composto por docentes do Departamento de
Física e de outras unidades acadêmicas, que será responsável por organizar a
agenda de exposições, temas educativos e a logística para receber escolas da
rede pública e privada.
O arsenal tecnológico, que
inclui um telescópio de 35 cm de diâmetro já em solo potiguar, promete
transformar a experiência de observação da Lua, Júpiter e Saturno em algo
imersivo e de alta resolução. Além disso, o projeto contempla um laboratório de
inteligência artificial e recursos de realidade virtual, garantindo que o
conhecimento astronômico não fique restrito às paredes do auditório de 40
lugares, mas alcance remotamente escolas de todo o estado. “Em um momento em
que o mundo volta seus olhos para o espaço, para os exoplanetas e para a busca
por vida no Universo, o Nordeste brasileiro também precisa ocupar esse lugar
estratégico na formação científica e tecnológica”, pontua o astrofísico José
Dias.
De acordo com o astrofísico, o
objetivo é entregar uma infraestrutura científica sólida, duradoura e capaz de
aproximar a astronomia da sociedade. “O observatório tem como missão integrar a
extensão, ensino e pesquisa. Além de promover a formação de novos estudantes,
professores e trazer novos pesquisadores para a universidade. É um passo
importante para democratizar a astronomia e a cultura científica”, conclui.O
MPRN destaca ainda que acompanha o andamento de forma administrativa, e poderá
“adotar medidas judiciais cabíveis, caso sejam necessárias”.
Tribuna do Norte

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