quinta-feira, 21 de maio de 2026

Novas terapias ampliam chances de pacientes com tumores no cérebro

Neurocirurgião Wladimir Melo explica que existem diferentes tipos de tumores que podem atingir pessoas de várias idades| Foto: Cedida

Embora os tumores cerebrais estejam entre os mais complexos de tratar, avanços terapêuticos têm ampliado as chances de recuperação e preservação das funções dos pacientes. Neste Maio Cinza, mês de conscientização sobre o câncer cerebral, especialistas alertam para a importância de reconhecer sintomas e reduzir fatores de risco associados à doença.

A doença pode se manifestar de diferentes formas neurológicas, como dor de cabeça, dormência em membros do corpo e crises convulsivas. Segundo o neurocirurgião Wladimir Melo, esses sinais não são exclusivos dessa enfermidade e, por isso, exigem atenção. “No primeiro sintoma e sinal que nos faça pensar em um tumor cerebral, o paciente deve ir ao médico, que pode ser um clínico ou o próprio neurologista, para fazer os exames iniciais. Dado o diagnóstico do tumor, o paciente deve ser encaminhado a um neurocirurgião”, explica.

Sobre os fatores de risco, Wladimir Melo afirma que existem diferentes tipos de tumores que podem atingir pessoas de várias idades. Ele destaca, porém, que a metástase cerebral — quando um câncer de outra parte do corpo se espalha para o cérebro — está entre os casos mais frequentes.

O neurocirurgião explica que há dois tipos principais de tumores cerebrais: benignos e malignos. Os benignos, embora não sejam considerados câncer, podem comprometer estruturas do crânio e provocar sintomas graves, como ocorre nos meningiomas. Já os tumores cerebrais primários se originam no próprio cérebro, sendo os gliomas os mais comuns.

A oncologista Danielli Matias explica que o tratamento dos tumores primários envolve uma tríade formada por neurocirurgia, radioterapia e tratamentos sistêmicos da oncologia. Segundo ela, essas abordagens podem ocorrer de forma conjunta ou sequencial, com foco na preservação das funções do paciente. “A grande novidade na oncologia cerebral é o avanço para a individualização do tratamento através das terapias altas.

Este ano foi incorporada, através de uma aprovação pela Anvisa, uma medicação direcionada para uma mutação específica chamada IDH. Então, os pacientes que têm glioma de baixo grau e que apresentam essa alteração podem, a depender de algumas características, ser tratados com essa medicação, que é um comprimido”, explica a oncologista.

Embora o câncer cerebral esteja entre os mais difíceis de tratar, Danielli Matias afirma que a recuperação é possível tanto para pacientes em tratamento quanto para aqueles que ficam com sequelas. “Todo paciente com glioma que tem algum acometimento de fala ou motricidade, por exemplo, é encaminhado para um tratamento multidisciplinar, com a fisioterapia para ajudá-lo na reabilitação da locomoção e a fonoaudiologia para ajudá-lo na reabilitação da fala”, esclarece.

Ela afirma que muitos pacientes permanecem com algum grau de sequela. “Mas hoje em dia, com as técnicas de neuronavegação durante a cirurgia, isso tem diminuído ainda mais”, destaca.

Hábitos saudáveis ajuda a reduzir os riscos de desenvolver tumores cerebrais. “A gente sempre recomenda evitar o tabagismo e tratar outras patologias que possam levar a algum câncer, como a hipertensão arterial e a diabetes. O sono também é fundamental para a saúde de uma forma geral”, aponta Melo.

Tratamento

No Rio Grande do Norte, o único Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) é a Liga Contra o Câncer, em Natal, que conta com equipe multidisciplinar e equipamentos de ponta para acompanhar os pacientes desde o diagnóstico até a recuperação. O paciente chega à instituição por meio do sistema de regulação. “Imagine que um paciente procure um posto de saúde em Olho d’Água dos Borges, por exemplo. O agente de saúde que está atendendo ele, caso identifique algum problema oncológico, pode entrar no site da Liga e cadastrar os dados do paciente”, explica o neurocirurgião da instituição, Diogo Menezes.

Diogo Menezes explica sobre dificuldades de acesso a exames| Foto: Cedid

Com as informações recebidas, a Liga agenda uma consulta. Menezes relata que, após o atendimento, uma das primeiras necessidades dos pacientes é a realização de uma ressonância magnética. O acesso a esse exame é um dos principais gargalos do sistema público de saúde e uma grande demanda na Liga, segundo Diogo.

Após os exames iniciais, os pacientes são encaminhados para cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A Liga também dispõe de uma equipe especializada em cuidados paliativos. “O cuidado paliativo é muito importante, pois mesmo que não seja possível oferecer um tratamento específico, é possível oferecer cuidado, dignidade e minimizar o sofrimento que a doença está causando”, destaca.

Tribuna do Norte

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