O desempenho da região Nordeste foi impulsionado pelo segmento premium, que ampliou sua presença no mercado local| Foto: Adriano Abreu
O mercado óptico do Rio Grande do Norte registrou um crescimento de 9% nas vendas no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, movimentando R$ 43,07 milhões. Esse foi o segundo maior aumento percentual do Nordeste, atrás apenas da Paraíba (10,39%). Já o crescimento regional foi de 2,1%, com faturamento trimestral de R$ 738,464 milhões. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica).
Embora o avanço regional tenha ficado abaixo da média nacional, de 3%, o desempenho foi impulsionado pelo segmento premium, que ampliou sua presença na região. O faturamento nacional no trimestre foi de R$ 7,338 bilhões, ante R$ 7,18 bilhões em igual período do ano passado.
Para Ambra Nobre Sinkoc, diretora-executiva da Abióptica, o trimestre representou a “resiliência” do mercado óptico. “Tivemos um crescimento consistente, apesar de cenários econômicos desafiadores. Tivemos muitos desafios, mas o setor continua um pouquinho acima da média dos outros segmentos de varejo”, diz.
A diretora aponta que fatores estruturais contribuem para o resultado das vendas, como o envelhecimento da população, o aumento do uso das telas, uma maior conscientização sobre a saúde visual e o uso dos óculos como acessório de moda.
Em sua visão, a região Nordeste representa um mercado importante para o setor, por ser muito populosa. “Houve uma expansão e modernização do varejo óptico na região. Franqueados associados estão mais presentes no Nordeste. Essas lojas chegam com mais modernização”, afirma. Além disso, o consumidor busca cada vez mais por tecnologia.
Essa combinação atrai mais clientes, especialmente no segmento premium. “O premium tem se destacado, trazendo maior valor agregado e maior rentabilidade. Isso traz um ticket médio melhor para a ótica, uma margem mais saudável e uma menor concorrência em preço”, diz Sinkoc.
O desempenho percentual do RN durante o trimestre superou o de Alagoas (+5,99%), Pernambuco (+5,41%), Piauí (+3,26%), Ceará (+2,45%), Sergipe (+1,74%) e Maranhão (+1,49%). Apenas a Bahia registrou retração no faturamento, de 1,12%.
Flávia Diniz, diretora das Óticas Diniz, diz que a empresa acompanhou o aumento de faturamento apontado pela Abióptica no RN. De acordo com ela, esse resultado se deve a investimentos em treinamento das equipes, espaços confortáveis nas lojas e produtos de qualidade, além de presença na mídia.
Para Diniz, o perfil do consumidor natalense varia “entre pessoas que já usam óculos e buscam qualidade e produtos que têm boa durabilidade, e usuários de primeira viagem que buscam apenas preço baixo e não se importam com a qualidade”. Há ainda os clientes que trocam apenas as lentes de acordo com a evolução do grau.
José Berto, gerente da Ótica Paula Macedo, diz que o primeiro trimestre também foi positivo para a empresa. “O aumento da procura por lentes com tecnologia e armações de maior qualidade contribuiu para esse resultado, além do fortalecimento do relacionamento com os clientes e das estratégias comerciais adotadas pela empresa”, diz.
Segundo ele, em Natal, o consumidor está atento à qualidade, ao conforto e à durabilidade dos produtos ópticos. “Também percebemos um público mais informado, que pesquisa bastante antes da compra e valoriza atendimento personalizado e confiança na ótica escolhida”, afirma.
A pirataria representa um dos principais desafios do setor. “A pirataria impacta não apenas na nossa competitividade, mas também na saúde visual e na confiança do consumidor”, frisa a diretora executiva da Abióptica. “É um risco à saúde visual da pessoa e uma concorrência desleal absurda. Isso traz perda de arrecadação e de emprego e desvaloriza as marcas”, acrescenta.
Flávia Diniz pontua que produtos falsificados não têm durabilidade nem qualidade, prejudicando a saúde visual. Além disso, “para as empresas do ramo que atuam de forma correta e regular, é extremamente prejudicial, [pois] tira a competitividade e diminui o faturamento”.
A estimativa da Abióptica para 2026 é de crescimento de 5,2% sobre 2025. Todos
os anos, cerca de 106,5 milhões de óculos são vendidos no Brasil - cerca de
metade corresponde a produtos falsificados e de origem ilegal.
Impacto no RN
Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio), o setor óptico representa mais de 1.700 ópticas no estado, com cerca de 2.000 trabalhadores formais. “Esse é um segmento com forte capilaridade, presença no comércio de rua e em centros comerciais, e que ajuda a movimentar a economia local”, diz a entidade.
“O crescimento do setor pode ser atribuído a um ambiente econômico mais
favorável no estado, com expansão do comércio e dos serviços nos últimos anos,
acima da média da região. Esse desempenho também se relaciona à qualificação
profissional”, avalia a Fecomércio-RN, que, por meio do Senac RN, atua na
formação técnica na área.
NÚMEROS
Faturamento do mercado óptico
no Nordeste
Variação no 1º trimestre de 2026 ante igual período de 2025
Paraíba: +10,39%
Rio Grande do Norte: +8,96%
Alagoas: +5,99%
Pernambuco: +5,41%
Piauí: +3,26%
Ceará: +2,45%
Sergipe: +1,74%
Maranhão: +1,49%
Bahia: -1,12%
Fonte: Abióptica
Fernando Azevêdo/Repórter
Tribuna do Norte

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