Estudo mostra que evento atraiu visitantes de vários estados e movimentou R$ 22 milhões em 42 municípios no ano passado. Foto: Lucas Bulcão/Secom PMM
O Mossoró Cidade Junina 2026 chega à edição de 2026 consolidado como um dos maiores eventos culturais do Nordeste e principal vitrine turística do interior do Rio Grande do Norte. Apesar da expectativa de grande público, empresários do setor hoteleiro demonstram preocupação com a procura por hospedagens neste ano, considerada abaixo da registrada em edições anteriores.
A abertura oficial acontece no dia 6 de junho com o tradicional Pingo da
MeiDia, considerado o ápice da festa, reunindo Bell Marques, Dan Ventura e
Grafith no Corredor Cultural. A programação do evento está distribuída em
vários polos culturais e movimenta a economia local, gerando empregos
temporários e atraindo visitantes de diferentes estados durante junho. Neste
ano, a festa terá atrações como João Gomes, Nattan, Calcinha Preta, Zezé Di
Camargo e Luciano, Alok, Pablo e Xand Avião, além de artistas regionais.
A empresária Karol Vieira, que administra um hotel em Mossoró, afirma que o
cenário atual foge do padrão normalmente observado às vésperas do evento. “A
procura para o Pingo da MeiDia/MCJ de 2026 está um tanto atípica em relação aos
anos anteriores. A essa altura, faltando apenas 25 dias para o início do
evento, está muito baixa ainda. Muitas pessoas especulando, fazendo orçamentos,
mas não fechando sua hospedagem”, relata. “Digamos que 50% de procura até
agora. Ano passado, 80% do Pingo já estava vendido e alguns fins de semana
também. Em 2024, por essa data, estava 100% vendido o Pingo. Mas estamos
animados que isso se reverterá”, afirmou.
Segundo a empresária, fatores como o cenário econômico, o limite para
contratação de artistas e o fortalecimento de festas juninas em outras cidades
nordestinas ajudam a explicar a redução nas reservas.
A partir deste ano, municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró,
passam a seguir recomendação do Ministério Público do Rio Grande do Norte e do
Tribunal de Contas do Estado para limitar em R$ 700 mil os cachês artísticos
pagos em festas juninas. A medida busca conter gastos públicos e estimular
maior equilíbrio nas contratações culturais.
Karol acredita que a limitação impacta diretamente o potencial de atração
turística do evento, principalmente em relação a artistas nacionais de maior
alcance popular. “As atrações mais caras realmente trazem mais público. Como
Luan Santana, durante os dois anos que veio, eu vendi bastante o dia dele”,
destacou.
Além da questão financeira, ela cita a concorrência crescente de outros polos
juninos do Nordeste. Nos últimos anos, Natal passou a investir fortemente em
programação de São João, enquanto cidades como Maracanaú ampliaram ainda mais
seus festejos.
Evento movimentou R$ 357 milhões
Mesmo diante das preocupações do setor hoteleiro, especialistas avaliam que o
Mossoró Cidade Junina 2026 deverá manter forte impacto econômico na cidade e na
região Oeste. Dados do Diagnóstico Socioeconômico do Mossoró Cidade Junina 2025
apontam que a edição passada movimentou aproximadamente R$ 357 milhões.
O levantamento foi coordenado pelo professor de Economia da Universidade do
Estado do Rio Grande do Norte, Dr. Leovigildo Cavalcanti, em parceria com a
Faculdade de Ciências Econômicas da universidade, CDL Mossoró e Polícia Militar
do Rio Grande do Norte. Segundo o estudo, o evento gera mais de oito mil
empregos diretos e indiretos durante o período junino.
Para o economista, embora a edição deste ano tenha menos artistas de renome
nacional em função das limitações financeiras impostas aos municípios, isso não
representa enfraquecimento do evento. “Esperamos o mesmo volume de recursos
gerados ano passado. É claro, levando em conta que este ano teremos um menor
número de artistas de renome nacional em função da limitação de recursos que
foram estabelecidos junto ao Ministério Público e acordados por muitas
prefeituras”, pondera. “Isso não significa que vai haver um esvaziamento do
evento. Vai haver agora a possibilidade de gerar elementos nos quais os
artistas locais e regionais possam ter palco e, a partir daí, gerar uma maior
identidade com o público no que diz respeito à economia local, regional e
cultural”, afirmou Dr. Leovigildo.
O impacto econômico do evento ultrapassa os limites de Mossoró. Segundo o
professor, o MCJ movimenta cadeias produtivas em dezenas de municípios do Rio
Grande do Norte e até em estados vizinhos, como Ceará e Paraíba. O estudo
aponta que cerca de R$ 22 milhões foram movimentados em 42 municípios em razão
direta das atividades ligadas ao evento.
Municípios da região Oeste registram aumento na circulação de pessoas, vendas
no comércio, serviços de alimentação, transporte e hospedagem. “Dada a
caracterização dos eventos, principalmente o Pingo da MeiDia e o Boca, que têm
um grande atrativo de pessoas vindas de outros municípios, termina-se gerando
receitas em outros municípios, fazendo com que o Mossoró Cidade Junina
transcenda suas fronteiras e gere emprego e renda em outros municípios”,
analisa. “No MCJ do ano passado, tivemos pessoas oriundas de 93 municípios de
16 estados”, ressalta.
Ismael Sousa/Colaborador no Oeste
Tribuna do Norte

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