Neurocirurgião Wladimir Melo explica que existem diferentes tipos de tumores que podem atingir pessoas de várias idades| Foto: Cedida
Embora os tumores cerebrais
estejam entre os mais complexos de tratar, avanços terapêuticos têm ampliado as
chances de recuperação e preservação das funções dos pacientes. Neste Maio
Cinza, mês de conscientização sobre o câncer cerebral, especialistas alertam
para a importância de reconhecer sintomas e reduzir fatores de risco associados
à doença.
A doença pode se manifestar de diferentes formas neurológicas, como dor de cabeça, dormência em membros do corpo e crises convulsivas. Segundo o neurocirurgião Wladimir Melo, esses sinais não são exclusivos dessa enfermidade e, por isso, exigem atenção. “No primeiro sintoma e sinal que nos faça pensar em um tumor cerebral, o paciente deve ir ao médico, que pode ser um clínico ou o próprio neurologista, para fazer os exames iniciais. Dado o diagnóstico do tumor, o paciente deve ser encaminhado a um neurocirurgião”, explica.
Sobre os fatores de risco, Wladimir Melo afirma que existem diferentes tipos de
tumores que podem atingir pessoas de várias idades. Ele destaca, porém, que a
metástase cerebral — quando um câncer de outra parte do corpo se espalha para o
cérebro — está entre os casos mais frequentes.
O neurocirurgião explica que há dois tipos principais de tumores cerebrais:
benignos e malignos. Os benignos, embora não sejam considerados câncer, podem
comprometer estruturas do crânio e provocar sintomas graves, como ocorre nos
meningiomas. Já os tumores cerebrais primários se originam no próprio cérebro,
sendo os gliomas os mais comuns.
A oncologista Danielli Matias explica que o tratamento dos tumores primários
envolve uma tríade formada por neurocirurgia, radioterapia e tratamentos
sistêmicos da oncologia. Segundo ela, essas abordagens podem ocorrer de forma
conjunta ou sequencial, com foco na preservação das funções do paciente. “A
grande novidade na oncologia cerebral é o avanço para a individualização do
tratamento através das terapias altas.
Este ano foi incorporada,
através de uma aprovação pela Anvisa, uma medicação direcionada para uma
mutação específica chamada IDH. Então, os pacientes que têm glioma de baixo
grau e que apresentam essa alteração podem, a depender de algumas características,
ser tratados com essa medicação, que é um comprimido”, explica a oncologista.
Embora o câncer cerebral esteja entre os mais difíceis de tratar, Danielli
Matias afirma que a recuperação é possível tanto para pacientes em tratamento
quanto para aqueles que ficam com sequelas. “Todo paciente com glioma que tem
algum acometimento de fala ou motricidade, por exemplo, é encaminhado para um
tratamento multidisciplinar, com a fisioterapia para ajudá-lo na reabilitação
da locomoção e a fonoaudiologia para ajudá-lo na reabilitação da fala”,
esclarece.
Ela afirma que muitos pacientes permanecem com algum grau de sequela. “Mas hoje
em dia, com as técnicas de neuronavegação durante a cirurgia, isso tem
diminuído ainda mais”, destaca.
Hábitos saudáveis ajuda a reduzir os riscos de desenvolver tumores cerebrais.
“A gente sempre recomenda evitar o tabagismo e tratar outras patologias que
possam levar a algum câncer, como a hipertensão arterial e a diabetes. O sono
também é fundamental para a saúde de uma forma geral”, aponta Melo.
Tratamento
No Rio Grande do Norte, o único Centro de Assistência de Alta Complexidade em
Oncologia (CACON) é a Liga Contra o Câncer, em Natal, que conta com equipe
multidisciplinar e equipamentos de ponta para acompanhar os pacientes desde o
diagnóstico até a recuperação. O paciente chega à instituição por meio do
sistema de regulação. “Imagine que um paciente procure um posto de saúde em
Olho d’Água dos Borges, por exemplo. O agente de saúde que está atendendo ele,
caso identifique algum problema oncológico, pode entrar no site da Liga e
cadastrar os dados do paciente”, explica o neurocirurgião da instituição, Diogo
Menezes.
Diogo Menezes explica sobre dificuldades de acesso a exames| Foto: Cedid
Com as informações recebidas, a Liga agenda uma consulta. Menezes relata que, após o atendimento, uma das primeiras necessidades dos pacientes é a realização de uma ressonância magnética. O acesso a esse exame é um dos principais gargalos do sistema público de saúde e uma grande demanda na Liga, segundo Diogo.
Após os exames iniciais, os pacientes são encaminhados para cirurgia,
radioterapia e quimioterapia. A Liga também dispõe de uma equipe especializada
em cuidados paliativos. “O cuidado paliativo é muito importante, pois mesmo que
não seja possível oferecer um tratamento específico, é possível oferecer
cuidado, dignidade e minimizar o sofrimento que a doença está causando”,
destaca.
Tribuna do Norte

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